Hoje vamos falar um pouco sobre a complexidade de entender os valores cobrados pelas seguradoras no seguro de automóvel.
É fato que a melhor forma de proteger seu automóvel é fazendo um seguro, mas quando solicitamos uma cotação, iniciam as dúvidas e questionamentos pelos valores apresentados.
Os termos também mencionados pelo mercado de seguro e corretores contribuem para que as dúvidas aumentem, principalmente aos que desconhecem ou nunca contrataram um seguro. Termos como vigência, prêmio, endosso, franquia, apólice, sinistro, entre outros podem realmente confudir.
De forma resumida, prêmio é o valor a ser pago pelo seguro, vigência é a data que inicia a cobertura até seu fim, apólice é o nome que se dá ao contrato com a seguradora, endosso é toda e qualquer alteração que seja feita durante a vigência da apólice e sinistro que é nome para o acontecimento ou acidente.
Os atuários são os profissionais responsáveis por estabelecer os cálculos. Eles são especialistas em matemática estatística, que age no mercado na promoção de pesquisas e estabelecimento de planos e políticas de investimentos e amortização, no cálculo de probabilidades de eventos, na avaliação de riscos, fixação de prêmios, indenizações entre outros.
Alguns dos principais fatores que são levados em consideração pelos atuários que, para ficar mais fácil entendimento, defino em cinco fatores:
Modelo do Veículo: Neste quesito será analisado índices de roubo deste modelo considerando região, Ano e Fabricação. Ao contrário do que muitos pensam, um veículo mais antigo pode ter um custo de reparação para seguradora muito maior, seja por dificuldade de encontrar peças genuínas, ou pelo valor dessas peças no mercado.
Um kit completo original de uma frente de um Jetta 2012 pode custar facilmente mais de R$ 20 mil reais, o que corresponde próximo a 50% do valor do veículo. Sendo assim, neste exemplo, um veículo que poderia facilmente estar próximo a margem de uma indenização integral, popularmente conhecida com as siglas “PT” que se referem a perda total. Também são levados em consideração a marca do veículo já que cada marca detém de sua credibilidade ligados a vários fatores como segurança, principalmente.
Guarda do Veículo: Por exemplo, quais os cuidados com veículo quando não está sendo guiado? Onde fica estacionado? Na rua ou em garagem? É utilizado para ir a faculdade? Nesse caso, o índice de roubo e colisão nas imediações pode ser maiores, entre outros fatores.
Perfil do condutor: Estes dados são os maiores desafios hoje do mercado segurador. A maior dificuldade dos atuários é mensurar dados de perfil do condutor. Afinal, ser jovem não quer dizer que seja descuidado. A idade não é uma regra e, sim, uma tendência. Os demais não podem pagar pelo histórico de poucos, isso é o que o mercado de seguro tem buscado desenvolver para melhorar a precificação. A tecnologia tem contribuído muito com esse cenário. Hoje, aplicativos já medem por telemetria a forma de condução e até geram descontos na contratação do seguro pela forma de conduta no trânsito.
Utilização do veículo: Este item envolve desde a finalidade de uso, como particular ou profissional, a questões como buscar identificar qual a frequência de dependência do veículo. Quanto maior a dependência, maior é a exposição, mais suscetíveis a riscos. Por isso, hoje, algumas seguradoras perguntam até a quilometragem utilizada por mês, entre outros.
Por último e não menos importante está o fator frequência, onde os atuários irão através dos estudos realizados aplicar a cada um destes pontos a frequência e índices combinados, inclusive os elevados índices de fraudes e ações judiciais.
Estes são os principais fatores de precificação, mas é preciso ainda incluir as despesas administrativas que são grandes, investimentos para controle de regulação e fraudes, e contratos de resseguro que garantem as indenizações, além do imposto de IOF de 7,38% sobre o valor precificado.
Lembre-se: omitir informações para tentar manipular a precificação da seguradora é considerado ato grave e pode gerar negativas na hora de indenizar. Seguro só com especialista corretor de seguros!
Foto: Pixabay
Heber Bieniek

Formado em Administração de Empresas, experiência profissional de mais de cinco anos no mercado europeu. Profissional de seguros a mais de 12 anos atuando com gestão de seguros massificados e corporativos na área comercial nas Cias, Bradesco Seguros, Yasuda/Marítima seguros (hoje Sompo Seguros ) e Generali Brasil Seguros. Atualmente consultor no segmento securitário na Open Line Brasil Seguros e Consórcios.
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