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Responsabilidade no discurso público e o poder do cidadão

Por Márcia Huçulak

Nos últimos tempos, temos visto o debate público descambar num processo que empobrece a política e mais confunde do que esclarece a população – embora muita gente nem sequer perceba essa cortina de fumaça.

É o império das narrativas, cancelamentos e lacradas mais interessadas em garantir audiência nos likes (amigos) e deslikes (inimigos) das redes sociais do que em esclarecer questões que muitas vezes são importantes.

Como grande parte da sociedade, muitos políticos embarcaram nessa, confiantes de que uma eleição pode ser viabilizada surfando a onda da desinformação, superficialidade e, fica cada vez mais claro, irresponsabilidade.

Afinal, é muito mais fácil pescar o voto com base em projetos mirabolantes do que convencer as pessoas com boas propostas, conhecimento técnico e histórico de trabalho. E as redes sociais são campo fértil para esse tipo de abordagem.

Esse não é um bom caminho.

Em pleno vigor de um mundo orientado pelas big techs, por meio de algoritmos que ninguém entende (fora elas mesmas) e onipresentes nos smartphones, defender coisas da vida real pode até soar como inocência.

Promover o bem público

Promover o bem público, no entanto, exige mais do que redes sociais bem azeitadas. Exige capacidade política para formular propostas consistentes, exequíveis e efetivas, que permitam enfrentar problemas complexos e sistêmicos.

Só assim as políticas públicas da educação e da saúde vão atender melhor as pessoas; a segurança pública será incrementada; a manutenção e as grandes obras que uma cidade precisa serão feitas de acordo com as necessidade da população; bons programas serão implantados.

Como não podemos perder isso de vista, é importante que aqueles que deveriam dar o exemplo efetivamente deem bom exemplo. Ou seja, que os políticos sejam responsáveis em seus posicionamentos públicos.

Difícil, não é mesmo? Principalmente num ano eleitoral.

Aí entra o chefe de todo político, que é o cidadão-eleitor. Não tem jeito, é preciso que ele seja atento e ativo para separar o joio do trigo.

Muitos discursos hoje em dia não respeitam nada que não seja uma narrativa pré-fabricada, interessada apenas em dividendos eleitorais. Marqueteiros são contratados a peso de ouro para vender esperança e emocionar os eleitores e ganhar a eleição.

Discordância e debate

Bom lembrar que discordância e debate são necessários e fazem parte do salutar processo político. Também é legítimo no jogo democrático que quem ocupa cargos públicos e representa a população tenha objetivos político-eleitorais.

Mas há limites nesse processo que não deveriam ser ultrapassados. Esses limites não combinam com as tentadoras mensagens hipereditadas e sem nenhum contexto das redes sociais.

Situações trágicas e imponderáveis que acontecem não pode e não devem ser usadas em palanque político, por exemplo. É leviano.

Fatos que, avançados que estamos no século 21, são incontestáveis, como a efetividade das vacinas, não deveriam ser vilipendiados nos cliques caça-voto.

Vivemos tempos desafiadores, em que a confiança nas instituições políticas e nos políticos depende em grande medida de bons propósitos, da qualidade ética de nossas posturas públicas, do compromisso moral de agir com honestidade e responsabilidade.

Fazer política com propósito, assumir um cargo no Executivo ou Legislativo só têm sentido se for para fazer a diferença na vida das pessoas. Deixar melhor o que encontrou.

Está na mão da eleitora e do eleitor decidir o futuro das cidades neste ano. Temos a oportunidade de avaliar nossos governantes.

Voto é o poder na mão da população. Use bem!

Márcia Huçulak

Nesses tempos em que a lacração nas redes sociais é o objetivo, o debate público está sendo deixado de lado em prol da superficialidade e irresponsablidade
Divulgação/Alep

Como secretária de Saúde de Curitiba (2017/2022), liderou o enfrentamento da pandemia de covid-19 na capital – trabalho reconhecido nacionalmente. Formada em Enfermagem pela PUC-PR, tem mestrado em Planejamento de Saúde pela Universidade de Londres (Inglaterra) e especialização em Saúde Pública pela Fiocruz. Elegeu-se deputada estadual em 2022 pelo PSD, sendo a mulher mais bem votada do estado e a mais votada (entre homens e mulheres) de Curitiba. Encontre a Márcia Huçulak nas redes: site
www.marciahuculak.com.br; Instagram: @marciahuculak; Facebook: Márcia Huculak. Telefone gabinete: (41) 3350-4223.

Foto: Canva

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(*) O conteúdo das colunas não reflete, necessariamente, a opinião do O LONDRINENSE.

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