Fiscalização dos pais é fundamental para evitar ataques às escolas, diz delegado-chefe

A Câmara Municipal de Londrina reuniu, na noite desta terça-feira (11/04/2023), representantes do Poder Público, de professores e trabalhadores da educação, instituições de ensino e forças de segurança para debater formas de aumentar a proteção nas escolas da cidade. Na foto Fernando Amarantino Ribeiro, delegado chefe da Polícia Civil em Londtina, Jacqueline Marçal Micali, secretária municipal de Assistência Social de Londrina, Tenente-coronel Jeferson Luís de Souza, comandante do 2º Comando Regional da Polícia Militar do Paraná, Tenente-coronel Nelson Villa Junior, comandante do 5° Batalhão de Polícia Militar do Paraná, Tenente Renan Rodrigues do Prado, comandante da 4ª Companhia do Batalhão de Patrulha Escolar Comunitária do Paraná, Pedro Ramos, secretário municipal de Defesa Social de Londrina, Maria Tereza Paschoal de Moraes, secretária municipal de Educação de Londrina, com os vereadores Flavia Cabral, Lenir de Assis, Mara Boca Aberta e Matheus Thun.

Reunião com autoridades de segurança e comunidade chamou a atenção sobre a complexidade do tema e ressaltou a importância da participação dos pais na prevenção. Pais cobraram medidas imediatas

O LONDRINENSE com assessoria

A reunião com a comunidade, representantes do Poder Público, professores e forças de segurança, organizada pela Câmara Municipal de Londrina (CML) na noite desta terça-feira (11), para debater formas de aumentar a proteção nas escolas da cidade, lotou a Sala de Sessões do Legislativo. O debate também foi transmitido pelos canais da CML no Facebook e Youtube, onde os vídeos continuam disponíveis.

Diversos participantes chamaram a atenção para a complexidade do tema, que precisa ser abordado sob diversos aspectos, não apenas sob o viés da segurança pública. “Sou professora há 25 anos e vi um movimento nas salas de aula que culminaram na violência que temos hoje. Hoje vamos começar esse projeto de trabalho coletivo para encontrarmos caminhos que perpassam pela saúde mental, pela segurança pública, pela família”, afirmou a vereadora Prof.ª Flávia Cabral (PTB), presidente da Comissão de Educação e que presidiu a reunião. Presente na reunião, a secretária municipal de Educação, Maria Tereza Paschoal de Moraes, afirmou que fake news enviadas pelo celular têm criado uma histeria coletiva e que é preciso equilíbrio ao tomar as decisões.

O comandante da 4ª Companhia do Batalhão de Patrulhamento Escolar Comunitária da Polícia Militar, tenente Renan Rodrigues do Prado, afirmou que está disponível na internet um curso on-line gratuito de segurança escolar, elaborado pelo batalhão para professores, funcionários, e diretores de escolas. “Há no curso diversas disciplinas, desde primeiros socorros até casos de ataques a escolas”, explicou. O curso pode ser acessado na Escola de Gestão do Paraná, uma plataforma do governo estadual que oferece cursos de educação a distância (clique aqui).

Prado, porém, ressaltou que é preciso o auxílio da família para evitar esses casos de violência. A preocupação foi compartilhada pelo delegado-chefe da Polícia Civil de Londrina, Fernando Amarantino Ribeiro, que também apresentou dados sobre o problema. “Nas diversas ocorrências de que participamos na semana passada junto com a Polícia Militar, cumprimos mandados de busca e apreensão em casas de adolescentes, apreendemos adolescentes que iam às redes sociais em situações em que identificamos um potencial lesivo. Mas nos chamou a atenção a ausência da fiscalização dos pais. Olhem a rede social do seu filho, falem com ele”, recomendou.

Segundo Ribeiro, nos Estados Unidos, o país com maior número de ataques desse tipo, foram 434 ataques a escolas em cinco anos. No Brasil, ocorreram 21 casos no mesmo período. “Nos ataques dos Estados Unidos, em 86% dos casos o agressor falou com ao menos uma pessoa [sobre a intenção de atacar a escola]. Além disso, 59% falaram com ao menos duas pessoas. Alguém ouviu e esse alguém é um colega de sala. Os dados também mostram que a grande maioria dos atacantes têm algum tipo de perturbação psicológica ligada principalmente de um sofrimento vindo da escola, o famoso bullying”, disse. “Não deixem apenas que a polícia seja a única proteção. É preciso prevenção”, complementou.

Medidas imediatas

Apesar da importância das medidas a médio e longo prazo, mães e estudantes presentes na reunião cobraram ações imediatas e prolongadas para restabelecer a sensação de segurança nas instituições de ensino. “Nos ataques que aconteceram, nenhum foi na entrada ou na saída de alunos, foram em momento de aula. Nós não precisamos de segurança no portão só na entrada e na saída, precisamos de segurança o tempo todo na escola, para dar segurança aos nossos filhos, professores e funcionários. […] As escolas estão precisando de alambrado, concertina, muro alto, segurança”, afirmou Eliete Tasca Lima, mãe de estudante de Londrina.

Presente na reunião, o tenente-coronel Nelson Villa Junior, comandante do 5° Batalhão de Polícia Militar do Paraná, afirmou que o policiamento ostensivo nas escolas, públicas e particulares, continuará a ser feito por tempo indeterminado. “Vamos prosseguir com presença de viaturas, sobretudo nos horários nos quais há maior fluxo de pessoas. Isso vai perdurar até o momento em que a sensação de segurança se restabeleça”, disse.

Já o tenente-coronel Pedro Ramos, secretário municipal de Defesa Social de Londrina, negou que agentes da Guarda Municipal deixarão as portas das escolas municipais e dos Centros Municipais de Educação Infantil nesta quarta-feira. “Amanhã teremos o mesmo modelo de segurança que tivemos ontem e hoje. As medidas que estão sendo tomadas são medidas de emergência, não significa que serão perenes. Mas a presença física da patrulha e dos guardas é a melhor medida neste momento para tranquilizar as pessoas que deixam seus filhos nas escolas”, afirmou.

De acordo com a secretária municipal de Educação de Londrina, Maria Tereza Paschoal de Moraes, há uma força-tarefa para identificar o que pode ser feito na arquitetura de cada unidade escolar para ampliar a segurança. Ela lembrou ainda que as escolas foram equipadas com o botão do pânico nos celulares, para acionamento da Guarda Municipal.

Foto: CML

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