Diário de Quarentena: O que é mais importante?


Não costumo fazer o “diário” toda a semana… Para quem segue a coluna, vocês veem que sempre acabo intercalando com algumas das séries, mas hoje não teve como deixar de compartilhar uma experiência para quem é um “colecionador”. A Ana Paula, da coluna EM ALTA, já escreveu sobre o que é um colecionador e inclusive trabalhamos para que as pessoas que gostam de acessórios tenham essa consciência e possam realmente ter peças interessantes.

“Angela! Afinal de contas o que isso tem a ver com arte?” Para começo de conversar, o princípio de toda coleção é o mesmo: primeiro o emocional e depois o valor! E como “valor”, entra quem é o artista, se tem uma produção constante, se está vivo ou já morreu, qual a importância monetária da obra dele no comércio das artes, entre outras “cositas mas”!

Foto: Pixabay

Lembram que eu sempre falo que existe sempre um artista por trás da maioria das coisas do dia a dia? Por exemplo, se você for aficionado em design, com certeza conhece os irmãos Campana… Pois bem, se além de conhecer e de gostar, puder adquirir peças deles, daí já começa uma coleção! Só que tudo na vida tem dois lados né?

Existe também um problema seríssimo na nossa sociedade consumista, que é o acúmulo! A pessoa que acumula também é uma colecionadora, mas diferente de ter um discernimento do que ela está “colecionando”, o problema é sério e precisa de ajuda de psiquiatras e terapia.

Como artista acabamos acumulando também. A diferença básica é que o artista está sempre criando, transformando e se teve uma coisa que aprendi nos 20 anos dando aulas de processo de criação é que NUNCA dá certo acumular para criar algo depois. Se você não tem um ritmo com o trabalho criativo, uma rotina, é apenas um “acumulador”. E se vocês não sabem, assim como os furacões, isso também tem níveis.

Foto: Pixabay

O nível 5 é quando a pessoa já  acumulou tanto que podem tirar caminhões de lixo da casa, e a pessoa guarda absolutamente tudo! Ela não discerne mais nada! Um papel de bala vai ter o mesmo valor emocional de uma jóia de ouro. Conseguem perceber a diferença?

Temos a maravilhosa Efigênia Rolim, que vai ser o tema da coluna que vem,que transforma qualquer reciclado em historias e objetos! É isso que o artista faz! O acumulador é um “colecionador as avessas”!

E como lidar com as coleções? Para quem realmente começa uma coleção, seja de camisetas ou obras de arte? Primeiro o que você mais gostar, o que faz seu coração bater mais forte, o valor emocional (Vocês sabiam que hoje em dia existe até o conceito na arquitetura da decoração afetiva?).

Depois o valor monetário! A peça ou a obra é boa tecnicamente, tem um design significativo? Já vi programas de TV de pessoas que tem coleções de brinquedos antigos, gibis, Barbies, bottons, calçados, quadros do Picasso, bolsas Chanel, chapéus, acessórios…Tantas possibilidades!

E importante: a manutenção de tudo isso, para uma coleção séria é necessário manter em ordem, organizar por ano em alguns casos e ter uma forma bacana de mostrar!

A dica é colocar todas num mesmo lugar, estante, nichos, paredes… Mas, não existe regras fixas, se der prazer estético, já esta tudo certo!

Foto: Pixabay

Muita gente me disse que nessa pandemia sua forma de consumo mudou… Acho válido, mas não chegue ao extremo de se livrar de coleções que tem significados afetivos. Consumir menos é ótimo, faz bem para o planeta, mas o bom dos colecionadores sérios é que eles acabam também guardando memórias e fatos, como o colecionador de brinquedos que citei! 

E eu!? Bom, até já falei por aqui, mas tenho um sério caso de colecionar canecas, anjos, latas! Só que fiz uma triagem nessa pandemia, colecionar só para ter quantidade não vale! Hoje tenho apenas o que realmente são importantes para mim! Não tenha medo de descartar, existe o pessoal das cooperativas de reciclagem que consegue descartar da forma certa!

E roupas, sapatos e acessórios? Troque com as amigas, doem para os bazares da igreja e do Hospital do Câncer, não tenha medo de tirar fora o que não faz mais sentido e isso vale para tudo! (Lógico que para grandes obras de arte , eles também são grandes investimentos, assim como peças de designers e jóias).

Foto: Reprodução da internet

E vários outros tipos de coleções entram nisso, como roupas, vinis, brinquedos, livros… Uma infinidade de objetos bacanérrimos que ainda podem ser um investimento para lá de divertidos!

Para quem é colecionador, nada de dor na consciência. Apenas tenha discernimento. E para quem perceber que apenas acumula pra suprir vazios existenciais, o grande lance é buscar ajuda! Infelizmente esse é um mal do nosso tempo consumista! Coleções bacanas, sim! Acúmulo, não! 

Vocês são acumuladores ou colecionadores?

Carpe diem! Pax vobiscum para todo mundo! 

Angela Diana

Foto: Ana Paula Barcellos

Sou londrinense e me dedico à arte desde 1986 quando pisei pela primeira vez no atelier de Leticia Marquez. Fui co-fundadora da Oficina de Arte, em parceria com Mira Benvenuto e atuo nas áreas de pintura, escultura, desenho e orientação de artes para adolescentes e adultos.

Foto: Pixabay

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