Por professor Renato Munhoz

Água é um dos elementos fundantes de toda vida. A narrativa bíblica, por exemplo, tem início em Genesis e diz, no capítulo primeiro, que antes de toda criação “o espirito pairava sobre as águas”. Ou seja, antes de qualquer coisa existir, o que deu origem para toda a vida foi a água.

E não para por aí. Quando somos gerados na barriga de nossas mães, estamos dentro de uma bolsa de água. Nosso corpo é 70% água. E todo equilíbrio corporal passa pela hidratação corporal. Sem água corremos o risco de morrer.

Muitos animais, aves e diversas espécies migram milhares de quilômetros ao encontro da água. Para garantir a vida dos filhotes e poderem se preparar para os períodos mais secos.

A água pode ser gerada através da evaporação que promovem nossas chuvas, mas a água que conhecemos nas nossas torneiras tem sua origem no subsolo, antes de estarem nos rios, nos riachos, lagos, córregos. A própria água dos oceanos ou vieram de fissuras subterrâneas ou de atividades de evaporação ao longo de milhares de anos.

Mas afinal como temos tratado nossas águas?

Importante ressaltar que, dos elementos da natureza que tem sofrido com as questões de impactos ambientais gerados pela ação humana, a água é um dos mais vulneráveis. Pois é utilizada para o tratamento diretamente, descarte ou até mesmo sofre os impactos indiretos, quando os resíduos chegam até ela, mesmo não sendo direcionados a ela.

Segundo dados do Ministério do Meio Ambiente, 22% de toda água potável é utilizado na indústria e 70% na atividade agropecuária. Para além de todos os fatores climáticos que fazem com que algumas regiões do Brasil, por exemplo, o acesso a água potável seja dificultado, temos ainda uma “desigualdade hídrica”, produzida sobretudo pela ausência de saneamento básico no Brasil. Segundo dados do Ranking de Saneamento no Brasil, cerca de 50% da população brasileira ainda não tem acesso ao tratamento de esgoto. O acesso universal a água potável ainda não é uma realidade em muitas regiões do Brasil.

Fonte: Nova Escola

O não acesso a água potável puxa ainda outro ranking para cima: os das doenças causadas pela contaminação da água e do esgoto.

O desafio é para o cumprimento da agenda de 2030 da ONU (Organização das Nações Unidas), com os 17 objetivos do milênio. Com uma governança sincera e uma opção para que todos tenham acesso a água de qualidade e acesso ao saneamento básico.

Mais uma vez a sustentabilidade passa pela vontade daqueles que nos governam, mas passa também pela nossa participação e controle social. Acompanhando a aplicação dos objetivos, denunciando as instâncias de fiscalização todas as ações que agridem e matam nosso Meio Ambiente.

Somos corresponsáveis nas ações, mas também na fiscalização. 

Renato Eder Munhoz

Historiador e Teólogo, especialista em Educação Ambiental e Sustentabilidade. Coordenador de Projetos do COPATI (Consórcio de Proteção Ambiental do Rio Tibagi).

Foto: Pixabay

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