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Anvisa: veto aos cigarros eletrônicos reforça barreira da saúde

Por Márcia Huçulak

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) decidiu manter a proibição da venda e propaganda de cigarros eletrônicos no Brasil, também conhecidos por vapes, entre outros nomes simpáticos.

Mesmo proibidos desde 2009, mas com o comércio irregular correndo solto, o consumo vem crescendo de forma preocupante – situação que abordei recentemente neste espaço.

É um ótimo sinal para a sociedade que a Anvisa tenha reforçado a barreira de proteção contra um dispositivo tão nocivo, tanto do ponto de vista pessoal (degradando a saúde individual) quanto coletivo (transferindo para toda a sociedade os altos custos de tratamentos de doenças pulmonares, cânceres, enfarte e AVC).

Ardilosamente, a indústria do tabaco revestiu seu novo produto de argumentos que vêm caindo por terra estudo após estudo. Entre eles, a falácia de que o vaper serviria para o fumante tradicional abandonar o vício (ocorre o contrário: cria-se um novo vício).

Países que caíram nesse engodo inicial e permitiram o uso do dispositivo estão revendo suas posições – caso do Reino Unido e Bélgica, por exemplo.

Vetos consistentes aos cigarros eletrônicos

Em votos consistentes e bem embasados nas evidências da saúde pública e da economia da saúde, os diretores da Anvisa foram unânimes na manutenção do veto no Brasil.

É importante deixar mais claro o que isso significa: foi uma decisão baseada na realidade estudada, analisada, medida e debatida com a sociedade (incluindo os defensores do dispositivo); não em achismos vazios ou argumentos superficiais.

A decisão da Anvisa mantém o país numa trilha positiva, de um protagonismo no combate ao tabagismo reconhecido internacionalmente. Com uma série de políticas públicas exitosas, o país reduziu em 30 anos a taxa de fumantes de 35% da população para em torno de 10%.

Agora, além do veto, a agência também propôs a realização de campanhas de conscientização que ajudem a esclarecer sobre os males causados pelos vapes.

Trata-se de uma medida cuja implementação seria muito bem-vinda. Principalmente para os jovens, mais susceptíveis a entrarem no vício e grupo no qual o consumo cresce mais acentuadamente.

Estima-se que, atualmente, haja cerca de 2,9 milhões de consumidores de vapes no país, e outros 5,9 milhões de cigarros tradicionais.

Que o avanço do cigarro eletrônico retroceda e este venha a ser apenas um soluço num caminho que precisa continuar avançando no combate ao tabagismo – hábito que ceifa a vida de mais de 8 milhões de pessoas por ano no mundo.

Em tempos de fakenews se destaca a decisão acertada da Anvisa com base em estudos científicos.

Márcia Huçulak

O veto da Anvisa aos cigarros eletrônicos é um ótimo sinal para sociedade porque foi baseado em ciência e debatido com a sociedade
Divulgação/Alep

Como secretária de Saúde de Curitiba (2017/2022), liderou o enfrentamento da pandemia de covid-19 na capital – trabalho reconhecido nacionalmente. Formada em Enfermagem pela PUC-PR, tem mestrado em Planejamento de Saúde pela Universidade de Londres (Inglaterra) e especialização em Saúde Pública pela Fiocruz. Elegeu-se deputada estadual em 2022 pelo PSD, sendo a mulher mais bem votada do estado e a mais votada (entre homens e mulheres) de Curitiba. Encontre a Márcia Huçulak nas redes: site
www.marciahuculak.com.br; Instagram: @marciahuculak; Facebook: Márcia Huculak. Telefone gabinete: (41) 3350-4223.

Foto: Canva

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(*) O conteúdo das colunas não reflete, necessariamente, a opinião do O LONDRINENSE.

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