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ADEUS, BETH, SAMBISTA DE MARCA MAIOR!!

O Brasil despede-se de Beth Carvalho. A grande senhora do Samba fez apresentação histórica ao cantar deitada, no ano passado

Antônio Mariano Júnior

Equipe O Londrinense

Estava correndo os olhos em notícias on-line quando… Aquela foto!!! Ampliei a imagem na tela do aparelho celular, com os dedos. Para melhor visualizar Beth Carvalho. Que, no dia 1º de setembro do ano passado, no Rio de Janeiro, fez um show em que cantou deitada, numa cama.

Ou num chaise longue, sofá-cama alocado no palco, como definiu a Sambista, cuja trajetória pessoal e artística foi abreviada nesta terça-feira (30), aos 72 anos.  Aquela foto… Doeu, inicialmente, confesso, ver a “performance” da grande Senhora do Samba.

Em seguida, afaguei a face da senhora Sambista, cuja humanidade foi exposta no show Beth Carvalho encontra Fundo de Quintal – 40 anos de pé no chão.Havia carinho nos dedos deslizados na tela do aparelho celular; amor tátil. Havia serenidade na face de Beth Carvalho, durante o exercício de sua arte.

Beth Carvalho, ou Elizabeth Santos Leal de Carvalho (05.05.1946/ 30.04.2019), gostava de ser apresentada como Sambista. Emplacou sucessos, sim. Vendagens impressionantes nas décadas de 1970 e 1980. No entanto, nunca se deslumbrou com as facilidades do mercado fonográfico.  

Beth em números: 54 anos de carreira, quase 40 discos, prêmios. Beth, a madrinha do samba: lançou e abençoou o grupo Fundo de Quintal, de onde vieram Zeca Pagodinho, Arlindo Cruz, Almir Guineto e Jorge Aragão, entre outros bambas.

 Foi ela, a Sambista Beth, quem convidou o Grupo Fundo de Quintal para participar do disco “Pé no Chão”, em 1978. Foi ela, a Sambista Beth, que cantou deitada no show em que celebrou um dos mais icônicos projetos musicais do Brasil.

Beth Popular Brasileira cantou o samba de sua terra; matriz vocal do Brasil do coqueiro que dá coco.  O Brasil que ainda samba perde uma grande referência; uma senhora Sambista que nunca mascou chicletes com banana.

E, no entanto, admirava o Samba de João Gilberto. Beth que tocava o cavaquinho presenteado por um certo Nelson.  Beth que ajoelhava-se para cantar as rosas oferecidas por Cartola. Beth que cantou “Coisinha do Pai” para “acordar” o robô-jipe Sojourner que, em 1997, enviou fotos de Marte à Nasa.

Beth Carvalho, que assim afirmou em entrevista, a mim concedida, em 1998. Caderno Folha2, da Folha de Londrina.

– O samba pra mim é um modo de vida. Samba é ideológico, político, social; é a crônica do dia-a-dia. Samba é vanguarda e, por isso, sou uma cantora de vanguarda. Não é fácil cantar samba; samba não é para qualquer um. Para mim é fácil porque tenho samba nas veias.

Palavras de uma Sambista. A mais interplanetária e mais sagrada de todas!

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