É preciso voltar a caminhar para frente, não para trás

Por Fábio Luporini

As últimas semanas viram, em evidência, polêmicas em torno de apologias ao nazismo, o que é crime no Brasil e, também, na Alemanha, de onde vieram essas ideologias. As discussões em torno dos fato me deixaram preocupado, porque há uma tentativa sórdida de relativizar o mérito da questão e compará-lo a outros tipos de pensamento, como o comunismo. Numa sociedade carente de conhecimento e que prioriza o “tio do zap” em vez da ciência, isso se torna algo muito perigoso e, infelizmente, reflexo do pensamento de muitas pessoas por aí.

Em primeiro lugar, não se pode relativizar o nazismo. Quem defende a ideologia, quem defende a criação de partido político nazista ou qualquer outro tipo de manifestação, deve ser punido com o rigor da lei. A impunidade abre espaço para que se cometam outros crimes desse tipo. E nós vimos, no Brasil, gente defender partido político, gente fazer gesto nazista e até tatuagem de suástica. Só nas últimas duas semanas. Essas pessoas precisam ser julgadas e punidas.

Em segundo lugar, não se pode cair na ingenuidade de comparação entre nazismo e comunismo. Isso porque a primeira teoria defende a morte de pessoas ou de grupos, como judeus, negros e homossexuais. A segunda, não. E, só por isso, não se pode colocar as duas no mesmo balaio. “Ah, mas regimes comunistas mataram pessoas”, dizem alguns que insistem nessa comparação. É verdade, mas não foi algo apregoado pela ideologia. Além disso, regimes totalitários como as ditaduras de direita no Brasil e na América Latina também mataram muitas pessoas e não vejo esses pseudointelectuais demonizando-as. Isso é relativizar. E isso não pode.

Então, é preciso ser firme e tomar cuidado para que esse tipo de relativização não tome conta, pouco a pouco, invadindo o pensamento social. Corre-se o risco de se permitir a repetição de erros históricos e da volta de ideologias homicidas. É fundamental acabar, de uma vez por todas, com tentativas de imposição de ideias de morte e segregadoras. O Brasil já permitiu viver um retrocesso sem precedentes. Está na hora de voltar aos trilhos e caminhar para frente, não para trás.

Fábio Luporini

Sou jornalista formado pela  Universidade Norte do Paraná e sociólogo formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) . Fui repórter, editor e chefe de redação no extinto Jornal de Londrina (JL), atuei como produtor na RPC (afiliada da TV Globo), fundei o também extinto Portal Duo e trabalho como assessor de imprensa e professor de Filosofia, Sociologia, História, Redação e Geopolítica, em Londrina.

Foto: Auschwitz/Pixabay

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