Skip to content

Cuidado com o gato! Grupo de “gateiros” da UEL estuda felinos

População de gatos domésticos poderá superar a de cães em breve no Brasil

Agência UEL

O Departamento de Clínicas Veterinárias (CCA) da UEL possui um grupo de estudos voltado ao aperfeiçoamento dos conhecimentos sobre um animal doméstico que também pode ser considerado um dos melhores amigos do homem: o gato. Criado em fevereiro de 2021, o Grupo de Estudos em Felinos (Gefel) conta com mais de 100 alunos cadastrados, sendo um dos maiores da Universidade em número de participantes.

Numerosos, também, são os felinos nos lares brasileiros atualmente. Conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 24 milhões de gatos habitam as residências de todo o país, sendo muito difícil nos dias de hoje não conhecermos ao menos uma família que não conviva diariamente com as estripulias dos amáveis bichanos.

Coordenadora do Gefel, a professora do Departamento de Clínicas Veterinárias Carmen Lucia Scortecci Hilst lembra que a população de gatos domésticos poderá superar a de cães em breve no Brasil, conforme apontam pesquisas encomendadas por grandes redes de pet shop, algumas com instalações em Londrina.

De acordo com ela, o fenômeno encontra explicações em dois fatores complementares: a taxa de ocupação das famílias em apartamentos e o próprio comportamento dos felinos, mais independentes em comparação com os cachorros. “Como a população está indo mais para os apartamentos há uma tendência de isso acontecer e, normalmente, quem tem um gato acaba tendo mais de um também. Como o gato dá menos trabalho em apartamentos então isso é uma tendência, sim”, comenta.

Foi a partir do estreitamento da relação entre humanos, gatos e o mercado que começaram a surgir associações de veterinários e eventos específicos para o mundo dos felinos, até então tratados pela Medicina Veterinária de forma mais ampla. A principal entidade atualmente é a Academia Brasileira de Clínicos de Felinos (ABFEL), “que surge muito em função do trabalho da veterinária Heloísa Justen”, acrescenta Hilst. 

Grupo vem promovendo aulas, minicursos e palestras na UEL (Foto: Arquivo)

Na UEL, o movimento dos orgulhosos estudantes “gateiros” se materializou com a criação do Gefel, que nasceu com a procura de um pequeno grupo de alunas pelo apoio da professora. 

A ideia agradou bastante, conta Carmen, uma vez que a matriz curricular do curso ainda não aborda de forma específica os temas relacionados à saúde e ao manejo dos felinos. Ao mesmo tempo, o objetivo do grupo é tornar este conteúdo acessível também aos alunos dos anos iniciais, aumentando o engajamento nas atividades, conclui.

Organização

Contando com um perfil no Instagram para a divulgação de informações e eventos, o Grupo vem promovendo aulas, minicursos e palestras on-line com profissionais formados pela UEL e por outras instituições do país.

Divulgação.

Os encontros são realizados a cada duas semanas de forma remota e a ampla maioria dos temas tem relação com a saúde e o manejo dos gatos. No entanto, lembra a presidente do grupo, a estudante do 4º ano de Medicina Veterinária Larissa Bini, outros temas mais abrangentes também entram em pauta, seja nos encontros regulares ou nos eventos abertos às comunidades interna e externa da Universidade. “Tivemos uma palestra muito interessante com o médico veterinário formado na UEL Rafael Bernardes, cirurgião na universidade de Toulouse (França), sobre a atuação do médico veterinário no exterior. Foi importante porque a UEL possui um programa de intercâmbio”, destaca. O Programa de Pós-Graduação em Ciência Animal, que possui conceito 7 pela Capes, também aprofunda os laços dos estudantes e docentes da UEL com gateiros do mundo todo.

Desde 2021, o grupo realiza o simpósio Feliweekend, que objetiva aproximar estudantes, pesquisadores, docentes e o mercado pet. As duas primeiras edições foram realizadas de forma remota em decorrência da pandemia da Covid-19. A primeira edição, presencial, ocorreu no primeiro trimestre de 2023. “Foi um sucesso, tivemos participantes de Apucarana e Maringá e foram mais de 80 inscritos. Nas edições online foram, em média, 260 inscritos”, conta a vice-presidente do grupo, a estudante do 3º ano Maria Fernanda Frasson.

Equipe do Gefel. Grupo tenta suprir lacuna no curso, que ainda não aborda questões sobre a saúde e manejo dos felinos (Arquivo)

A programação do III Feliweekend contou com os seguintes temas: Reabilitação em felinos; Cardiomiopatia Hipertrófica Felina; Manejo de Felídeos, Gestão em Medicina Veterinária e Dor em Felinos. Este último assunto foi exposto pelo Doutor em Anestesiologia pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp) e docente do Departamento de Clínicas Veterinárias da UEL, Guilherme Schiess Cardoso, abordando o estado da arte, ou seja, o mapeamento de toda a produção acadêmica a respeito do tema.

Ao mesmo tempo, parte dos recursos arrecadados pela organização do evento foi destinada ao projeto de reforma e melhorias do gatil do Hospital Veterinário (HV-UEL).

Já os encontros regulares, remotos, também são bons momentos para a troca de experiências, relatos de estágios e a abordagem de temas referentes ao comportamento dos felinos. Neste sentido, os estudantes já debateram a importância do enriquecimento ambiental para gatos, que consiste na adoção de arranhadores, caixas de areia, prateleiras e nichos, entre outros equipamentos, que trazem sensações positivas aos bichanos. “Consiste na mimetização do ambiente e é importante para gastar energia”, lembra a estudante do 4º ano Arielle Silvério, responsável pela relação com as empresas apoiadoras do Gefel. 

Além dela, os alunos Rodrigo Augusto Silva Filho, do 4º ano, e Julliana Rodrigues, do 1º, também ocupam esta função. Completam o time de membros do Grupo os secretários Lara Alves de Campos (4º ano); Bianca Resende de Assis (4° ano); Renan Soares Teixeira (4º ano); a coordenação pedagógica formada por Giovanna Cristina Justino Santos Aoki (2° ano); Ana Beatriz Amorim Lima (3º ano); Valentina Martínez (4º ano); Igor Gabriel Benatti Alves (1º ano); e a equipe de marketing formada por Mayrim Ariana Pereira Muñoz (4° ano); Thaisa Junqueira Pinheiro (3° ano); e Caio Garcia Barbosa da Silva (3º ano).

Parceria

“O sentimento é de que a organização e a sintonia entre as pessoas não fazem com os problemas e os desafios sejam difíceis e isso é muito importante”, comemora o estudante Renan Soares Teixeira. Além dele, outros integrantes relatam que a experiência com o Grupo tem sido positiva para o desenvolvimento de uma série de aspectos importantes. 

Um destes pontos, destaca Arielle, é o próprio relacionamento com o mercado pet. “Foi por meio do grupo que estamos conseguindo trabalhar com as empresas e saber como tudo funciona, o desenvolvendo da parte comercial, esse lado que não vemos na faculdade. É muito bom trabalhar com contratos e marcas como a PremieR (ração); Ceva (empresa de medicamentos); Total Vet (distribuidora) e grupos que apoiam nossos eventos MSD (saúde animal) e Budo Pet (petiscos naturais)”, destaca. 

É com este espírito que parte do grupo vai a Foz do Iguaçu em novembro deste ano para expor a experiência do Grupo no Congresso Medvep Internacional de Medicina Felina (Comfel 2023). 

Compartilhar:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Designed using Magazine Hoot. Powered by WordPress.