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Seu dia a dia: entenda a inflação

Procuro, nesta coluna, desmistificar e esclarecer sobre a inflação. Acredito que esse não é somente assunto para economistas e pautas nas notícias econômicas. É preciso entender o que acontece para saber como somos afetados. Outrora, o Brasil vivenciou um processo inflacionário e foi a partir da implantação do plano real (1994) que houve a tão sonhada estabilização da inflação, ou seja, dos preços.

Certamente, você já deve ter pensado e provavelmente é dúvida de muitos cidadãos: Por que a inflação oficial do governo não é a mesma inflação verificada nos produtos vendidos nos supermercados da cidade? Pois é, o governo anuncia uma inflação oficial de Abril/19 em 0,57% e, normalmente, verificamos que os preços dos produtos nos supermercados aumentam muito mais que isso.

Já percebeu como, de repente, o preço do tomate, da batata e outros produtos passam de R$ 3,00 o quilo para R$ 9,00, de um dia para outro? Como assim? Claro, como consumidor sentimos o peso do aumento, mas isso tem uma explicação: é que o grupo alimentação é mais suscetível às variações climáticas, como seca, inverno, chuva. Um outro fator que pode influenciar no aumento dos preços, ainda como exemplo, é uma greve como a dos caminheiros.

No caso dos alimentos, trata-se de um conceito chamado de inflação estrutural, da mesma forma a greve dos caminheiros é associada ao conceito de inflação de custo, pois a pouca oferta dos produtos faz com que os preços aumentem, a exemplo dos legumes e produtos hortifrutigranjeiros e assim por aí vai.

Para isso destaco que existem algumas denominações de inflação que procuram explicar sua causa e qual é a mais comum no dia a dia, cujas expressões mais conhecidas de inflação são:
1) Inflação de demanda: é causada pelo aumento do consumo. Exemplo: a demanda é maior que oferta de produtos de serviços.
2) Inflação de custo: é causada pelo aumento das preços das matérias primas. Exemplo: aumento da energia e aumento da gasolina que encarece o custo do frete.
3) Inflação monetária: é causada pelo excesso de dinheiro circulando na economia. Exemplo: com acesso ao crédito, o cidadão tende a comprar mais.
4) Inflação estrutural: é causada por eventos climáticos e os preços dos produtos se elevam decorrente da diminuição da oferta. Exemplo: excesso de chuva, forte seca, inverno rigoroso.
5) Inflação inercial: é causado pelo efeito ação e reação. Exemplo: o sindicato negocia aumento dos salários, o governo aumenta os impostos, tarifas e, a partir desse momento, os empresários repassam esse aumento dos custos aos preços (conhecida como indexação da economia).

Se já perceberam, por definição a inflação é quando há elevação de preços que ocorre sempre quando falta algum produto ou mesmo quando o consumo supera a capacidade de produção de um determinado produto ou serviço.]

De quem é a responsabilidade pelo cálculo da inflação e qual o indicador oficial? É realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) desde 1979, conhecido como IPCA (indicador oficial do Governo Federal). O IPCA é utilizado para verificar se os preços estão dentro das metas de inflação estabelecidas pelo Banco Central. Assim, serve também de indicador para reajuste de contratos, empréstimos, financiamento e remuneração. Ela aglutina 9 tipos de gastos considerando seus respectivos pesos. Mas note que somente as 3 primeiras categorias representam quase 60% do índice da inflação (peso 6), que são: 1) Alimentação e Bebidas (23,1%); 2) Transportes (20,5%); 3) Habitação (14,6%); 4) Saúde e cuidados pessoais (11,1%); 5) Despesas Pessoais (10%); 6) Vestuário (6,7%); 7) Comunicação (5%); 8) Artigos de Residência (4,7%) e 9) Educação (4,4%).

É isso, fica aí mais uma dica da nossa leitura da economia do dia a dia… boa semana.

Foto: Pixabay

Cláudio Chiusoli

Economista formado pela UEL, pós-doutor em Gestão Urbana pela PUCPR, doutor em Administração pela Universidade de São Paulo (FEA/USP), mestre em administração pela Universidade Norte do Parana, aperfeiçoamento em gestão na Drexel University – Pensilvânia, Estados Unidos; e com pós-graduação em maçonologia: história e filosofia, estatística, comportamento organizacional e marketing. Autor dos livros: Sistema de Informação de Marketing (SIM): Ferramenta de Apoio com Aplicações à Gestão Empresarial – Editora Altas (2010); Estudos em Administração com Enfoque em Pesquisas Quantitativas, Editora Apprehendere (2018); Cidades e Informações inteligentes para os cidadãos, Editora Appris (2019). Mande sua sugestão ou dúvidas para prof.claudio.unicentro@gmail.com

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