Especialista diz que desmatamento faz Brasil sofrer maior controle em exportação de produtos

Painel realizado, durante a ExpoLondrina, trouxe a consultora Marcela Paranhos, do IDH – The Sustaintable Trade Initiative

Telma Elorza

O LONDRINENSE

O setor madeireiro foi tema de debate, na quinta-feira (7), durante a ExpoLondrina. Realizado pela Klabin, com apoio de órgãos de pesquisa e extensão rural, o evento abordou os temas integração lavoura-floresta, mercados florestal, de crédito de carbono e de carbono neutro. Para falar especificamente sobre os últimos dois assuntos, esteve presente a consultora Marcela Paranhos, do IDH – The Sustaintable Trade Initiative, instituição que atua com comércio global sustentável. A IDH reúne mais de 600 empresas e governos para impulsionar novos modelos sustentáveis ​​de produção e comércio em economias emergentes, alcançando mais de 4 milhões de agricultores em 30 países. 

Marcela é especialista em sustentabilidade, mudança climática, gerenciamento de risco socioambiental e finanças sustentáveis com 14 anos de experiência no desenvolvimento de projetos de baixo carbono focados em financiamento climático, estratégias e políticas de descarbonização de setor, políticas de sustentabilidade corporativa e plataformas de avaliação de desempenho em questões materiais; e implementação de projetos e programas de mitigação de emissões de gases de efeito estufa (GEE).

Confira a entrevista que O LONDRINENSE fez com ela:

O LONDRINENSE – Como os produtos florestais brasileiros estão posicionados no mercado global de sustentáveis? O que precisa melhorar, para crescer nesse mercado?

Marcela Paranhos – Os produtos florestais brasileiros, assim como outras commodities, estão muito bem posicionados no mercado global no que tange a sustentabilidade e eficiência do padrão produtivo, especialmente em intensidade de carbono por tonelada de produto. O fator negativo que tem afetado essa relação é o desmatamento, especialmente nos biomas Amazônia e Cerrado, que acabam por requerer maiores controles da cadeia para produtos brasileiros a fim de comprovar que não são provenientes de áreas de conversão de vegetação nativa recente. Bons exemplos dessa pressão são as novas diretivas da União Europeia e do Reino Unido para desmatamento atrelado à cadeia de valor dos produtos comercializados nesses países.

OL- Mercado de Carbono é viável para o Brasil no momento? O que precisa ser feito nessa área no país?

Mercado de carbono é muito viável para o Brasil, um país de vasta extensão geográfica, com climas variados e muitas oportunidades nos setores agrícola, industrial e energias renováveis. Existe um projeto de lei em tramitação no governo federal para regulamentar esse mercado. No entanto, é importante ter em mente que um mercado é feito de oferta e demanda e, na prática, apenas os setores do lado da oferta puxam essa agenda. Precisamos combinar com quem vai pagar a conta no final. Um exemplo em funcionamento, é o RenovaBio e os CBios.

Nota do jornal O RenovaBio é uma política de Estado que reconhece o papel estratégico de todos os biocombustíveis (etanol, biodiesel, biometano, bioquerosene, segunda geração, entre outros) na matriz energética brasileira no que se refere à sua contribuição para a segurança energética, a previsibilidade do mercado e a mitigação de emissões dos gases causadores do efeito estufa no setor de combustíveis. CBIOs são créditos de descarbonização, um título emitido e que pode ser comercializado por produtores de biocombustíveis dentro do Renovabio. Um CBIO equivale a uma tonelada de carbono evitada na atmosfera.

OL -Pequenos produtores florestais têm condições de participar desse mercado? O que precisariam para se adequar?

MP – Pequenos produtores possuem plenas condições de participar desse mercado, e representam o público que mais precisa de apoio técnico e financeiro. Porém, muitas vezes, individualmente, esses produtores não possuem escala para viabilizar um projeto de carbono, por isso precisam se agrupar para viabilizar os custos de um projeto e acessar o mercado de carbono.

Foto: Aron Mello

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