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Essa tal mania de shopping…

Por Ana Paula Barcellos

Já tem vários anos que Londrina virou uma cidade de shopping. E conheço muita gente que tem esse como principal passeio, forma de lazer. Essa virou uma coisa muito daqui, muito da nossa cidade, né? Só dar um pulo nos principais shoppings de Londrina nos finais de semana pra constatar: estão todos lotados e você com certeza vai encontrar alguns conhecidos por lá.

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Eu não sou uma pessoa de shopping. Sou mais do centro, do Calçadão, dos bares que tem mesinha na calçada, das livrarias da cidade; sou mais do sebo, do pão de queijo no quiosque, das cafeterias de portinha. Da loja de roupa daquele canto que você nunca imaginou antes e descobre que guarda achados incríveis, sou dos melhores brechós. Mas, como mãe de pré-adolescente, claro que tenho estado cada vez mais em shoppings.

Ainda assim tenho meus limites. Evito ao máximo o Catuaí, por exemplo. Só topo essa “aventura” quando preciso comprar algo que só tem lá, quando quero ir a alguma loja que só tem lá, ou quando a cria pede muito. E é sempre um suplício: conseguir Uber, desembarcar, andar um monte, trombar em gente, passar no mercado (tremo só de pensar em entrar no Carrefour, uma experiência cada vez mais desgastante), conseguir um Uber pra voltar (ainda mais difícil que na ida) e embarcar.

Parece que as pessoas não têm outra forma de lazer ou passeio que não seja em shopping. Eu fujo, mas quando não é possível, tenho dois preferidos
O Royal Plaza Shopping, um dos meus preferidos – Foto: Divulgação Royal Plaza Shopping

Interessante que, conversando com motoristas dos aplicativos, a opinião é unânime: todos eles odeiam ir ao Catuaí e dificilmente aceitam corridas para esse shopping. Pelos mesmos motivos que citei, além do trânsito horroroso. E todos eles, sem exceção, começam a rezar a ladainha: “Odeio pegar corrida para o Catuaí e para a Gleba em geral. Ficou horrível circular por lá, não tem mais condições”. Eu, na Gleba, nem vou. Menos ainda no shopping Aurora, pra mim o pior da cidade.

Essa é outra marca nossa, né? Bem da nossa cidade. Transformar bairro pseudo-rico em hype, lotar e badalar até ninguém aguentar mais e depois odiar. Dizem que o movimento agora é avançar para o Bela Suiça, né? Quero ver permitirem transformar o santuário dos old money pé vermelho em fuzarca. Acho que vão precisar inventar outra Gleba!

Mania de shopping x passeios diferentes

Voltando para os shoppings, toda vez que nos convidam para um passeio mais familiar, envolve shopping. Eu sou sempre a que sugere uma coisa mais Lago Igapó, restaurante legal, lanche na cafeteria que você ainda não conhece e vai adorar, ir passear no Museu do Café, ver o que tem de exposição no Sesc Cadeião. O povo tem essa mania de shopping e uma dificuldade enorme de desapegar do combo cinema+passeio pelas lojas + McDonalds ou Burguer King. Sinal, aliás, de que pouca coisa mudou da época em que se comia lanche nas Lojas Americanas, assistia filme no Cine Augusto ou Vila Rica e ia fazer footing depois no calçadão ou na Higienópolis.

Boulevard Shopping tem tudo que eu gosto – Foto: Divulgação

Mas, quando não posso fugir de ir ao antro sagrado do consumismo, escolho sempre Boulevard ou Royal (muita gente se espanta com essa escolha). Considero o primeiro ótima opção para comer, tem boas opções de cafeterias, tem livraria, as principais lojas de departamento e outras lojas de marcas boas de roupas com preços acessíveis. Não tem nada que a gente precise e não encontre lá, então considero tiro certeiro. O segundo é uma escolha mais prática – além de ser paixão da adolescência. Também tem boas lojas com preços acessíveis, lugares ok para comer (não é o forte), bom para comprar e resolver coisas pontuais. Além de nunca estar lotado nos horários que vou, coisa que adoro!

Mas querer, eu queria mesmo mais opções legais fora dos shoppings. Queria que o Centro voltasse a bombar, que o nosso Calçadão fosse ponto de referência para cultura e lazer. Desejo muito isso, mesmo com tudo jogando contra. Minha mania é desejar forte isso para nossa cidade…

Ana Paula Barcellos

Meu pai e minha mãe nunca tiveram problemas com idas ao cemitério e a velórios, e sempre levaram a gente junto, desde pequena. Sempre entenderam que a morte é parte fundamental da vida, no futuro

É graduada em História pela UEL, Mestre em Estudos Literários, integra coletivos culturais da cidade e é agente cultural. Sacoleira e brecholenta, trabalha com criação de joias artesanais e pesquisa de tendências, e escreve também a coluna de Moda deste jornal. Siga os Instagram @experienciasdecabide e yopaulab

Foto principal: site da ACIL

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(*) O conteúdo das colunas não reflete, necessariamente, a opinião do O LONDRINENSE.

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1 comentário

  1. Que legal! Nunca gostei de shoppings, o que mais tolero são o Shopping Norte e o Royal.

    Moramos 2 anos em Arapongas e é visível o quanto a “falta” de um shopping muito perto ajuda ao desenvolvimento do comercio de rua.

    Muitas opções de bares, pizzarias, espetinhos, algumas sorveterias, etc sempre tem algum movimento.

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