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Filme “O Homem Crocodilo” tem pré-estreia no Espaço Villa Rica neste sábado (4)

Dirigido por Rodrigo Grota, longa mistura elementos de documentário e ficção para abordar o processo criativo do compositor londrinense Arrigo Barnabé; produção contou com apoio da Prefeitura

O LONDRINENSE com assessoria

Uma viagem pelo inconsciente do compositor londrinense Arrigo Barnabé, abordando suas múltiplas facetas artísticas e seu processo criativo em um misto de documentário e ficção. Essa é a proposta de “O Homem Crocodilo”, longa-metragem dirigido por Rodrigo Grota que terá sua pré-estreia neste sábado (4), às 19h30. O filme será exibido no Espaço Villa Rica (Rua Piauí, 211, próximo à Concha Acústica), e os ingressos podem ser adquiridos on-line (clique aqui) ou na bilheteria do local.

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Realizada pela produtora londrinense Kinopus, entre 2019 e 2023, a obra consiste em um filme-ensaio composto por fragmentos da história de um homem que desapareceu no norte do Paraná há cerca de 50 anos, e que teria se metamorfoseado em um crocodilo. Permeado pelo realismo fantástico, o longa busca rastros, no mundo contemporâneo, da existência desse indivíduo, cuja voz vem de um subterrâneo profundo e nos revela algo desconhecido sobre nós mesmos.

O diretor Rodrigo Grota explica que “O Homem Crocodilo” apresenta 32 variações inspiradas no imaginário de Barnabé, abordando a sua relação com diferentes linguagens artísticas como a música erudita, a cultura pop, os quadrinhos e o cinema. Além da atuação do compositor, o filme também conta com a participação da atriz Maíra Kodama e da bailarina Ariela Pauli, que representam diferentes personas do artista.

“O filme não deixa de ser um documentário, pois ele inclui depoimentos do Arrigo Barnabé falando sobre a sua formação musical, assim como a maneira pela qual ele vê a música e o mundo. Porém, ‘O Homem Crocodilo’ também é um filme ficcional, porque buscamos recriar aquilo que imaginamos que se passa na mente do Arrigo. É uma narrativa híbrida, com elementos de documentário e elementos de ficção”, afirma.

O Homem Crocodilo: Metaverso de Arrigo Barnabé

Grota salienta que teve a ideia de produzir o filme em 2005, enquanto realizava o documentário “Inimigo Público N 1”, média-metragem que também enfoca a obra do músico londrinense. Anteriormente, havia trabalhado com o compositor em seu primeiro filme, o curta “Londrina em Três Movimentos” (2004), cuja trilha sonora havia sido criada por Barnabé.

O Homem Crocodilo tem uma linguagem híbrida, misto de documentário e ficção, com 32 variações inspiradas no imaginário de Arrigo Barnabé
Divulgação

“Uma das dúvidas iniciais que eu tinha era se seria possível traduzir para a linguagem do cinema a estética do Arrigo, que contém elementos da música atonal, do serialismo musical e do dodecafonismo. A forma de encontrar um caminho para o filme foi adotar, no roteiro e na montagem, essa estrutura de 32 variações sobre o universo do Arrigo, em uma espécie de ‘metaverso do Arrigo Barnabé’”, frisa.

Conforme o cineasta, esse enfoque não ortodoxo se conecta à obra de Barnabé porque ela é aberta ao estranho, ao diferente e ao distante. “O Arrigo tem um processo criativo único, e possui uma obra muito vasta. Ele é um multiartista que cria músicas há mais de 50 anos, mas também atua em filmes, faz trilhas sonoras para o cinema e conta com uma produção literária e de roteiros de histórias em quadrinhos”, cita.

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O diretor aponta a importância de Arrigo Barnabé para a cultura londrinense e brasileira. Segundo ele, o compositor, nascido em 1951, representa a modernização cultural experimentada por Londrina desde os anos 50, quando a cidade deixou de ser um município provinciano e se tornou mais cosmopolita.

“Ele nasceu um ano depois que o Haruo Ohara, o principal fotógrafo de Londrina, se mudou da zona rural para o Centro e adotou uma nova linguagem visual. E um ano antes da inauguração do Cine Teatro Ouro Verde, projetado pelo Vilanova Artigas, um dos ícones da arquitetura modernista. O Arrigo mistura a música erudita e a cultura popular de forma muito singular e autêntica, e fez uma das últimas revoluções na música brasileira com o álbum ‘Clara Crocodilo’. Ele tem uma importância seminal porque cria o conceito do sertanejo lisérgico, uma obra ligada a um contexto rural, provinciano, mas que ao mesmo tempo tem essa psicodelia e uma linguagem um pouco mais fragmentada e hipnótica, representando as contradições de Londrina”, sublinha.

Destacando a forte ligação da obra musical de Arrigo Barnabé com o cinema, Grota conta que teve seu primeiro contato com o trabalho do artista londrinense em 1997. Naquela ocasião, ele assistiu na TV Cultura ao filme “Nem tudo é verdade”, de Rogério Sganzerla, em que Barnabé interpreta o personagem do cineasta Orson Welles.

“Eu vi a atuação do Arrigo e achei fantástica, porque ele criava expressões faciais e vozes diferentes, e fiquei intrigado. Naquela época eu não tinha acesso à internet, mas meu amigo Fábio Cavazotti, hoje secretário municipal de Gestão Pública de Londrina, gostava da música do Arrigo, e me apresentou o ‘Clara Crocodilo’ em fita cassete. Eu achei maravilhoso e fiquei impressionado porque nunca tinha ouvido nada parecido. Fiquei com aquilo na cabeça e fui atrás do CD”, lembra.

Imagem extraída de O Homem Crocodilo. Foto: divulgação

Realização – “O Homem Crocodilo” teve patrocínio do Governo do Estado do Paraná, através do Edital de Arranjos Regionais, realizado em parceria com o Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) e Agência Nacional do Cinema (Ancine).

O filme também inclui imagens inéditas oriundas de produções anteriores realizadas pela produtora Kinopus com patrocínio da Prefeitura de Londrina, por meio do Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic). Além disso, também foram utilizados na produção da obra equipamentos disponibilizados pela Prefeitura, através do Núcleo de Produção Digital de Londrina (NPD).

Grota se diz muito feliz por poder exibir o filme pela primeira vez no Espaço Villa Rica, cinema de rua tradicional em Londrina, e que vem privilegiando filmes que não são mostrados no circuito comercial desde sua reabertura, em 2022.

“Tenho uma relação forte com o Villa Rica desde que me mudei para Londrina, nos anos 90, e vi muitos filmes memoráveis nele. Hoje, o Villa Rica é um espaço privilegiado e multilinguagem, que oferece diversos eventos além dos filmes, como palestras, cursos, debates e shows de música e de ópera, tornando-se um ponto de encontro de artistas e de outros públicos. É um grande presente ter um local como esse na cidade e uma grande alegria para nós podermos estrear lá”, conclui.

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