Diário de Resistência: Cavaleiros do Apocalipse

Por Angela Diana

Conversando com a minha mãe sobre a Rússia e Ucrânia, lembramos dos 4 Cavaleiros do Apocalipse (Morte, Fome, Guerra e a Peste)… Alguém duvida que estamos em pleno “apocalipse”? Esse tema já surgiu em várias obras de vários artistas e, de tempos em tempos, vale a pena relembrar o “porquê” disso.

Para começo de conversa, a Bíblia, que foi traduzida do Hebraico, aramaico e grego, já foi digamos, “refeita” várias vezes! Inclusive em dois concílios da igreja (isso séculos atrás), foram retirados alguns livros que não tinham o autor, então eram considerados apócrifos. (Vale a pena ler esses apócrifos, aliás a “historia” de uma guerra dos anjos no céu e a queda de Lucifer, foram tiradas desses ditos apócrifos).

Foto: Reprodução da internet

Se juntarmos tudo, a Bíblia nos dá um eterno manancial de símbolos, histórias, sabedorias de povos antigos e muita coisa para se pintar! Claro que aqui não é um espaço para discutirmos religião, pois assim como a Bíblia é pra os cristãos, existem outros livros tão sagrados quanto, como o Alcorão, o Torah , o Livro dos Espíritos e assim por diante… Se formos realmente inteligentes, deveríamos, ao menos uma vez na vida, tentar ler todos eles! Se isso for possível! Todos guardam conhecimento sobre nossas histórias e evoluções, inclusive alguns dão certos nós na mente, o que não deixa de ser muito interessante!

Foto: Reprodução da Internet

Na idade média, chamada também de  época das sombras, quando poucas pessoas sabiam ler, os monges transcreviam partes dos livros e ainda desenhavam nas bordas, isso se chamava “iluminuras”. Imaginem aqueles mosteiros de pedras, geladíssimos no inverno, e aqueles monges, únicos detentores do conhecimento, lendo, traduzindo e ainda desenhando com folhas de ouro, em livros que hoje são considerados raríssimos… Frio, parcos recursos, nada de luz elétrica…Aliás!!! Pessoalmente acredito que muitas lendas de monstros surgiram pela falta da luz em épocas muito escuras do ano (quem nunca imaginou monstros embaixo da cama ou teve medo de andar no escuro, levante a mão!).

Imaginem também como foi o surgimento da primeira prensa, facilitando a produção dos livros e, com isso, muito mais pessoas tiveram que aprender a ler! Não só facilitou a leitura, mas também nas artes a gravura! E a gravura nos próximos séculos, virou inclusive obras de protesto, como as xilos (gravuras em que a base é a madeira) na segunda guerra mundial.

Hieróglifos – Foto: Reprodução da Internet

Como sempre digo “a arte muda o ser  humano e o ser humano muda o mundo”…A própria escrita já é um desenho, ou vários desenhos! Melhor exemplo: os hieróglifos egípcios, aonde lendo consegue usar os dois lados do cérebro! Escrita e arte, leitura e arte, uma não anda sem a outra…Duas formas de expressão importantíssimas para o ser humano…

Pena que, por  mais evolução que pensamos ter, esses milhões de conhecimentos são jogados no lixo, quando um déspota enlouquecido decide guerrear com outro país como se a guerra fosse um jogo de tabuleiro! Os dadaístas  já colocavam essa questão na pauta, na época da grande guerra: “o que adianta ser bem educado, sofisticado, humano, se na guerra irmão briga com irmão, vizinho com vizinho, para suprir o ego e os interesses de velhos esqueletos ambulantes sedentos de poder e de sangue!(Logo menos explico o movimento dadaísta para vocês!).

Que a arte nos ajude a resistir! E, hoje nossos pensamentos para o povo da Ucrânia, e para o mundo….E lembrem -se de ajudar o jornal através do catarse.me/olondrinense

Angela Diana

Sou londrinense e me dedico à arte desde 1986 quando pisei pela primeira vez no atelier de Leticia Marquez. Fui co-fundadora da Oficina de Arte, em parceria com Mira Benvenuto e atuo nas áreas de pintura, escultura, desenho e orientação de artes para adolescentes e adultos.

Foto: Os quatro cavaleiros do Apocalipse, obra de Albrecht Düres

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