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O céu das coisas perdidas

Uma das curiosidades dessa vida é saber aonde objetos como guarda-chuvas, meias e tampas de potes vão parar. Até mesmo dentro de casa. Quem nunca perdeu nada em espaços públicos como ônibus, metrô e rua, ainda não nasceu, como diria minha amada mãe. Na minha cabeça, deve ter um céu para onde vão todas as coisas perdidas. Normalmente é a sessão de achados e perdidos das empresas.


Nessa vida peregrina de jornalista, fui fazer, há muito tempo, um jornal interno para uma grande empresa de ônibus londrinense. E tive a ideia de ir conferir o que os passageiros esquecem nos ônibus. De bolsas e casacos até as coisas mais inusitadas, deu para fazer um tratado quase sociológico do ser humano. Mas a história mais bizarra de todas, narro a seguir.

Certa vez foi deixada uma mala no bagageiro do ônibus. Até aí, normal. O problema é que do zíper da mala, “escapavam “ alguns fios de cabelo. Alerta aceso, o pessoal dos achados e perdidos da empresa acionou a polícia, já que o objeto é particular e não pode ser aberto sem a presença de uma autoridade. Seria violação da bagagem.

Polícia chega e abre a dita cuja. E o que encontra? Um monte de brinquedos sexuais, roupas femininas, entre outros objeto nada convencionais. Como não havia nenhum cadáver, foi liberada para ser devolvida ao seu devido dono.

A surpresa ficou por conta do proprietário. Imagine qual não foi o espanto dos funcionários quando chegou ao balcão da sessão de achados e perdidos, um Padre, com direito à batina e crucifixo no peito. Sim, um religioso foi reclamar a mala perdida. Tirem suas próprias conclusões.

Mas não são só os servos de Deus que sofrem de esquecimento. Pesquisa feita pelo aplicativo Uber, por exemplo, aponta os objetos mais curiosos esquecidos no aplicativo de carros. Chamada de “Índice Uber de Achados e Perdidos”, a pesquisa revelou que celulares e chaves são os itens que mais são deixados para trás pelos brasileiros nos veículos.

E entre os itens inusitados estão coisas como um centelhador de vara (fogos de artifício), um bolo de aniversário, um ventilador novo – na caixa – e uma mala com garrafas de vinho com um kit vinho, só para citar alguns exemplos.

Já nos hotéis, os hóspedes costumam deixar, por ordem de esquecimento, joias, carregadores de celular/tablet, itens de higiene pessoal, roupas, brinquedos de crianças, chaves e por último, óculos. Quem nunca? O hotel não é obrigado a devolver. Quem deixou que trate de pegar de volta.

Na maior cidade do país, cerca de 200 mil itens foram esquecidos em trens da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) em 2019. Ao todo, foram 194.878‬ deixados nas dependências do sistema metroferroviário da região naquele ano.

No metrô paulistano não é diferente. O balanço anual da Central de Achados e Perdidos do Metrô registrou também em 2019 um novo recorde de objetos recolhidos no sistema. De janeiro a dezembro daquele ano, 103.210 itens foram cadastrados pelos funcionários das estações.

Por lei, as empresas não se responsabilizam pelas perdas. Então, é bom ficar atento. Nesses tempos de pandemia, em que a circulação diminuiu muito, certamente os números de perdas nos transportes públicos cairão. E com certeza os itens top de perda de objetos no ano passado, deverá ser ocupado pelas máscaras. Tem gente que até esquece de usar.

Raquel Santana

Já foi jornalista, acha que é fotógrafa, mas nesses tempos de Covid-19 ela só quer sombra e água fresca no aconchego do seu lar. Vendo seriados, óbvio!

Foto: Acervo pessoal

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