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Inteligência Artificial nas campanhas eleitorais: oportunidade ou ameaça?

Por Marcelo Fabrão

“Às vésperas do segundo turno das eleições, surge um áudio nas redes sociais em que um dos candidatos defende a brutalidade policial. Após impactar milhares de eleitores, o conteúdo é removido por ser identificado como uma gravação falsa gerada por inteligência artificial (IA)”.

Não, isso não é mentira. Também não é uma mensagem profética das eleições deste ano. Isso aconteceu em Chicago, nos EUA, no ano passado, mas ascende nosso alerta por aqui. Aliás, já é consenso entre marqueteiros políticos que Inteligência Artificial (IA) nas eleições municipais deste ano serão usadas ao máximo.

É sobre isso que quero conversar com você.

Neste artigo, vou tentar abordar alguns dos principais avanços e riscos da IA para campanhas eleitorais, assim como algumas recomendações para os profissionais do marketing e da política, que devem estar atentos e preparados para lidar com essa tecnologia.

Primeiro, como tudo começou?

A IA veio para ficar e não há dúvidas quanto a isso. Esta tecnologia permite e continuará permitindo grandes avanços em diversas áreas de atuações mundo a fora. Mas até a inteligência artificial chegar ao ponto que chegou hoje, grandes evoluções precisaram acontecer, veja:

A Máquina de Turing

Em 1936, o matemático britânico Alan Turing criou um dispositivo chamado “Máquina de Turing”. Esta máquina foi considerada a fundação daquilo que conhecemos hoje como IA.

A criação do termo Inteligência Artificial

Em 1956, durante a Conferência Dartmouth, o campo de estudo voltado para a inteligência artificial foi criado.

Em 1966 nasce o primeiro Chatbot

Foi neste ano que um cientista da computação do MIT criou um programa de computador que se comunicava com humanos. O nome do cientista era Joseph Weizenbaum. Ele criou a ELIZA, programa capaz de ter uma conversa com um humano com simplicidade.

IA na área médica

Ted Shortliffe da Universidade de Stanford, em 1972, desenvolveu um sistema para realizar diagnósticos e assim, ajudar em tratamentos de doenças.

E assim, ao longo do tempo, a IA cresceu, evoluiu e se desenvolveu.

A voz do computador

Em 1986, o computador ganha voz pela primeira vez (NETtalk). Em meados da década de 90, o Google desenvolve seu primeiro protótipo de buscador. Já em 2005, a inteligência artificial passa a ser desenvolvida no universo automobilístico. A partir de 2010, a IA passa a fazer parte da nossa rotina. Através de aparelhos como smartphones e tablets, surge a Siri (assistente virtual inteligente criada pela Apple)

Bom, eu poderia ficar aqui o dia todo falando sobre a evolução da IA, mas já deu para entender como ela surgiu, cresceu e avançou em nosso meio.

Em 1990, no Brasil por exemplo, grupos de estudos já trabalhavam IA por aqui. Mas, o grande “bum” dessa ferramenta veio com o surgimento da IA generativa. Essa tecnologia tem a capacidade de criar conteúdo original, diversificado e realista a partir de dados, imagens, textos, sons, vídeos ou outros tipos de mídia. E mais, a IA generativa pode ser usada para produzir arte, música, literatura, design, jogos, publicidade, jornalismo e pesquisa, entre outras áreas. Inclusive “DEEPFAKE”, a evolução das fake news.

Mas o que é deepfake?

Deepfake é o uso de inteligência artificial na criação de vídeos e áudios falsos, mas bem realista, de pessoas fazendo ou falando o que nunca fizeram ou falaram.

O que relatei no início deste artigo nas eleições de Chicago foi um exemplo de deepfake e, infelizmente, chegou aqui. David Almeida, prefeito de Manaus, foi alvo de áudio falso em que insultava professores.

E é aqui que quero chamar a sua atenção. A IA é uma arma e, como tal, pode ajudar a construir ou destruir, depende de quem ou para o quê será usada. A verdade é que a inteligência artificial deu qualidade e velocidade às fake news e, infelizmente, não conseguimos acompanhar seu ritmo. É como estar de bicicleta numa estrada íngreme enquanto nosso adversário degusta em uma Ferrari numa estrada em linha reta.

Mas não quero apontar o dedo apenas para o lado sombrio da IA, até por que, ela pode ser uma arma capaz de construir possibilidades gigantesca na comunicação política. Por exemplo:

Analisar dados: a IA pode coletar e processar grandes volumes de dados sobre o perfil, as preferências, as necessidades e o comportamento dos eleitores. Com tais análises, os candidatos podem obter insights valiosos sobre as características, os problemas, as tendências e as oportunidades de cada região, bairro ou segmento da cidade e adaptar suas estratégias de campanha de acordo com cada público-alvo.

Personalizar mensagens: a IA pode criar e enviar mensagens personalizadas e direcionadas para cada eleitor, usando canais como e-mail, SMS, WhatsApp, Telegram, entre outros. Ela também pode responder às perguntas e dúvidas dos eleitores usando chatbots.

Criar conteúdo segmentado: como vimos, a IA pode produzir e distribuir conteúdo segmentado, usando vários tipos de mídias como texto, imagem, vídeo e áudio. De fato, ela é uma ferramenta maravilhosa e imprescindível para uma boa estratégia de marketing.

A inteligência artificial é uma das tecnologias mais inovadoras e disruptivas da atualidade, capaz de transformar diversos setores da sociedade, como saúde, educação, segurança, economia, entretenimento e também a política.

Ela tem um grande potencial para trazer benefícios para o setor público e privado podendo auxiliar na gestão de recursos, na otimização de processos, na melhoria da qualidade dos serviços, na redução de custos, na geração de novas oportunidades de negócios, na inovação de projetos, produtos, na criação de valor para o cidadão, entre várias outras coisas.

Que nós, profissionais da área do marketing, da comunicação e da política possamos nos informar mais sobre IA. Estudar e se atualizar sobre ela. Entender seus impactos positivos e negativos, cooperando para uma política mais justa e honesta capaz de proteger e assegurar nossa democracia.

Sobre mim

A inteligência artficial é um instrumento que está revolucionando o mundo. Mas também pode ser uma arma de destruição, principalmente quando usada para as deepfakes

Meu nome é Marcelo Fabrão. Sou marqueteiro político há 16 anos. Casado, pai de dois meninos lindos, Filipe Lucas e David Luiz. Amo filmes, séries, rock, fotografias, bateria e Muay Thai. Em 2020, no meio daquela pandemia infernal, percebi a importância do branding na estratégia de comunicação eleitoral e me tornei um estrategista de marcas com o propósito de ajudar políticos a se transformarem em marcas sinceras e atuais. Além de consultor de Marketing Político e Branding, sou diretor de um Instituto de pesquisa e da agência Fabbron. Me siga no Instagram @marcelorfabrao e no Linkedin 

Imagem: Agência Fabbron

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(*) O conteúdo das colunas não reflete, necessariamente, a opinião do O LONDRINENSE.

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