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Mundos Desaparecidos: uma viagem fantástica ao passado

Por Chantal Manoncourt

Graças à realidade virtual, o Museu Nacional de História Natural de Paris oferece uma imersão em mundos desaparecidos há 3,5 bilhões de anos. Nascimento dos oceanos, dos dinossauros, dos primeiros homens… Uma incrível viagem no tempo para conhecer espécies tão surpreendentes quanto espetaculares, uma oportunidade única para compreender a evolução da diversidade em nosso planeta.

A Terra experimentou o apocalipse cinco vezes. Cataclismos fenomenais abalaram então todo o planeta, oceanos e continentes, causando extinções em massa. Ao estudar os solos e os fósseis, os cientistas conseguiram determinar que a extinção em massa mais antiga remonta a 450 milhões de anos, numa época em que a vida existia apenas nos oceanos. Se as causas destas extinções são múltiplas, dois gatilhos parecem essenciais: erupções vulcânicas e alterações climáticas. O mais conhecido e mais recente destes cataclismos é aquele que exterminou os dinossauros da face da Terra, há 65 milhões de anos.

O aquecimento global, os períodos de seca alternados com inundações violentas, erupções vulcânicas, tempestades, tsunamis, terramotos, catástrofes sucedem-se… o mundo de hoje é confuso e preocupante. Algumas pessoas tentam se projetar no futuro, mas estudar o passado é fundamental para compreender o presente. “A ideia é fazer com que as pessoas entendam que o mundo hoje nem sempre foi como é. Porque quanto mais estamos conscientes do passado, mais podemos agir sobre o presente”, explica o diretor do Museu, Bruno David, ao apresentar a atual exposição Mondes Disparus (Mundos Desaparecidos).

Com um headset de realidade virtual na cabeça, o visitante embarca numa aventura que começa há 3,5 bilhões de anos… Isto não é ficção científica, alerta o Museu, mas sim uma ficção construída por uma comissão de especialistas científicos através de processos tecnológicos inovadores

Exposição no Museu Nacional de História Natural de Paris oferece imersão em mundos desaparecidos há milhões de anos

Aqui somos projetados, em forma de avatar, um ser luminoso, acompanhado por um pequeno robô e por um pesquisador virtual do Museu. Tudo começa quando acontece uma conferência excepcional sobre a história da formação da Terra, há 4,5 bilhões de anos. Foi então que ocorreu uma enorme explosão. Em um segundo, os visitantes são levados para um túnel do tempo através de feixes de luz multicoloridos. Eles voltam no tempo em alta velocidade e iniciarão então uma viagem excepcional, no fundo do mar e em terra, pontuada por descobertas e surpresas.

Do Arqueano -3,5 bilhões de anos – ao Cambriano – 522 milhões de anos

Os vulcões estão ao longe, os continentes estão absolutamente desertos. Tudo começou debaixo d’água no período Arqueano, com as primeiras formas de vida microscópica que revolucionariam a vida na Terra. Graças à absorção de CO2 na água, estas bactérias libertam oxigénio para a atmosfera e, assim, desempenham um papel na fotossíntese.

O período Cambriano é caracterizado na água por uma explosão de formas de vida com numerosos vermes marinhos, como os trilobitas. Os visitantes maravilhados avançam silenciosamente até ao coração do fundo do mar, onde desfilam microalgas e pequenos animais.

Do Carbonífero -314 milhões de anos- ao Jurássico -180 milhões de anos

Foi durante este período Carbonífero que as florestas se desenvolveram com plantas muito grandes, como fetos arbóreos, bem como insetos gigantes, como libélulas que podiam medir 70 cm e centopéias que podiam ter 2,60 m de comprimento. Vemos nas árvores o ninho de um pequeno réptil onde existem vários ovos.

A Europa Jurássica oferece uma paisagem de arquipélagos com mares rasos e bem oxigenados onde a vida marinha se desenvolve e depois surge uma espécie de lagarto gigante que, emergindo da água, corre em direção à superfície para tomar um pouco de ar fresco e respirar pela primeira vez. Na floresta, se encontrarmos coníferas, mas ainda não encontrarmos plantas com flores, os dinossauros já estão vivendo na terra.

Do Cretáceo – 67 milhões de anos atrás – ao Pleistoceno -61.000 anos atrás

Durante este período Cretáceo coexistiram pequenos mamíferos, aves e uma grande variedade de dinossauros. Além disso, os “répteis voadores” estão no auge. Eles são então os maiores animais voadores que já existiram na Terra. Plantas e insetos coexistem com tiranossauros em um ambiente tranquilo e florido. Os mamíferos estão se diversificando, estão aumentando de tamanho, a fauna é diferente de um continente para outro.

Os primeiros humanos foram encontrados na ilha de Flores, na Indonésia. Ao descobrir esta ilha, o visitante surpreendido repara que a fauna e a flora estão muito próximas da natureza actual ainda que nos deparemos com elefantes anões e ratos gigantes…!

Esta viagem virtual ao passado termina com a fase atual onde as imagens nos parecem muito familiares com zebras, girafas, búfalos, flamingos cor-de-rosa, mas também estradas que fragmentam territórios e águas de rios poluídas por plástico. Muitas espécies desapareceram completamente. Hoje restam 31 mil rinocerontes, mas 30 mil elefantes morrem a cada ano. Nosso planeta é frágil e devemos cuidar dele antes da próxima explosão que provavelmente não demorará milhões de anos…

Mondes Disparus (Mundos Desaparecidos) no Museu Nacional de História Natural, 75005 Paris, até 16 de junho de 2024

© Fotos: Excurio MNHM

Chantal Manoncourt

Parisiense, arqueóloga e jornalista, apaixonada pelo Brasil, já escreveu vários livros sobre turismo brasileiro.

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(*) O conteúdo das colunas não reflete, necessariamente, a opinião do O LONDRINENSE.

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