Giverny, o paraíso de Claude Monet

Por Chantal Manoncourt

Todos os anos, na primavera, o jardim de Claude Monet reabre com o aparecimento de prímulas, narcisos  e tulipas, seguidos de peônias, íris e rosas. A cada estação a decoração muda, constantemente embelezada com novas flores.

Claude Monet não era apenas um grande pintor, ele também era um jardineiro apaixonado. “Além da pintura e da jardinagem, não sirvo para nada, minha obra-prima mais bonita é meu jardim”, diz ele. Em 1890, sete anos após sua instalação em Giverny, na Normandia, sua pintura finalmente teve sucesso. A riqueza resultante permitiu-lhe comprar a sua casa e transformar a sua horta camponesa num mar de flores. Monet planta como pinta, por harmonias de cores onde cada pétala seria uma pincelada.

Atraído pela natureza, como todos os pintores da época, Monet não queria mais tirar o cavalete para pintar do lado de fora. A sua propriedade será o seu local de trabalho, uma fonte inesgotável de inspiração onde viveu durante 43 anos. O sol em uma gota d’água, a delicadeza de uma folha de grama, as ondulações da chuva na lagoa, Claude Monet quer capturar cada segundo dessa beleza efêmera. Para ele, a natureza é uma obra de arte e Giverny é o cenário onde ele monta o cenário para suas pinturas. “Ele começou a trabalhar ao ar livre, terminando suas pinturas dentro de casa”, explica seu bisneto.

Este interior que descobrimos com emoção ao entrar em sua casa rosa com persianas verdes. No piso térreo, o salão do estúdio, assim chamado hoje, mas que foi o seu primeiro estúdio; depois a sala de jantar, de um amarelo deslumbrante, banhada de luz, junto à cozinha toda azul, realçada por azulejos azuis e brancos. No andar de cima, o quarto do pintor, aberto ao jardim, manteve-se intacto e nas paredes estão obras da sua coleção pessoal onde se podem ver pinturas dos seus amigos, Caillebotte, Renoir, Cézanne, não esquecendo por toda a casa uma espantosa coleção de mais de duzentas gravuras japonesas.

Mas o pintor da água sonha com um rio e uma lagoa. Do outro lado da estrada que margeia seu domínio, adquiriu um prado úmido atravessado por um braço de rio e ali fez cavar uma lagoa. É lá que ele cultivou preciosas variedades de nenúfares rosa, amarelo, vermelho ou branco que pintará, incansavelmente, por quase trinta anos. Esta lagoa de Nenúfares se tornará o motivo das Grandes Decorações do Musée de l’Orangerie em Paris, a obra-prima definitiva dada à França por Monet.

Aberto até 1 de novembro 2022

Fotos © Maison et Jardin Claude Monet-Giverny

Chantal Manoncourt

Parisiense, arqueóloga e jornalista, apaixonada pelo Brasil, já escreveu vários livros sobre turismo brasileiro

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