Godzilla vs. Kong, muita pancadaria e barulho

Estreou nesta semana no streaming HBO Max o blockbuster Godzilla vs. Kong, quarto filme do gorilão, ansiosamente aguardado pelos fãs. Em ordem cronológica temos; Godzilla (2014), Kong: A Ilha da Caveira (2017) e o incrível, quase shakespeareano, Godzilla II: Rei dos Monstros (2019).

Neste quarto filme, dirigido por Adam Wingard (O Hóspede – 2014), podemos considerar a trama por dois pontos de vista. Primeiro, se você gosta de ação, pancadaria e muito barulho, prepare a pipoca, escolha para qual monstrão vai torcer e divirta-se. As cenas de luta são ótimas e os efeitos especiais incríveis. Em sua direção, mr. Wingard cria cenas visualmente impactantes, uma pena não poder ver o filme nos cinemas.

Sob outros pontos de vista, quando consideramos os demais filmes sobre Kong e comparamos, o primeiro pensamento que vem é: pra quê tudo isso? E a resposta vem fácil, dindim no bolso. Não que isso seja ruim, afinal, estamos no capitalismo e isso é uma indústria de entretenimento. Mas com tanta riqueza criativa no mundo, tanta coisa a explorar, qual a necessidade de tamanho desgaste em cima de um personagem?

Outro ponto negativo é o mesmo de sempre, a insignificância humana frente à monumentalidade dos Kaiju. Os atores seguram as pontas como podem, mas o roteiro tenta ser inteligente e inovador, misturando tecnologia de ponta, mundos perdidos (que nos perdoe Jules Verne), telepatia, e uma infinidade de acessórios narrativos.

Quando consideramos os filmes japoneses sobre Kaiju, já sabemos com antecedência que o protagonista será o monstro e os humanos meros coadjuvantes. Mas Hollywood insiste em inverter os papéis e aí nem Alexander Skarsgard (Big Little Lies – 2017 a 2019), nem Millie Bobby Brown (Stranger Things – desde 2016) e nem Rebecca Hall (Atração Perigosa – 2010) conseguem brilhar em seus papéis. A função dos humaninhos em uma narrativa Kaiju seria a de fazer rir e não confundir.

Resumindo: não espere a poética visual do filme anterior ou a narrativa forte de A Ilha da Caveira. Mas Kong é legal e se você curte este tipo de filme, vai adorar. Divirta-se.

Marcelo Minka

Graduado em licenciatura em Artes Visuais, especialista em Mídias Interativas e mestre em Comunicação com concentração em Comunicação Visual. Atua como docente em disciplinas de Artes Visuais, Semiótica Visual, Antropologia Visual e Estética Visual. Cinéfilo nas horas vagas.

Foto: Divulgação

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