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O “Grande Irmão “ está solto

Um dos grandes assuntos da semana junto com a pandemia e a performance física do nosso presidente, foi o comportamento dos confinados dentro da casa do Big Brother. Gastei uma boa parte da meu tempo na frente da televisão, de camarote, assistindo famosos “tombarem” suas carreiras e um festival de horrores que indignou o país.

Pela segunda vez em suas 21 edições, o Big Brother Brasil reuniu famosos e desconhecidos na casa mais vigiada do Brasil, como diz a propaganda. Talvez de olho nos movimentos sociais do país, Boninho, o diretor, resolveu juntar um grupo de militantes. Só não previu que nenhuma militância resiste à um prêmio de 1,5 milhões de reais. Então o país tem assistido de camarote a um espetáculo de horrores, em horário nobre. É tanta falta de informação, amor e empatia, que nem vou entrar em detalhes.

Lembro que a primeira vez que vi o “reality” foi em 1999, em Portugal, país que estava em sua primeira edição do jogo. Na época, assistimos o programa pela televisão a cabo e acompanhamos a casa de três países: Suécia, Inglaterra e claro, Portugal. E a piada recorrente era que no da Suécia os participantes só queriam trepar, os da Inglaterra, beber e os portugueses, brigar. Ou seja, o programa refletia o comportamento típico de cada país. No Brasil, não seria diferente.

A história do Big Brother foi uma sacada de um holandês, criador de vários jogos de entretenimento, amplamente replicados na televisão brasileira. Ela começa em 1999, quando John de Mol, sócio da empresa Endemol, teve a ideia de criar um reality onde pessoas comuns seriam selecionadas para conviverem juntas dentro de uma mesma casa, vigiadas por câmeras, 24 horas por dia.

O nome do programa foi inspirado no nome de um personagem do livro “1984”, de George Orwell: Big Brother, ou O grande Irmão. No Brasil, o programa já tem 21 edições, as duas últimas misturando anônimos e famosos.

Para quem curte o reality, uma curiosidade: o contrato original com a Endemol era válido até 2008, porém, foi renovado até 2024. Portanto, teremos mais duas edições do programa garantidas.

Mas voltando a atual edição, pela primeira vez também estou acompanhando pelo streaming, com acesso ao programa 24 horas. Um verdadeiro estudo antropológico do momento em que vivemos.

Primeiro porque é uma incoerência tanta gente confinada quando o mundo inteiro também está. Em segundo, a constatação de que o povo anda abraçando e beijando mais do que muita gente aqui fora. Nessa edição, ao contrário das outras, acho que o “Grande Irmão” somos nós, em casa, vendo o mundo acabar sem poder fazer nada.

Raquel Santana

Já foi jornalista, acha que é fotógrafa, mas nesses tempos de Covid-19 ela só quer sombra e água fresca no aconchego do seu lar. Vendo seriados, óbvio!

Foto: GShow

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