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ESG: Moda ou um caminho sem volta?

Por Maurício Chiesa Carvalho

Desde a década de 1990, surgiu uma nova dimensão sobre a Responsabilidade Social: a que se concretiza com políticas, estratégias e ações cujo objetivo seja a contribuir para o Desenvolvimento Sustentável (DS).  A Responsabilidade Social já foi nomeada de diferentes maneiras, como Responsabilidade Socioambiental, Responsabilidade Social e Cidadania Empresarial, Responsabilidade Social Corporativa, Responsabilidade Social Empresarial, Responsabilidade nos Negócios, Responsabilidade Social e Sustentabilidade.

Não apenas a sociedade que é dinâmica, em permanente evolução e em estado contínuo de transformação. A “abordagem” de Responsabilidade Social também, estando diretamente ligada às aos desejos, anseios, necessidades e expectativas da sociedade, com o entendimento sobre causa-consequência neste ecossistema, de práticas, comportamentos, ações e interações de indivíduos, grupos, empresas e a sociedade como um todo.

A Siga ESG (Environmental, social, and corporate governance), traduzido do inglês,  governança ambiental, social e corporativa é uma abordagem para avaliar até que ponto uma corporação trabalha em prol de objetivos sociais que vão além do papel de uma corporação para maximizar os lucros em nome dos acionistas da corporação.

Assim, o ESG passa a ser não apenas o direcionamento, normas ou modas. Mas sim, o entendimento amplo, tomando como base o que se já existe, contudo, trazendo isso como VALOR. E valor não se negocia. O desenvolvimento sustentável é um conceito e um objetivo norteador amplamente aceito, que obteve reconhecimento internacional após a publicação, em 1987, do relatório Nosso Futuro Comum, da Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, da ONU.  O desenvolvimento sustentável refere-se a satisfazer as necessidades do presente dentro dos limites ecológicos do planeta sem comprometer a capacidade das futuras gerações de suprir suas próprias necessidades. Não como dissociar as três dimensões – econômica, social e ambiental que estão fortemente interligados e interdependentes.

“O propósito de uma organização é solucionar problemas da sociedade e não lucrar por produzir problemas para a sociedade”. (Prof. dr. Colin Mayer, Universidade de Oxford)

Assim, elementos como imagem e reputação da organização, preocupação com bem-estar de colaboradores e a importância como meio-ambiente passam a definir um novo escopo do termo ECOSSISTEMA. Se pegarmos o termo como aprendemos na educação básica, um ecossistema é um conjunto formado pelas interações entre componentes bióticos, como os organismos vivos: plantas, animais e micróbios, e os componentes abióticos, elementos químicos e físicos, como o ar, a água, o solo e minerais. Esse termo foi trazido para o universo dos negócios. O ecossistema de negócios trata-se de uma inovação nos modelos de gerenciamento empresarial, considerando toda a comunidade econômica que tem ligações com o trabalho realizado.

Mais recentemente, o Conselho Internacional de Negócios do Fórum Econômico Mundial (WEF-IBC) propôs outro conjunto de indicadores ESG universais. Eles foram publicados no relatório Measuring Stakeholder Capitalism. O documento traz 21 métricas básicas e 34 métricas expandidas baseadas em quatro pilares: Princípios de Governança, Pessoas, Planeta e Prosperidade. Métricas estas que foram desenvolvidas com o apoio dos 120 CEOs de todo o mundo que integram o WEF-IBC. O projeto também ouviu 200 players do mercado e foi elaborado com auxílio das quatro maiores auditorias do mundo (PwC, EY, KPMG e Deloitte).

A mudança de paradigma que vinha ocorrendo na esteira dos investimentos responsáveis e da implementação de práticas de ESG por empresas foi acelerada pela covid-19. Do ponto de vista da sociedade, certamente haverá um foco ainda maior no propósito das companhias. Do ponto de vista do mercado e da performance das empresas, evidências demonstram que fundos e ações de ESG se saíram melhor do que os investimentos com foco puramente financeiro. Esse novo cenário está levando os principais investidores do mundo a alocar uma parte maior dos seus recursos em ativos sustentáveis. Um artigo publicado pelo banco europeu Credit Suisse, no fim de maio, revelou que, desde meados de fevereiro deste ano, a maioria dos fundos ESG superou seus benchmarks, com os temas ESG e sustentabilidade atraindo fortes volumes de fundos.

As questões de ESG deixaram de ser tratadas apenas a nível do Estado, passando a incluir as corporações e, consequentemente, trazendo-as mais para o nosso dia a dia. O papel das corporações no contexto social mudou. Essa consciência, tanto corporativa como a que existe em cada um de nós, aumentou ainda mais com a experiência da Covid 19. A pandemia trouxe para a maioria das empresas e dos indivíduos um senso de emergência e vulnerabilidade muito forte e inédito. Também expôs fraturas sociais que não eram tão visíveis.

As estratégias de ESG nas empresas contribuem para uma imagem positiva perante a consumidores e investidores e, consequentemente, nos resultados financeiros das organizações. Por esse motivo, implementar políticas e práticas sustentáveis passou a ser uma regra de mercado. O impacto do ESG no ambiente empresarial é extremamente relevante do ponto de vista econômico, gerando benefícios tangíveis e intangíveis aos negócios.

Embora incorporar a sustentabilidade não seja uma tarefa simples, deixar de agir é um risco muito maior. Mudar para um caminho sustentável pode até implicar em um investimento de capital, mas, como demonstramos, há muitas evidências de que a redução do desperdício pode ter um impacto positivo substancial para o resultado final. Ainda que o poder público e os formuladores de políticas não sigam nessa direção, não há dúvida de que as forças lideradas pelo mercado e investidores responsáveis, que impulsionam esse movimento, continuarão ganhando força. Essas tendências são irreversíveis e de alcance global, e os governos podem apenas acelerá-las ou atrasá-las.

Foto: João Vanzo

Maurício Chiesa Carvalho

Administrador, Executivo de RH, psicanalista, consultor, docente e escritor. Conselheiro da Academia Europeia de Alta Gestão e um dos RHs mais Admirados do Brasil de 2021. Linkedin mauríciochiesacarvalho

Foto: Arte de Maurício Chiesa Carvalho

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