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Prefeito lança nova Cidade Tecnológica sem conseguir concluir a Cidade Industrial

CIL continua parada e novo projeto pode ter dificuldades em conseguir empresas para investir em terreno acidentado da Fazenda Refúgio

Telma Elorza

O LONDRINENSE

A Prefeitura de Londrina acaba de anunciar, via assessoria de imprensa, que será lançada nesta quarta-feira (15), na sede administrativa do Município, o projeto ‘Cidade Tecnológica de Londrina’ que será será instalada em uma área de 370 hectares, na antiga Fazenda Refúgio, pertencente hoje à Cohab-LD. O local conta com 60% de mata nativa, um corredor de biodiversidade, nascentes e fundo de vale que será “integrado em um futuro próximo com muita tecnologia, pesquisa e inovação. Para isso, devem poder se instalar no local empresas, startups, incubadoras, Institutos de Ensino Superior e de pesquisa científica, entre outras”. E cita exemplos de outras cidades que têm parques tecnológicos semelhantes.

Segundo o release, o projeto vem se somar ao Tecnocentro e ao Parque Tecnológico Francisco Sciarra, já instalados, em uma área geograficamente inversa. Aliás, lembrando que o Tecnocentro que não pertence mais ao Município, foi doado, no início do ano, à Companhia de Tecnologia e Desenvolvimento S.A. (CTD), pela lei municipal 13.337/2022, aprovada pela Câmara Municipal no afogadilho do final do ano passado. Tudo, lógico, depois que o Município fez um grande investimento no Tecnocentro.

No entanto, para o projeto da nova “Cidade Tecnológica”, ainda será preciso instaurar um  Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI), lançando um edital para contratar uma empresa que fará o estudo de viabilidade e o estudo técnico para o futuro parque tecnológico. “A empresa contratada avaliará o espaço e através desse estudo listará todas as ações que devem ser feitas pelo Município e quanto custarão essas implementações. Para tanto, a contratada deve ouvir as entidades envolvidas no projeto que, no caso, são a Prefeitura de Londrina, a Cohab-Ld, Sebrae, ACIL e empresas da área tecnológica”, diz o release. Depois disso é que a Cohab-Ld terá um Termo de Referência pronto para abrir um edital de Concorrência Pública para a seleção de um sócio no empreendimento, o que deve acontecer no início de 2023. “Assim, ela poderá propor uma Sociedade de Propósito Específico (SPE), com um investidor da iniciativa privada. Este último ficará responsável pelos investimentos e administração do parque”, completa o comunicado. 

Ou seja, pode ser que a Cidade Tecnológica nem saia do rascunho. Se a área não é indicada para construção de casas, por ter terreno irregular e muitas encostas, como diz a Cohab, será indicada para instalação de prédios, indústrias e universidades? Será que vão ter empresas privadas dispostas a investir muito dinheiro para adequar a área, que é conhecida há muito tempo como Pirambeira? Ou será que vai virar mais uma novela como o projeto da Cidade Industrial de Londrina (CIL), que continua parada?

Como foi publicado nessa matéria, em abril, atualmente a CIL não passa de uma placa e 47 alqueires abandonados. De acordo com a assessoria de imprensa, a Prefeitura ainda está em fase de atualização dos valores da obra e aprovação no governo do Estado para abrir um novo edital, para conclusão do projeto. Ou seja, pelo menos até quase o final do ano, nada de novo deve acontecer.

O LONDRINENSE não é contra a inovação e os investimentos que atraiam empresas para Londrina. Pelo contrário. O Município precisa urgentemente elaborar estratégias de atração dessas empresas para geração de empregos e renda que beneficiem os cidadãos. Mas será que não é melhor ter o “pé no chão” e investir dinheiro público em projetos que tragam resultados concretos a curto prazo? Não há outra área mais adequada para a Cidade Tecnológica? Talvez mais próximo do atual Parque Tecnológico? Aliás, como está a ocupação do Parque atualmente? A procura é tanta que é preciso abrir uma nova área?

Foto: Rodolfo Gaion/CMTU

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