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Boa técnica e boa política precisam andar de mãos dadas

Por Márcia Huçulak

Com frequência se ouve no debate público – principalmente em épocas eleitorais – que os governos de modo geral precisam ser “técnicos”, em contrapartida à “política”, uma área que pode ser facilmente demonizada.

Embora seja comum, essa é uma rixa inócua e ultrapassada.

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Se há uma coisa que aprendi em mais de 35 anos na gestão pública é que a boa política não existe sem a boa técnica. E vice-versa: o melhor projeto baseado nos melhores requisitos técnicos não avança sem que a boa política entre em campo.

Trata-se de uma complementaridade incontornável para criar as sinergias necessárias para fazer avançar ações que atendam às necessidades da população.

Entenda-se por boa técnica: projetos bem pensados, analisados e estruturados, baseados em conhecimento, dados, fatos e evidências, fruto de debates e audição ativa da população. Ou seja: critérios e sensibilidade.

Política faz parte da vida

Muita gente ignora que a política faz parte do dia a dia de todo mundo: na reunião de condomínio ou da escola dos filhos, na negociação de um desconto numa loja, num debate em rede social… Tudo isso é política.

Ela já está, portanto, impregnada em nossas vidas e, principalmente em sua forma institucionalizada, é essencial para a organização e funcionamento das sociedades humanas.

É por meio das boas políticas públicas que se transforma a sociedade nas várias áreas. Por essa razão, a gestão pública atua para fazer escolhas em benefício de uma população – escolhas que precisam estar amparadas nas melhores evidências e no melhor uso dos recursos disponíveis.

Diante disso, quanto mais a técnica e a política andarem de mãos dadas, melhores serão os resultados. Toda gestão, seja federal, estadual ou municipal, necessita dessa sincronia para estabelecer suas prioridades e cumprir seu plano de governo de acordo com as necessidades da população.

Muitas ações, principalmente as mais complexas, precisam cumprir um longo caminho dentro da máquina pública até virarem realidade, num cenário em que as demandas serão sempre maiores do que os recursos disponíveis para realizá-las todas.

Por isso, é preciso estabelecer prioridades com base em critérios de impacto das ações e sua sustentabilidade futura. No mundo atual não há mais espaço para desperdício de tempo e recursos, sejam eles quais forem.

As instituições públicas, portanto, precisam se adequar a um modelo de administração focada a oferecer serviços de qualidade, com resposta eficaz e eficiente às necessidades do cidadão, incluindo a boa gestão dos recursos.

Sem política, um projeto não avança

Sem que a “política” abrace uma ideia ou projeto e se engaje ativamente nesse processo, promovendo os convencimentos e consensos necessários, nenhuma ação avança.

Convém notar que usei o adjetivo “boa”, tanto para qualificar a política quanto a técnica. Isso faz muita diferença.

A má política, que opera apenas em benefício próprio corroendo o bem comum, precisa ser combatida, sob pena de os espaços serem ocupados pela retórica vazia.

A má técnica, por sua vez, pode causar estragos ou, no mínimo, desperdícios, que na administração pública devem ser evitados.

Bons resultados na gestão pública demandam competência e propósito. Quanto mais gente for consciente disso melhor para todos.

Márcia Huçulak

A política e a técnica devem andar juntas para que a população seja beneficiada
Divulgação/Alep

Como secretária de Saúde de Curitiba (2017/2022), liderou o enfrentamento da pandemia de covid-19 na capital – trabalho reconhecido nacionalmente. Formada em Enfermagem pela PUC-PR, tem mestrado em Planejamento de Saúde pela Universidade de Londres (Inglaterra) e especialização em Saúde Pública pela Fiocruz. Elegeu-se deputada estadual em 2022 pelo PSD, sendo a mulher mais bem votada do estado e a mais votada (entre homens e mulheres) de Curitiba. Encontre a Márcia Huçulak nas redes: site
www.marciahuculak.com.br; Instagram: @marciahuculak; Facebook: Márcia Huculak. Telefone gabinete: (41) 3350-4223.

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Ilustração: Canva

(*) O conteúdo das colunas não reflete, necessariamente, a opinião do O LONDRINENSE.

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