De supérfluo a essencial: Luminoctecnia está cada vez mais presente nos projetos residenciais

Muito além de iluminar, as lâmpadas complementam a linguagem arquitetônica e fazem toda a diferença na hora de compor os ambientes

O LONDRINENSE com Assessoria

Projeto de luminotécnica e lighting designer: uma tendência e um profissional que, até então, podem ser pouco conhecidos do público em geral, mas que fazem toda a diferença na hora de compor um ambiente. Com uma função que, além da beleza,  também garante funcionalidade e eficiência, a luminotecnia é um estudo que proporciona melhor luminância e aproveitamento de um local. Além de clarear o ambiente, a iluminação passa a ser decorativa e funcional, servindo para valorizar móveis, promover amplitude ao ambiente, garantir o conforto visual, acuidade, aconchego, bem-estar e estímulos sensoriais. Em outras palavras, as lâmpadas são multifuncionais. 

O projeto luminotécnico é essencial para planejar corretamente a harmonização e decoração dos ambientes residenciais, corporativos e comerciais. “O estudo das luzes evita que o ambiente fique iluminado em excesso ou com pouca iluminação. Com um lighting designer, conseguimos ter melhor aproveitamento do ambiente. Vale lembrar que, assim como a luz, a sombra também é muito valiosa. Com esse jogo de luz e sombra, podemos valorizar objetos, indicar caminhos, atrair o olhar. É fascinante como um bom projeto de luminotecnia pode ser um dos elementos mais importantes da arquitetura e decoração”, explica a arquiteta do Grupo A.Yoshii, Andressa Bassinelli. Além da estética, a luminotécnica auxilia na eficiência energética das lâmpadas, garantindo menos desperdício.

Luz quente, fria, direta, indireta e difusa. O que são?

São muitas as dúvidas quanto aos tipos de lâmpadas e formas de iluminação. A luz quente é aquela que apresenta temperatura de cor mais amarelada, enquanto a luz fria tem temperatura de cor mais branca. Todavia, vale destacar que essas luzes não têm nenhuma relação com temperatura de calor e frio, são apenas sensações visuais. “As temperaturas de cor mais quentes são a 2400K e a 2700K. A neutra tem 3000K e as consideradas frias são acima 4000K. Esses tipos de luzes não têm relação com proporcionar mais ou menos luz em um ambiente, tampouco sua durabilidade. As diferenças de valores das lâmpadas têm relação com a qualidade da fonte luminosa. Não é a potência que determina se uma lâmpada é forte ou fraca, mas sim o fluxo luminoso e o IRC (índice de reprodução de cores). Esta é a medida de correspondência entre a cor real do objeto versus a sua aparência diante da luz. Uma lâmpada com bom IRC é aquela que garante que o olho humano vai perceber as cores reais, assemelhando-se à luz natural do dia”, explica Andressa. 

No que diz respeito à incidência de luz, a iluminação direta é aquela calculada para incidir diretamente nos objetos. Sua melhor utilização é em ambientes que necessitam de acuidade visual, como  espaços de estudo e de trabalho. “Podemos usar a luz direta de forma decorativa como, por exemplo, para destacar uma obra de arte”, complementa. 

A luz indireta, por sua vez, requer uma superfície que promova o rebatimento do fluxo luminoso, garantindo que a luz do ambiente seja fornecida indiretamente. Essa iluminação é mais intimista, garante conforto visual e é indicada para ambientes que não exijam muita percepção visual. Por fim, a iluminação difusa é aquela, na qual a fonte de luz está centralizada no teto do ambiente, garantindo uma iluminação uniforme e ampla. 

Aplicações para ambientes residenciais  

Em um escritório corporativo ou home office, é possível utilizar a luz direta e indireta, dependendo, principalmente, da qual atividade que é realizada naquele ambiente. “Se o usuário trabalha no computador, a luz indireta é ideal por ser mais confortável, evita o ofuscamento e não produz sombra. Mas, se a atividade é manual e de precisão, é imprescindível acrescentar a iluminação de tarefa, como é chamada. Em outras palavras, a luz que incide diretamente sobre o plano de trabalho”, explica Andressa. 

Em ambientes de repouso como quarto e sala de TV, a iluminação de baixa intensidade é ideal. Para esses locais, sugerem-se luzes indiretas ou difusas. “É possível aproveitar elementos como arandelas e abajures que promovem esse aconchego”, complementa a arquiteta. Ainda, é possível em um mesmo ambiente utilizar dois tipos de iluminação distintas. O closet, por exemplo, precisa ter uma luz mais intensa com excelente IRC. 

No coração da casa, a cozinha, o raciocínio é o mesmo do escritório. As bancadas de trabalho e manuseio são pontos de tarefa e devem ser iluminadas com lâmpadas de maior intensidade que não projetam sombra. “A qualidade da luz é muito importante e não tem relação com a cor. Isso é pessoal e selecionamos de acordo com a preferência do morador. Há quem goste da luz mais branca, e quem goste da luz amarelada. Precisamos sempre avaliar a potência da lâmpada no que diz respeito à reprodução de cores e ao fluxo luminoso. Isso que dita a eficiência do projeto”, explica Andressa. Cabe destacar que as residências têm sido cada vez mais integradas, com sala e cozinha amplas dividindo o mesmo espaço. Nestes casos, indica-se a mesma temperatura de cor para todo o ambiente. 

Outro espaço de relevância para luminotecnia são os banheiros que, hoje, exercem algumas funções. Comumente, o banheiro tem fontes de luzes diferentes umas das outras, pois é necessário analisar cada área e tarefa do ambiente. “No espelho, é comum os usuários se maquiarem e barbearem. Nesse ponto, precisamos de uma luz geral indireta ou difusa de cima para baixo e uma luz difusa de frente”, explica. Já no chuveiro ou banheira, uma luz suave para tranquilizar é mais indicada. “Vale lembrar ainda que precisamos pensar na luz noturna que não agrida os olhos quando vamos ao banheiro no meio da noite. Neste caso, indico um balizador ou um ponto de luz bem posicionado, suficientes para não causar desconforto visual”, complementa a arquiteta.

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