Diário de Quarentena: “Eu desenho o sol que a chuva apagou”…

Hoje, depois de muito tempo, ouvi essa música do Legião Urbana (uma das minhas bandas favoritas!) e, não por acaso, se chama “GIZ”. Renato Russo e a banda também lançaram outra música que fala muito bem de como um artista pensa ou vê o mundo: “ACRILIC ON CANVAS”. Música, assim como perfume, ou cores, trazem tantas memorias…

Automaticamente me lembrei de todos os quadros que pintei ou desenhei ouvindo a Legião Urbana, no toca discos (3 em 1 ou no walkman!) E até já falei sobre isso, música mais pintura, mais dança, mais teatro, tudo junto e misturado. Como era bom o vazio existencial ser preenchido por palavras e ritmos que expressavam exatamente o que eu queria pintar!

Foto: Acervo pessoal

Madrugadas londrinenses, daquelas que sempre falo que em determinadas épocas do ano tem cheiro de flor (como agora!). Começo de setembro tem cheiro de orquídeas, damas da noite, junto com uma alegria melancólica… Aliás, fazer o programa na rádio, o DNA ROCK PARANA, me fez perceber uma característica de nós, pés vermelhos; muito interessante: temos uma grande tendência para a melancolia, principalmente todos próximos menos ou mais da minha idade, que viveram noites do Vilão Bar, Kalahari, Coração Melão, Gato Kery e seus lanches maravilhosos, Valentino, (o da casa de madeira), a Casa do Vinho… Nossa, tantos lugares!

Foto: Acervo pessoal

E essa melancolia também existe em muitas obras de pintura e desenho! Outra coisa: os tons de verde e azuis que temos por aqui, árvores , céu azul de inverno…E muita poesia! Poesia com artes visuais, poesia e música… Se vocês não concordarem tudo bem, pessoal! Aqui é uma opinião muito pessoal, mas tomei a consciência de que gostava demais da Legião, exatamente por causa do clima melancólico que combinava tão bem com as madrugadas que eu passava pintando.

E que, para dizer a verdade, quando trabalho melhor é quando vem uma melancolia… Afinal , se estamos felizes demais, nada incomoda… Se estamos deprimidos demais, é extremamente difícil ter energia que a pintura, desenho ou escultura requer.

Foto: Acervo pessoal

Por outro lado, quanto mais vivemos a arte, mais aprendemos a trabalhar com o mínimo de condições e sob uma estressante pressão, seja de prazos, de boletos vencidos , de querer um material e não poder comprar, de sempre ter a sensação de estarmos “começando”! Muitos artistas sentem isso na “pele”…

Mas “nunca deixem que lhe digam que não vale a pena acreditar no sonho que se tem” e o maior poder de um artista: Ele “pode” “desenhar o sol que a chuva apagou”! Basta um caco de tijolo ou um carvão e um pedaço de calçada!

Pax vobiscum!

Angela Diana

Foto: Ana Paula Barcellos

Sou londrinense e me dedico à arte desde 1986 quando pisei pela primeira vez no atelier de Leticia Marquez. Fui co-fundadora da Oficina de Arte, em parceria com Mira Benvenuto e atuo nas áreas de pintura, escultura, desenho e orientação de artes para adolescentes e adultos.

Foto: Acervo pessoal

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