Meus cabides: Sextou, e agora, o que visto pra sair?

Por Ana Paula Barcellos

No meu caso, é mais algo como: sextou, estou MORTA de cansaço, com os pés latejando, e preciso sair… o que visto? O contexto: é fim de semana sem as crianças, estamos só eu e mozão… ele é músico, vai tocar na noite e vou acompanha-lo.

Eu amo sair e ele toca no meu tipo de bar preferido: escurinho, meia luz, o som é principalmente rock, gente divertida de todas as idades. Tem onde sentar (fundamental), tem cerveja trincando com preço bom e uns petiscos maravilhosos. Definitivamente, meu tipo de saída!

Mas estou realmente cansada. Foi uma semana puxadíssima depois de outras três semanas um tanto desastrosas por conta de saúde e perrengues diversos. É minha chance de relaxar e tudo o que eu mais quero é afundar nos meus lençóis cheirando amaciante e dormir babando enquanto algum seriado rola sozinho na tela…

Não é uma opção, já me decidi. Eu vou sair! Vou beber, vou cantar junto esgoelando, as olheiras que lutem. Mas sair assim, sem uma produção legal, não tão básica? O pouco ânimo que tinha conseguido caiu pela metade… Só por nossa senhora dos cabides mesmo! Mas respiro fundo, entro no chuveiro e lavo o cabelo (básico). Bato o secador nele de forma a ressaltar o volume (meu cabelo já tem bastante volume naturalmente e é bem repicado). Deito e dou um tempo.

Agora, o desafio maior: o que vestir, senhor? Tanta roupa, fiz bons garimpos, mas a inspiração tá zerada. Começo pelo básico: vou de calça, tá frio e não tô no ânimo pro meu adorado shortinho piriguete. Pronto, escolhi uma skinny  cigarrete azul escuro, cintura baixa, que peguei semana passada no Brechó da Mary (óbvio, meu modelo preferido). Cinto largo de couro caramelo num tom mais escuro e fivela grande pra deixar tudo no lugar!

Adoro o estilo rock, mas já não curto tanto usar como referência solo ou com muito destaque, fui passando minhas blusas e me lembrei de uma de algodão com elastano, linda, grafite com detalhes em veludo vinho, mais curta – e o bom é que a manga não raspa na tattoo nova, não dá, né? Comprei num desapega do Grupo das Minas daqui da cidade, no Facebook. Ficou legal!

Nos pés, ok, foi fácil: botas. Escolhi um modelo médio com salto grosso, 5 centímetros. Tô moída, mas não abro mão dos meus saltinhos, né? Se é pra sextar mesmo, tem que ser com classe…

Tá show, mas vou passar frio. Passo o olho rapidamente pelos casacos e jaquetas, não quero nenhum. Couro é muito óbvio, blazer é demais, jeans não, nem aquela Roberto Cavalli tá na pegada. A resposta tá no cantinho: um xale mara que eu tenho, tricô fechado, casual mas não muito, um charme! E ainda cai um tantinho assimétrico, toque perfeito.

Nas mãos, muitos anéis, claro – as pulseiras já não saem do pulso mesmo. Nas orelhas, brincos grandes tom grafite com ouro velho, mas bem leves. Dão um toque e se destacam nos cabelos longos e com volume. No pescoço, um cordão curto com medalha de ônix e só.

Me olho no espelho: tô confortável, pero não tão básica. E tô gata! Espanto, até as olheiras parecem menores (nem tô usando maquiagem). De repente deu até vontade, mesmo, de sair. Decido abrir uma latinha para entrar no clima… Tem coisa que a gente tá precisando e nem faz ideia, né? Sextou pra mim, bora que o marido tá chegando!

Edit: depois da latinha e da música que coloquei pra tocar enquanto aguardava o mozão, comecei a achar a blusinha básica demais, sem graça, e troquei por uma azul mais justa e bem mais decotada, he.

Ana Paula Barcellos

Viciada em botas, sacoleira e brecholenta, trabalha com criação de joias artesanais e pesquisa de tendências. Tem foto da Suzy Menkes na estante e escreve essa coluna usando pijama velho, deitada no sofá enquanto toma café com chocolate.

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