Skip to content

Compra à vista ou a prazo, eis a questão

Sabe aquela propaganda que diz assim, “Oportunidade única, leve sua TV no valor à vista, pagando em até 10 vezes sem juros”. Essa mensagem nos lembra alguma coisa? Sim, é muito mais comum do imaginamos, pois trata-se das boas estratégias de vendas. Aí você pensa: “Que legal!! Vou levar um produto para casa no valor à vista parcelado em 10 vezes, já que a prestação cabe no meu bolso e não tenho esse valor para pagamento à vista”.

Antes mesmo de pensarmos na melhor opção da oferta, se compensa comprar uma TV que custa R$ 1.000,00 à vista ou em 10 vezes de R$ 100,00 sem juros, é quase que intuitivo imaginar que é o mais vantajoso é pagar a prazo. E um raciocínio adequado e correto do ponto de vista financeiro. Considerando as melhores das intenções de consumo, o fato é que há um assunto que é necessário esclarecer, sem entrar no mérito se é correto ou ético a forma da forma como é propagado a oferta nesse formato de anúncio.

Existe, nesse caso, uma “armadilha” financeira por trás dessa oferta, porque induz o ato de pensar financeiramente que é a melhor vantagem na compra a prazo como facilidade de pagamento, quando a melhor resposta é tentar descobrir qual a taxa de juros embutidas. E qual deveria ser a correta comunicação da oferta mais adequada? E, por fim, qual deveria a melhor forma de comprar, se à vista ou a prazo?

É natural pensar que, ao não ter o valor disponível é preferível levar a TV para casa do que esperar 10 meses para ter esse dinheiro na mão, que leva um grande tempo. Mas é fundamental destacar que, nessa análise financeira, importa dizer que os mesmos R$ 100,00 que hoje seria a primeira parcela não é o mesmo valor que são os R$ 100,00 da décima parcela. Qual a resposta para essa argumentação? É que, nesse período, existe o que já conhecemos como taxa de inflação que desvaloriza o dinheiro ao longo do tempo.

Na abordagem financeira, o pagamento à vista obrigatoriamente precisa haver algum tipo de desconto (qualquer que seja o valor), e é possível provar matematicamente isso. Digamos que você tenha esse valor para pagamento à vista, os mesmo R$ 1.000,00, e faça opção de pagar em 10 parcelas. Aí, com esse dinheiro em mãos, aplica na poupança que hoje deve render em torno de 0,35% ao mês para sacar em 10 parcelas iguais. Feitos os cálculos, receberá estimados R$ 102,00 por mês. Isto é, garantiria o pagamento da primeira parcela de R$ 100,00 e sobraria R$ 2,00 e assim por diante até a última parcela. No final do pagamento da décima parcela, sobraria cerca de R$ 20,00. Você pode pensar: “ah… o valor é baixo”. Mas se pensarmos em valores como mil, dez, vinte ou cem mil reais, certamente irá refletir melhor.

Para finalizar, além de ser um boa estratégia de vendas das empresas como citado, o que está acontecendo é que as empresas entregam um produto mediante um empréstimo no qual a sua dívida normalmente fica junto a uma financeira do grupo, já que a empresa que vendeu recebe esse valor à vista. Então, podemos deduzir que é uma modelo disfarçado de empréstimo mediante a entrega de um bem e isso, talvez muitos não percebam, pois acabam sendo uma venda a prazo forçada.

Dessa forma, fica a dica e vale ficar atento, quanto aos juros anunciados pelas empresas no qual são obrigados a publicar em seus anúncios. Da mesma maneira, se tiver esse valor para comprar à vista, pechinche, não há nenhum problema, ou vá até outra loja para comparar os preços. Certamente ganhará bons descontos.

Sabendo disso, podemos melhor analisar se compensa comprar à vista ou a prazo sem juros.

Cláudio Chiusoli

Economista formado pela UEL, pós-doutor em Gestão Urbana pela PUCPR, doutor em Administração pela Universidade de São Paulo (FEA/USP), mestre em administração pela Universidade Norte do Parana, aperfeiçoamento em gestão na Drexel University – Pensilvânia, Estados Unidos; e com pós-graduação em maçonologia: história e filosofia, estatística, comportamento organizacional e marketing. Autor dos livros: Sistema de Informação de Marketing (SIM): Ferramenta de Apoio com Aplicações à Gestão Empresarial – Editora Altas (2010); Estudos em Administração com Enfoque em Pesquisas Quantitativas, Editora Apprehendere (2018); Cidades e Informações inteligentes para os cidadãos, Editora Appris (2019). Mande sua sugestão ou dúvidas para prof.claudio.unicentro@gmail.com

Compartilhar:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Designed using Magazine Hoot. Powered by WordPress.