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Os caminhos para melhorar ações para pessoas idosas

Por Márcia Huçulak

O trabalho na vida pública nos ensina que não existe solução simples para problema complexo e a resolução necessita sempre conhecimento do assunto, planejamento, recursos e ação.

Aprendi, vivi e apliquei esse mantra ao longo de mais de 35 anos atuando no serviço público.

Agora, tenho buscado expandir essa linha atuação para meu trabalho legislativo, um ambiente naturalmente mais inclinado ao debate.

Discussões qualitativamente relevantes geram novas oportunidades e propostas de ação, que devem ser levadas aos administradores públicos e para a sociedade civil (conselhos, associações etc), além de gerar melhorias na legislação.

A evolução do bem comum depende disso.

Na última quinta-feira (16/05) realizamos na Assembleia Legislativa do Paraná a audiência pública “Longevidade e Desafios para as Políticas Públicas”.

É um tema dos mais relevantes, que já abordei neste espaço por ocasião da divulgação do último Censo, quando foi demonstrando de maneira cristalina o crescimento da população com 65 anos ou mais.

Os dados mostraram em detalhes um cenário que quem trabalha na linha de frente da saúde havia percebido com antecedência, na medida em que diariamente se observa aumento de atendimentos na rede de saúde. Por isso, em meu tempo de gestora de saúde, implementamos uma série de ações para esse público.

O grupo de especialistas reunidos no encontro desta quinta-feira proporcionou uma visão ampla (e muitas vezes inovadora) do assunto, com informações e análises muitíssimo relevantes, além de mostrar claramente os desafios que precisam ser enfrentados com rapidez.

José Augusto Callado Afonso e Julio Takeshi Suzuki, respectivamente, presidente e diretor de pesquisa do Ipardes, levaram dados pormenorizados dos levantamentos demográficos, projetando cenários futuros e dando subsídios preciosos às ações.

O grupo de pessoas com 60 anos ou mais reúne atualmente 1,9 milhão de pessoas no Paraná (17% do total). A projeção do Ipardes é de que chegue a 3,8 milhões em 2050 – ou 30% da população. A estrutura etária do estado é mais envelhecida do que a média do país.

Como destacou Suzuki, imagine uma crise como a pandemia de covid-19, com um volume tão maior de população vulnerável a ser atendida.

O médico Marcos Cabrera, presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, seção PR, por sua vez, apresentou uma visão muito rica do ciclo de percepção do tema envelhecimento na sociedade.

Aquilo que – quando a sociedade se atentou para o tema – começou com uma noção de que pessoa idosa é sinônimo de doença, incapacidade e problema, felizmente evoluiu – ainda que haja ainda muito a melhorar.

Doutor Marcos disse muito bem: sim, pessoas idosas terão problemas (de saúde, autonomia etc), mas eles são facilmente identificáveis e podem ser trabalhados. Mas há uma série de benefícios advindos com a idade: pessoas mais resilientes e sensíveis, com mais conhecimento acumulado e cada vez mais ativas social e economicamente – o que é importantíssimo para a saúde mental.

Mais autonomia e crescimento pessoal para pessoas idosas

Já a coordenadora de pessoa idosa da Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba, Ivete Berkembrock destacou a importância da sociedade perceber as pessoas idosas como protagonistas de suas trajetórias.

E como se faz isso? Ela aponta: proporcionando mais autonomia e crescimento pessoal, com mais aceitação (e, portanto, menos preconceito), encontrando um propósito de vida e vínculos afetivos.

Célia Bim, diretora de projetos do Ippuc (Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba), mostrou exemplos muito positivos de políticas públicas de uma cidade acolhedora – o que se reverte em grande benefício para as pessoas idosas e por extensão a todas as faixas.

Como ela bem destacou: “Os idosos precisam se sentir inseridos na cidade, não à margem dela”.

Calçadas em boas condições para mobilidade (o que incentiva a sair de casa), ambientes urbanos amigáveis, facilidades para o transporte, entre muitas outras ações, fazem parte do cardápio que precisa estar presente nas cidades.

A apresentação de Larissa Marsolik alertou para o preocupante número de denúncias de maus tratos contra pessoas idosas. Ela coordena a área na secretaria estadual da Mulher, Igualdade Racial e Pessoa Idosa. Apenas pelo Disque Idoso, chegaram quase 3 mil denúncias de violações em 2023 e até o final de abril de 2024 já foram 1.400.

Preconceitos e dificuldades causados pelo etarismo

Participante há muito tempo das discussões em prol do envelhecimento ativo e saudável, Urandir do Val, deu uma visão de quem vive os percalços dos preconceitos e dificuldades causadas pelo etarismo, contra o qual ele luta com muito bom humor e afinco. Mudar a visão das pessoas sobre o assunto é fundamental.

A necessidade de que as ações para pessoas idosas sejam inseridas nos orçamentos municipais, estaduais e federal foi destacada pelo presidente do Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa Idosa, Jorge Nei Neves. Nenhuma ação se sustenta sem o devido financiamento, lembrou ele. É um fato.

Juliano Gevaerd, superintendente da Secretária Municipal de Saúde de Curitiba, chamou atenção para a necessidade de promoção da saúde como forma de preparar as pessoas para o envelhecimento – mudando, por exemplo, hábitos (de alimentação, exercícios, sociabilidade etc).

Trata-se de uma missão que precisa começar cedo na vida, embora dê resultados a qualquer tempo em que seja incorporada ao dia a dia.

Como proponente deste encontro é muito gratificante ver a qualidade do debate e as inúmeras possibilidades de avanço trazidas à tona.

Não há como não se contagiar com o entusiasmo, conhecimento, experiência de quem trabalha com afinco numa área tão especial.

Vamos traduzir isso em ações em prol de cidades amigas dos idosos.

Márcia Huçulak

O envelhecimento da população requer políticas públicas mais eficazes, especialmente no preparo das cidades, famílias e sociedade. Tudo isso foi discutido na última quinta-feira (16/05), em audiência pública na Assembleia Legislativa
Divulgação/Alep

Como secretária de Saúde de Curitiba (2017/2022), liderou o enfrentamento da pandemia de covid-19 na capital – trabalho reconhecido nacionalmente. Formada em Enfermagem pela PUC-PR, tem mestrado em Planejamento de Saúde pela Universidade de Londres (Inglaterra) e especialização em Saúde Pública pela Fiocruz. Elegeu-se deputada estadual em 2022 pelo PSD, sendo a mulher mais bem votada do estado e a mais votada (entre homens e mulheres) de Curitiba. Encontre a Márcia Huçulak nas redes: site
www.marciahuculak.com.br; Instagram: @marciahuculak; Facebook: Márcia Huculak. Telefone gabinete: (41) 3350-4223.

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Ilustração: Canva

(*) O conteúdo das colunas não reflete, necessariamente, a opinião do O LONDRINENSE.

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