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O casarão abandonado

Por Telma Elorza

Casas abandonadas estão em todas as partes. De repente, você vira uma esquina e PÁ, lá está uma. Às vezes trancadas, outras escancaradas. Nestas, sempre há sinais de ocupação. Um morador de rua, um usuário de drogas, alguém se dispõe a ocupá-la temporariamente até encontrar um novo rumo. Ambas, a trancada e a aberta, exercem um fascínio enorme em mim. Mas quando a casa abandonada é um casarão, minha imaginação voa

O que será que se passou para uma casa enorme ser abandonada? Quem a deixou ficar naquele estado, esquecida, se deteriorando? O telhado, geralmente em péssimo estado, abrigou e protegeu quem? O que aconteceu com a família que, um dia, a construiu com carinho? Por que a esqueceram?

Casas são coisas engraçadas. Tijolos e cimentos, pedra e cal são os materiais que as compõe. Mas e os sonhos de quem juntou cada um deles para erguer um lugar que deveria ser o porto seguro? O que aconteceu com os sonhos, gente?

Me imagino entrando num casarão abandonado, circulando pelos seus cômodos, observando suas particularidades. Um quarto minúsculo aqui – uma sala de costura? Uma janela extra grande ali – a vista deve ter sido linda, hoje só mato e um jardim de pedras.

Na minha imaginação, percorro cada canto, pensando nas histórias que de quem viveu ali. Aquele quarto deve ter sido da filha, olha só ainda guarda um pouco da cor rosa na parede descascada. Aqui a família deve ter sentado para almoçar ou jantar juntos. O que será que conversavam. Ali um banheiro para visitas, será que recebiam muitas? O quintal abandonado já dever ter sido um lugar que as crianças exploravam. Tinha pé de frutas? Sim, vejo uma antiga jabuticabeira quase morta, mas resistindo por pura teimosia. A sala é grande, tinha um ou dois sofás. Ou mais? Que cor seriam? Será que eram confortáveis ou daqueles duros, de antigamente?

Na minha viagem imaginária pelo casarão, gosto de pensar que alguém foi feliz ali. Mas que, infelizmente, a felicidade acabou. E o lugar tão amado, hoje está ali, se desfazendo aos poucos. Quem será o dono? E porque deixa um casarão tão lindo morrer aos poucos, apenas na companhia de uma assombração de sonhos desfeitos?

Foto: Telma Elorza

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