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Quando chega a hora de mudar de carreira

Planejamento é “arma” contra os medos e inseguranças de uma transição profissional

Vinícius Fonseca

Especial para O LONDRINENSE

Formar-se em um curso superior, ingressar no mercado de trabalho e conseguir se estabelecer nele, muitas vezes com certo sucesso. Esse é o sonho almejado por muitos profissionais. No entanto, há quem pense o contrário e, em um determinado momento da vida, resolve mudar de ares. Por prazer ou necessidade.

Trocar de carreira, porém, pode ser desafiador e exige preparo e coragem de quem opta por esse caminho. Ter uma boa reserva financeira, conhecer o mercado em que irá atuar e saber lidar com o medo das coisas darem errado são fatores preponderantes no momento de transição. “Muitas vezes, se não todas, quando tomamos uma decisão ficamos pensando se foi realmente a melhor”, argumenta Henrique Gambaro, professor de Adminitração com experiência na áreas de desenvolvimento humano e profissional. “Toda mudança deve vir com planejamento. Este medo sempre vai existir, mas podemos diminui-lo por meio de um bom planejamento profissional”, completa.

Quem está interessado em alcançar objetivos em uma nova área de atuação precisa ainda, de acordo com o professor, estar ciente da necessidade em aprender novas competências e habilidades que, talvez, até o momento não eram necessárias em seu dia a dia. A dica é buscar um aperfeiçoamento continuo e permanecer atento as tendências do mercado.

Gambaro alerta ainda para a atual instabilidade econômica vivida pelo País. Conforme ele, esse cenário costuma ser ruim para todos os profissionais, independente do momento que vivam em suas carreiras, o que exige de quem está em transição uma análise quanto as oportunidades ofertadas pela nova área de atuação. “Não podemos esquecer que a crise pode ser a mãe da oportunidade. Para a pessoa que decidiu a mudança é a hora de se aperfeiçoar e ir ao encontro com que o mercado está procurando”, pondera.

Quando mudar é necessário

Insatisfação profissional, desejo de aprender e fazer algo novo, o vislumbre de uma oportunidade de mercado, ou o simples sentimento de que um ciclo profissional se fechou. São muitos os motivos que podem levar uma pessoa a trocar de carreira.

Mariana em foto do Instagram: fazendo sucesso com seus biscoitos da Doce Malô

A jornalista Mariana Guerin ocupava um cargo de chefia em um veículo de comunicação de Londrina, já tinha acumulado anos na área quando resolveu deixar tudo para se dedicar à gastronomia. Apostou no empreendedorismo e hoje é proprietária da Doce Malô.

Ela conta que ainda atuava como jornalista quando começou a se interessar pelas receitas culinárias e a fazer cursos ligados à área, junto a uma sócia. “Criamos a Doce Malô como forma de praticar o que aprendemos nos cursos e também para ganhar um dinheiro extra”, explica.

As vendas, segundo ela, começaram a aumentar e, como já não se sentia feliz atuando como jornalista, a mudança foi inevitável. “Decidi mudar quando percebi que já tinha alcançado muitas conquistas com o jornalismo e queria fazer algo diferente, que me estimulasse. Sempre gostei de culinária e me encontrei na confeitaria”, relata.

O processo de transição de Mariana começou em 2015, mas só há cerca de dois anos, quando a sociedade se desfez, foi que ela decidiu seguir com o negócio, mesmo diante dos desafios, produzindo em casa e vendendo com o auxílio das redes sociais. De lá pra cá, empreendedorismo, gastronomia e principalmente, a confeitaria passaram a ser temas recorrentes de seus estudos, assim como o desenvolvimento de novas competências e responsabilidades.    

Atualmente com qualificação e experiência em duas áreas diferentes, a jornalista e confeiteira diz se sentir tranquila caso surja a necessidade de procurar um novo emprego, mas não esconde que quem está interessado em mudar de área precisa lidar diariamente com os desafios que surgirão. “Lembro todo dia que o negócio ainda está em construção. Eu queria uma vida diferente, com mais tempo para fazer outras coisas que não só trabalhar. E essa é a maior mudança. Ter menos dinheiro e mais tempo. Aprender a conviver com essa escolha diariamente”, afirma.

Por situação semelhante passou a esteticista Rebecca Mendes que, antes de se encontrar no ramo da beleza, se formou e atuou na área do Direito. A mudança se deu inicialmente pela curiosidade que tinha pelo tema, mas se consolidou com o passar do tempo.

No seu Instagram, Rebecca diz para escolher um trabalho que ama

Ela relata que como a sua área inicial costuma ser vista com “bons olhos” pela sociedade, acabou tendo que encarar alguma resistência por parte de pessoas que não entendiam o motivo de uma mudança tão drástica. O que também foi superado com muito trabalho. “A família olhou com cara de espanto, não vou mentir. O apoio veio de todos, mas a dúvida quanto ao futuro profissional da caçula dos netos de dona Rosa era evidente”, recorda.

Hoje, bem estabelecida no mercado e com cada vez mais perspectivas, Rebecca já planeja estender seus conhecimentos à sala de aula ao iniciar uma carreira paralela como professora em um futuro próximo. Do direito restam ainda as amigas que se tornaram clientes. “Os clientes do escritório não mantive mais contato, já as amigas da faculdade viraram clientes do ateliê e estão comigo até hoje. Afinal quem não quer ter uma amiga maquiadora que possa discutir um caso complicado durante o seu atendimento né?”, brinca.

Mais que sucesso… trabalho

Arriscar-se a deixar uma carreira bem-sucedida ou com boas perspectivas e se aventurar em um novo mercado. Viver com o “frio na barriga” e os desafios de ser o dono do seu próprio negócio e ainda alcançar realização pessoal e profissional. Essa é a realidade diária tanto de Mariana em sua confeitaria, quanto de Rebecca em seu ateliê de beleza.

Além de muito estudo e preparo para a transição, ambas garantem que suas antigas profissões ajudam muito na nova etapa de suas vidas. “Me ajuda no tratamento de cada cliente, a eloquência, a facilidade na fala e em explicar a cada uma o procedimento que estou realizando, o passo a passo, assim como no direito tínhamos a disciplina e organização, trago comigo essas qualidades”, diz Rebecca. “Ser jornalista me ajuda na comunicação com os clientes. Me ajuda a entender o mercado, a fazer as contas fecharem, a promover os produtos”, relata Mariana

Mesclar os conhecimentos existentes, seguir se aprimorando e investir no novo negócio exige muito trabalho, mas ambas afirmam que todo o esforço é retribuído não só com ganhos financeiros, mas também com realização pessoal e profissional. Para quem, assim como elas, deseja mudar de áreas as dicas são ter coragem para se arriscar, enfrentar os medos que surgirão quanto ao possível fracasso na nova área e trabalhar muito para alcançar resultados.

Dicas para uma transição profissional

– Conheça o mercado no qual quer atuar;

-Busque aprimorar seus conhecimentos;

– Toda mudança traz uma sensação de insegurança. Tenha coragem;

– Faça uma reserva financeira antes de iniciar a transição.

Foto: Visual Hunt

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