Yves Saint Laurent em museus

Por Chantal Manoncourt

Sessenta anos após seu primeiro desfile de alta costura, em 1962, a Fundação Yves Saint Laurent-Pierre Bergé homenageia o famoso designer e seu diálogo contínuo com o mundo da arte em seis museus parisienses.

Testemunha atenta de seu tempo, o costureiro contribuiu muito para aproximar a arte da alta costura. Familiarizado com os museus, nunca deixou de se inspirar nos artistas. O sentido de cor de Henri Matisse, a importância de desenhar com Pablo Picasso ou mesmo os motivos de Sonia Delaunay foram para ele tantos incentivos para reinventar a moda, suas linhas e suas cores.

Centro Pompidou

Em sua coleção outono-inverno 1965, ele apresentou vinte e cinco vestidos inspirados na obra de Piet Mondrian. A simplicidade do corte, a modernidade da linha e as cores são um verdadeiro sucesso, como este vestido exposto ao lado da pintura do artista. Esta coleção participou da redescoberta do artista holandês, então pouco conhecido na França e ignorado pelos museus até 1969. Cor sempre. Na década de 1960, não resistiu à Pop Art, expressão de sua juventude com um surpreendente casaco de pele de raposa verde inspirado na cor picante de La grande odalisque, pintura de Martial Raysse (1964).

Seguimos assim a forma como Saint Laurent se inspirou no sentido da cor de Matisse, pintor que ele apreciava e que ocupa um lugar central, como A blusa romena (1940) reinterpretada diretamente da pintura pintada em 1981, explicando que ele gosta de trajes folclóricos que atravessam os séculos sem sair de moda. Mais adiante um vestido vermelho inspirado em uma pintura extravagante de Sonia Delaunay contrastando com a simplicidade de uma criação em preto e branco

Museu Picasso

O artista era, para o costureiro, o gênio em sua forma mais pura. A ele dedicou duas coleções e as jaquetas Hommage à Picasso são apresentadas ao lado das obras que produziu, como a pintura deste pequeno corsário ao lado da jaqueta pintada, de surpreendente modernidade, para a coleção outono-inverno de 1979.

Museu de Arte Moderna

250 painéis compõem a famosa pintura “La Fée Électricité “( a fada eletricidade) de Raoul Dufy, produzida em 1937. A composição da obra bem como a mistura de cores vivas deram origem a três longos conjuntos noturnos em cetim onde os tons de verde esmeralda, bronze, rosa fúcsia, amarelo dourado ou mesmo verde absinto misturam-se maravilhosamente. Quanto ao Jardim de Pierre Bonnard (1936), a exuberância das cores pode ser encontrada em dois conjuntos de cintos, blusa e saia longa, em organza acetinada, traduzida em cores suaves e luminosas.

Museu do Louvre 

No Palácio dos Museus, a ênfase está nas artes decorativas, no gosto pela grande decoração e pela pompa. Algumas jaquetas de Yves Saint Laurent são verdadeiros adornos, obras de arte por direito próprio, como a de organza bordada a ouro e cristal de rocha (Primavera-Verão 1990) é um exemplo deslumbrante. Apresentados em vitrines, como um cenário real, esses casacos encontram seu lugar perfeitamente em ressonância na suntuosa galeria de Apolo. Não muito longe bate o coração vermelho e preto que o costureiro mandava ritualmente usar uma de suas musas no final dos desfiles. Um objeto fetiche em simples strass e cabochões de cristal que ele mesmo projetou, em 1962.

Museu Yves Saint Laurent

É toda a intimidade do costureiro que se revela em seu antigo estúdio de design com seus desenhos, algumas linhas de lápis desenhando uma silhueta como placas de moda. Muito apegado aos acessórios, ele também desenhou sapatos e chapéus cujas formas de madeira podem ser encontradas aqui. Bem protegido da luz, é aqui que admiramos o casaco luminoso inteiramente bordado com girassóis inspirados no famoso quadro de Van Gogh. Para finalizar a visita, um filme narra o seu percurso artístico ilustrado por um suntuoso desfile das suas criações mais emblemáticas. Assim vai o visitante de museu em museu, de espanto em maravilha descobrindo com emoção o universo do famoso costureiro que encantou milhares de mulheres.

Yves Saint Laurent – Foto: Jean Loup Sieff

Serviço: Exposição Yves Saint Laurent em museus até 15 de maio de 2022. No Museu Picasso, até 15 de abril de 2022

Foto: © Fondation Pierre Bergé-Yves Saint Laurent

Chantal Manoncourt

Parisiense, arqueóloga e jornalista, apaixonada pelo Brasil, já escreveu vários livros sobre turismo brasileiro

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