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Candidatos não entregam conteúdo que o eleitor quer receber

Por Marcelo Fabrão

A maioria dos políticos ainda tem dificuldade em entender a dinâmica da internet e as mudanças que ela trouxe para nós, no aspecto de consumo de conteúdo. Além disso, políticos apostam em conteúdos vaidosos do tipo em que mostrar sua agenda de reuniões no Instagram, por exemplo, seria o suficiente para obter o que eles querem, os likes.

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Essa vaidade e não entender a dinâmica das redes são dois dos principais problemas que atrapalham políticos em dar ao eleitor o que ele deseja receber de conteúdo. Geralmente, o que o eleitor não quer encontrar nas páginas e nos canais digitais dos candidatos é exatamente o que as campanhas mais publicam. Vou dar alguns exemplos: frases motivacionais – que geralmente não dizem absolutamente nada, muito menos quem o candidato é ou pensa -; fotos de campanha; textos em terceira pessoa e outros tantos.

Mas o que o eleitor quer receber?

Quando o eleitor busca nas páginas dos políticos ou em seus canais digitais, ele quer encontrar a opinião e o posicionamento dos candidatos sobre temas atuais. Por que? Porque ele vota em quem pensa como ele, sobre determinado assunto. Sim, o eleitor é egoísta, bem-vindo ao mundo real.

Outro conteúdo que, em determinado momento, o cidadão vai procurar na internet é sobre a trajetória (história) de vida do candidato e sua reputação e isso é muito importante. A reputação é o que traz sentido para o eleitor em querer saber mais sobre o candidato.

Falar sobre as propostas também é bom, mas o segredo está em como o candidato “conversa” com o cidadão sobre elas. Geralmente, o político só quer informar as pessoas sobre o que ele pretende fazer, narrando o conteúdo de forma jornalística que apenas noticia a informação, mas que não gera empatia nenhuma na leitura, pelo contrário.

Quer falar das suas propostas para o município? Conte uma história, envolva o eleitor na narrativa e coloque as informações que deseja, no contexto da história. Use elementos emocionais que tem a ver com o seu público.

“Histórias lidas no momento certo jamais te abandonam. Você pode esquecer o autor ou o título. Pode até não lembrar precisamente o que aconteceu. Mas se você se identifica com uma história, ela continua com você para sempre.”

Neil Gaiman

Não esqueça disso: o eleitor quer saber quem você é, como você pensa e o que você quer.

Por que entregar o conteúdo que o eleitor quer, do jeito que ele quer?

Primeiro, porque redes sociais não foram feitas para a comunicação política. Redes sociais foram feitas para entretenimento e relacionamento, ou seja, o candidato precisa formatar o que pensa dentro dessas duas características.

E por que tem que ser assim?

Porque, agora, as pessoas consomem o conteúdo que querem e quando quiserem e, já que as redes sociais são um espaço virtual para socialização, elas não querem consumir, durante seu momento de “lazer”, conteúdos que não tenha características do entretenimento e de relacionamento.

Quando for criar conteúdo, pense no que o eleitor gostaria de receber, mas também em como ele deseja receber. A forma é tão importante quanto a relevância do conteúdo. Quem está nas redes sociais não está ali para ouvir você, candidato. Aliás, seu público pode deixar de querer consumir seu conteúdo a qualquer momento sem que você saiba.

O “como” passou a ser tão importante quanto o “porque” publicar tal conteúdo.

Para finalizar

Quando o candidato diz a sua opinião sobre assuntos atuais e o porquê aquilo é importante, está mostrando para o eleitor que ele, candidato, é próximo a ele, eleitor. Por isso, é de grande valia a narrativa. Sua narrativa precisa fazer com que o eleitor se reconheça em você. Se perceber que você pensa como ele, fará questão de votar em você.

E mais: é preciso respeitar a cultura da mídia. Na internet, as pessoas querem coisas diferentes do que da mídia impressa e televisiva. O eleitor, baseado no que ele está consumindo naquele exato momento em que resolveu postar, vai dizer se vai olhar seu conteúdo ou não.

Por isso, saiba chamar a atenção do eleitor de modo que ele venha a perceber o que você quer dizer com aquilo.

Você precisa entrar na cabeça do eleitor do jeito que ele o entenda, sem desrespeitar a expectativa dele em relação ao seu canal.

Foto: criação Agência Fabrron

Sobre mim

O candidato precisa entender a dinâmica da internet e o que o leitor quer receber de conteúdo nas redes sociais. Não dá para ficar postando agenda e frases motivacionais

Meu nome é Marcelo Fabrão. Sou marqueteiro político há 16 anos. Casado, pai de dois meninos lindos, Filipe Lucas e David Luiz. Amo filmes, séries, rock, fotografias, bateria e Muay Thai. Em 2020, no meio daquela pandemia infernal, percebi a importância do branding na estratégia de comunicação eleitoral e me tornei um estrategista de marcas com o propósito de ajudar políticos a se transformarem em marcas sinceras e atuais. Além de consultor de Marketing Político e Branding, sou diretor de um Instituto de pesquisa e da agência Fabbron. Me siga no Instagram @marcelorfabrao e no Linkedin 

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(*) O conteúdo das colunas não reflete, necessariamente, a opinião do O LONDRINENSE.

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