O conservadorismo imoral trajado de defesa da moralidade


O fato de um deputado estadual e pré-candidato ao governo de São Paulo enviar áudios de WhatsApp a amigos caracterizando mulheres ucranianas em estado de vulnerabilidade por conta da guerra como “fáceis, porque são pobres”, diz muito sobre a (falta) de moralidade do conservadorismo brasileiro. O mesmo que conservadorismo que exige o direito de não tomar vacina porque apregoa a liberdade de decidir sobre o próprio corpo e que, ao mesmo tempo, ignora este argumento quando o assunto é a decisão sobre o aborto.

Fruto do Movimento Brasil Livre (MBL), o deputado estadual Artur do Val (Podemos-SP), ainda falou sobre técnicas para “pegar loiras”, uma referência com conotação sexual. Infelizmente, esse tipo de áudio, assim como memes, imagens, frases e piadas compartilhadas pelas redes sociais, nada mais são do que reflexo do pensamento de um grupo integrante da sociedade. Mesmo que os autores desse tipo de conteúdo se desculpem posteriormente, digam estar arrependidos ou que foi apenas uma brincadeira, essa é a ponta de um iceberg, ou seja, uma pequena demonstração de como ainda pensa uma parcela da sociedade.

Destaco o fato de esse deputado ser da ala conservadora do pensamento político porque o conservadorismo existe para conservar um status quo, uma realidade arcaica e que mantém privilégios e poder. Não se pode generalizar, mas, sobretudo, o conservadorismo reúne aquele grupo de pessoas que defende arduamente a manutenção de costumes e moralidades enquanto, concomitantemente, destilam machismos e ‘misoginismos’ por aí. Só que a sociedade está em constante mudança e é preciso colocar a mão na consciência e perceber que o pensamento que era comum 20 anos atrás, hoje já não cabe mais.

E tudo isso, o deputado o fez com dinheiro público. Aliás, o que ele foi fazer na Ucrânia? Por que ele foi observar o conflito com a Rússia? O que ele tem a ver com isso? Dá a impressão de que os representantes do conservadorismo político não estão preocupados com a população, com seus eleitores ou com as mazelas de uma guerra. Aliás, não estão preocupados nem mesmo com o tipo de moral que defendem.

Fábio Luporini

Sou jornalista formado pela  Universidade Norte do Paraná e sociólogo formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) . Fui repórter, editor e chefe de redação no extinto Jornal de Londrina (JL), atuei como produtor na RPC (afiliada da TV Globo), fundei o também extinto Portal Duo e trabalho como assessor de imprensa e professor de Filosofia, Sociologia, História, Redação e Geopolítica, em Londrina.

Foto: Pexels

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