Por Fábio Luporini

Eu tenho certeza que você, ao andar por aí, à pé ou de carro, já deve ter se deparado com inúmeras pessoas em situação de rua empunhando cartazes nos semáforos pedindo ajuda, seja em dinheiro ou seja em forma de comida. Essa cena se multiplicou nos últimos dois anos, muito em função das consequências da pandemia do coronavírus, mas, também, da falta de atenção dispensada pelo Estado em relação às pessoas que necessitam de ajuda para saciar a fome. E qual é a responsabilidade de cada ente nessa questão?

Para Walter Benjamin, filósofo expoente da Escola de Frankfurt, a culpa é dos governantes. “Deus é quem nutre todos os homens, e o Estado é quem os reduz à fome.” Isso significa dizer que o Estado tem em suas mãos a capacidade de resolver o problema da fome, mas, não o faz. Simplesmente porque faz outras escolhas em vez de destinar recursos e energia para essa situação sensível. Quer um exemplo? O programa Alimenta Brasil tinha, em 2012, R$ 586 milhões para combater a fome. Em 2021, foram R$ 58, 9 milhões e, até maio de 2022, apenas R$ 89 mil.

Infelizmente, Walter Benjamin estava certo. Porque não é falta de recursos a culpa da queda dos investimentos. É falta de vergonha na cara, ao passo que os recursos destinados a emendas parlamentares ou a aliados políticos só aumenta e nunca falta. É uma questão de escolha política. Por outro lado, os recordes na produção de alimentos em nível mundial não se traduzem no equivalente ao combate à fome. Mahatma Gandhi já dizia que “cada dia a natureza produz o suficiente para nossa carência. Se cada um tomasse o que lhe fosse necessário, não haveria pobreza no mundo e ninguém morreria de fome”.

Sim, de fato. Todo o alimento produzido no mundo serviria para matar a fome de todas as pessoas que sofrem dessa situação. Entretanto, muito alimento se perde pelo caminho, é jogado fora no lixo ou “pertence” a algum dono, que o vende em vez de compartilha-lo. Ao que me parece, em vez de evoluirmos como sociedade, no pós-pandemia, andamos alguns passos para trás. Quando vamos encarar a fome como um verdadeiro problema social e buscaremos soluções reais para isso?

Fábio Luporini

Sou jornalista formado pela  Universidade Norte do Paraná e sociólogo formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) . Fui repórter, editor e chefe de redação no extinto Jornal de Londrina (JL), atuei como produtor na RPC (afiliada da TV Globo), fundei o também extinto Portal Duo e trabalho como assessor de imprensa e professor de Filosofia, Sociologia, História, Redação e Geopolítica, em Londrina.

Foto: VisualHunt

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1 comentário

  1. Estamos regredindo seriamente nas condições sociais..um atraso inadmissíevel Nosso politicos e toda a sociedade precisa estar atuante para primeiro socorrer essas pessoas desta tragédia e depois cuidade de buscar uma condição melhor para o país.. temos ai eleições.pensemos nisto…como chegamos a esse ponto?!?!

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