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A magia dos festivais de cinema

Raquel Santana (*)

Na semana em que se comemorou o centenário de Federico Fellini e se lamentou a morte de Terry Jones, do Monty Phyton, lembrei dos festivais de filmes promovidos pelo Cine Teatro Ouro Verde, na década de 80. Eu, que vim de uma pequena cidade do interior de São Paulo, cujo único cinema só passava pornochanchada, me deliciei com tantos filmes de artes, essenciais para a minha formação jornalística.

Na minha infância, até que aproveitei as sessões das tardes de domingo. Vi muito Mazzaropi e alguns clássicos do cinema juvenil, como “Irmão Sol e Irmã Lua”, de Franco Zeffirelli, assim como “Romeu e Julieta”, do mesmo diretor. Mas os clássicos “de verdade”, só fui ter acesso com os festivais do Ouro Verde. Geralmente era uma semana toda dedicada a um diretor, com ingressos gratuitos ou a preços populares. Cheguei a passar dias inteiros no cinema, vendo filmes que até então só tinha ouvido falar. Uma festa para o intelecto.

Como disse, na minha cidade só tinha um cinema. Até o início de minha adolescência, ia aos finais de semana ver alguns clássicos, em sua maioria, nacionais. Mas cinemão de verdade, só na cidade vizinha, que na época tinha cinco cinemas. Geralmente era minha madrinha, que junto com minha prima, me levava. Na volta, eu e prima passávamos a noite conversando e sonhando com o mocinho do filme.

Na minha cidade, com o tempo, o cinema passou de pornochanchada aos filmes pornôs em si e, na sequência, a templo religioso. O cinema foi transformado numa Assembleia de Deus. Quando cheguei em Londrina, nunca tinha visto um clássico, só ouvido falar. Foi aí que coloquei minha vida cinéfila em dia. Vi de Kurosawa a Fellini, de Monty Phyton a Hitchcock, todos os filmes que realmente fazem a diferença em nossa formação. Hoje é difícil encontrar um cinema que promova esse tipo de programação.

Em Curitiba, os cinemas de rua até fizeram alguns festivais de clássicos. Vi muito filme underground. Mas o tempo também foi fechando cinema por cinema. E vieram os multiplex da vida, que só passam os lançamentos atuais. Hoje em dia está mais fácil ter acesso aos filmes clássicos por aplicativos de streaming. Na internet estão todos lá, a um click de distância.

Claro que é ótimo. Mas nada como a tela de uma sala de cinema. É outra dimensão. A mágica não é a mesma. No Ouro Verde vi esta magia acontecer em festivais que só quem foi sabe a importância que este tipo de evento exerce na formação de uma pessoa. Não tem o que substitua. Cinema não é tv. A magia acontece em tela grande. Com cheiro de pipoca e mofo que só os cinemas de verdade, tem.

(*) Jornalista radicada em Curitiba mas apaixonada por Londrina

Foto: Pixabay

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