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Calçadão ontem e hoje, uma caminhada pelo tempo

Raquel Santana (*)

Verdadeiro cartão postal da cidade, o Calçadão de Londrina foi criado em 1977 com projeto do arquiteto Jaime Lerner. Novidade na época, desde sua inauguração foi objeto de polêmica. É que a ideia de reurbanização das Praças Willie Davids, Marechal Floriano e Gabriel Martins, não foi vista com bons olhos pelos londrinenses. Além disso, seria necessária a interdição de alguns trechos da avenida Paraná, liberando o espaço para a população.

Em 77, o prefeito era Antônio Belinati e o argumento para a construção foi que o Calçadão, além de revitalizar o centro, melhoraria a segurança, já que a avenida Paraná concentrava grande parte das agências bancárias da região. Além disso, seria um espaço de lazer e cultura pois nele se encontra o principal teatro da cidade, o Ouro Verde e nas proximidades está a Concha Acústica.

Cheguei em Londrina cinco anos após a sua implantação e foi o primeiro do gênero que vi na vida. A caipira que me habitava ficou encantada com a ideia. Era como andar na rua do Paraíso, sem ser atropelada. Os quiosques, as lojas, entre elas a extinta Mesbla , eram um verdadeiro templo do consumo. Junto com a avenida Higienópolis, deixava qualquer pessoa que tivesse dinheiro louca, o que não era o meu caso.

O que eu gostava mesmo era da balbúrdia. Gente de todo tipo indo e vindo de um lado para outro. Os ambulantes gritando, as lojas chamando os clientes e os artistas de rua. Ah, os artistas. Em época de Festival de Teatro virava um palco a céu aberto. Artistas vindos de várias partes do mundo se apresentando talvez para pessoas que nunca tivessem visto um na vida. O Calçadão fez – e faz parte – da formação cultural de muita gente.

Um de meus programas preferidos nos anos em que vivi na cidade, era bater perna pelo local. Começava com uma visita às Lojas Americanas, seguida por uma caminhada, não sem antes dançar na porta de cada loja que estivesse tocando uma música para chamar clientes. Hábito que carrego até hoje. Danço por dentro, mas danço. E terminava no Chopão. O que dizer do Chopão?

Na volta, no calor londrinense, poder parar e tomar uma bebida gelada e sentar em uma de suas mesas. E lá juntar os amigos, pois o Calçadão sempre foi ponto de encontro. Um farol no centro da cidade, capaz de reunir todos os tipos. Pobres e ricos, gente comum e importante, todos juntos e misturados, anônimos na multidão e únicos em seus universos.

Hoje os quiosques não existem mais, o Chopão foi derrubado e o Calçadão tornou-se mais um espaço comercial da cidade, ocupado pelos orientais e suas lojas ching ling cheias de cacarecos. Talvez engolido pelos shoppings centers da vida, para muita gente talvez tenha perdido um pouco da magia.

Mas como o que vale nessa vida são as memórias afetivas, pelo menos para mim, sempre vai ser um espaço de encontro, de arte e de diversão. Nada mais do que sua vocação inicial.

(*) Jornalista radicada em Curitiba mas apaixonada por Londrina

Foto: Wilson Vieira/Londrina Convention Bureau

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1 comentário

  1. Sim..uma pena!o calçadão perdeu a graça e a cidade cada dia que passa fica menos cultural..em tempos de festivais.. dança..teatro e música..a cidade era outra..e claro as exposições de arte!
    Uma pena!

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