Skip to content

Minha filha está atrapalhando minha vida

Por Telma Elorza

“Estou com 55 anos e sou viúva há 15. Nesse meio tempo, minha filha, que tem 36 anos, se formou, arrumou emprego e foi morar sozinha. Mas, na pandemia, ela perdeu o emprego e voltou a morar comigo. Só que, agora, mesmo empregada, não quer ir embora. No tempo que passei sozinha, tinha uma vida social e sexual intensa, mas agora não posso levar mais meus namorados para casa. Além disso, ela não contribui com nada para me ajudar com as despesas. Já conversei com ela que me disse que não vai sair porque a casa também é herança dela. Evito discutir para não brigarmos, mas queria a minha vida de volta. Ao mesmo tempo, me sinto culpada por querer que ela vá embora. O que faço?

Que situação, heim, amiga? Por um lado, nós queremos ver nossos filhos bem e felizes. Por outro, nós MERECEMOS estarmos bem e felizes. E você não está.

LEIA TAMBÉM

O que você precisa saber é que não deve sentir culpa por querer estar sozinha para aproveitar sua vida. Aos 55 anos, você ainda tem muita coisa para viver e ser feliz. Você já cumpriu seu papel de mãe, criou, educou, fez todo o possível para sua filha ser feliz. Amparou no momento difícil até ela se recuperar. Nada mais justo querer, agora, pensar em você mesma.

Nós, mães, temos a mania de por a felicidade dos filhos antes da nossa. No entanto, também é preciso pensar na própria felicidade. Tem horas que a gente tem que dar um chute na bunda dos filhos para eles acordarem para vida. A gente só pode ir até certo ponto. Depois desse ponto, é com eles. Eles têm que se virar, viver a própria vida.

Filha na geração Canguru

E para ela está muito fácil. Aposto que, além da casa para morar sem pagar aluguel, ainda tem comida quentinha e roupa lavada. E economiza o salário para gastar com ela mesmo. Ou seja, voltou a ser adolescente com o melhor dos mundos. E ela não é a única, tem até um nome para isso: Geração Canguru. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), um em cada quatro indivíduos entre 18 e 35 anos ainda reside com seus pais, justamente pela comodidade de ter serviços domésticos feitos, comida pronta e não pagar nada por isso. Ou seja, são uns folgados.

A filha voltou a morar com a mãe, na pandemia, e agora não quer mais ir embora, porque não ajuda nada na casa

Na minha opinião, você tem que tomar as rédeas da situação. Ter uma conversa franca com ela, explicar que quer ela saia de casa, porque você não está morta e quer ter seus namorados em paz. Levá-los até sua casa, se for sua preferência. E que você não vai mais sustentá-la. Pare de lavar as roupas dela, pare de fazer comida (mesmo que você tenha que comer fora ou pedir marmita para um), não faça a cama nem limpe o quarto dela.

Mesmo que argumente que a casa também é dela, por motivos de herança, ela não pode exigir nada agora. Pela lei, o cônjuge tem direito de morar no imóvel do casal enquanto quiser ou até morrer. Qualquer advogado da Vara de Família vai lhe dizer que o (a) viúvo (a) tem o direito real de habitação: poderá manter sua moradia na casa, desde que seja este o único bem imóvel a inventariar. Assim, você tem o usufruto da casa e pode por (ou tirar) quem quiser de lá.

Se, em último caso, ainda assim ela resistir, você pode tomar uma atitude mais drástica, como pedir judicialmente que ela saia de casa. É uma decisão difícil, eu sei, mas possível legalmente. Aconselho a conversar com um advogado sobre isso para se informar melhor. No entanto, pelas minhas pesquisas, seria um processo judicial de reintegração de posse, por exemplo, em que o proprietários do imóvel pediria o “despejo” do filho com a retomada da posse do imóvel (mesmo que parcial). E pode ser concedida caso fique comprovado que o filho não tem direito a permanecer no local e que pode se sustentar.

Não se sinta culpada se tiver que chegar a este ponto. Isso vai até ajudar sua filha a se tornar uma adulta responsável. Assim, pense que é para o bem das duas.

Espero ter ajudado.

Quem é a Tia Telma

Telma Elorza é jornalista, divorciada e adora dar pitaco na vida dos outros. Mas sempre com autorização.

Siga O LONDRINENSE no Instagram

Arte: Mirella Fontana

Leia mais colunas do Consultório Sentimental da Tia Telma

(*) O conteúdo das colunas não reflete, necessariamente, a opinião do O LONDRINENSE.

Compartilhar:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Designed using Magazine Hoot. Powered by WordPress.