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Entre tradição e inovação: Panificadora Central mantém no cardápio as delícias de outros tempos

A mais antiga panificadora em atividade de Londrina comemora 64 anos em 2024 e a gente foi lá provar sabores que estão esquecidos por outras confeitarias

Telma Elorza

O LONDRINENSE

Eu não sei você, mas estou cansada de ir em confeitaria e encontrar os mesmos sabores de doces em todas elas – Nutella, Ninho, pistache e outros sabores que, parece, cairam no gosto popular. Nada contra. Mas tem horas que a gente quer comer os clássicos da infância. Aquele bolo Floresta Negra, ou de Chantilly, aquele branco recheado de abacaxi ou doce de leite com ameixa. Ou ainda uma bela bomba de chocolate com creme ou um quindim maravilhoso. Estes últimos, a gente até acha, mas geralmente são umas coisas sem aquele sabor da infância.

Confesso que sou cliente da Panificadora Central há um bom tempo. Mas sempre passo por lá correndo, pego um bolo aqui (o do aniversário de 50 anos da minha irmã Ilka Elorza foi um Floresta Negra MA-RA-VI-LHO-SO encomendado lá), um salgado ali, um cafezinho. Assim, quando fiquei sabendo que a empresa estava fazendo 64 anos de atividade – uma das mais longevas de Londrina – , resolvi me dedicar a conhecer mais profundamente os sabores ofertados. Chamei a irmã, outra fã do local, e fomos lá, no sábado (2) à tarde.

Lígia e seu pai, Lauro Kleber: terceira geração nos negócios

Quem nos recebeu foi a Lígia Kleber, jornalista e especialista em gestão de projetos internacionais. Junto com a irmã Ana Beatriz, elas voltatam a Londrina, na pandemia, e há dois anos estão se preparando para assumir a empresa. Lauro Kleber, pai das duas, e seu irmão Valdemar estão querendo se aposentar, depois de muito trabalhar na panificadora. “Meu pai Osmar e minha mãe Ernestina construiram a Central e a gente trabalha aqui desde crianças. Em 1972, eu e meu irmão entramos no contrato social e depois da morte dos meus pais ficamos nós dois. Está na hora de parar. Agora estamos fazendo essa transição, para as meninas assumirem”, diz Lauro.

A Panificadora Central abriu suas portas em fevereiro de 1960 na Rua Caraíbas, numa esquina onde é hoje um bar e, cinco anos depois, Osmar e Ernestina compraram a propriedade onde está até hoje, no número 199, em frente ao antigo endereço. “A rua lateral era de terra batida e a em frente, de paralelepípedo”, recorda o proprietário. Era uma outra época, mas a qualidade dos pães e doces fez sucesso na Londrina emergente. “Nós chegamos a ter 50 carrinheiros que levavam pães e leite para toda cidade. Era um congestionamento de carroças aqui na frente”, conta Lauro.

A inovação também sempre acompanhou a empresa. A Panificadora Central foi a primeira de Londrina a oferecer o serviço de coffe break, algo que, na década de 1980, só os buffets faziam. “Tinha um melhor custo-benefício. E aí as outras copiaram a gente”, brinca Lígia. Em 1997, o local passou por uma reformulação, criando um design moderno (e que continua atual) para a época, passando a oferecer também um espaço para lanches. Nessa mesma época, o antigo forno à lenha foi adaptado para energia elétrica. Além disso, também foi a primeira a se informatizar, no início dos anos 2000. “Hoje o sistema já está antigo e já estamos fazendo a transição para um mais moderno”, conta Lígia que está programando outras inovações também “A gente quer estar sempre oferecendo o melhor para nosso cliente”, diz.

A Panificadora Central é a mais antiga de Londrina, ainda em atividade. E sabe unir muito bem a tradição com a modernidade e um cardápio maravilhoso
Pãozinho fresco: por dia, são, em média, três mil unidades vendidas

Hoje, o carro-chefe da Panificadora ainda são os pães. São cerca de 3 mil unidades por dia. “A gente tem outro diferencial que é não trabalhar com congelados. É praticamente tudo feito na hora. Então o sabor é bem diferente, mais saboroso”, explica Lígia.

As delícias da Central

Bom, já contei um resuminho da história – é muita coisa, muitos causos legais e poderia escrever páginas e páginas -, mas o nosso foco aqui é comida e sobre ela que vamos falar um pouquinho agora. É lógico que não vai dar para falar sobre tudo o que eles oferecem, porque tem mais de MIL itens no cardápio. Então, se você quiser fazer uma festa pode ir lá escolher que vai ter opções de todos os tipos e gostos. Os bolos tem preços variando de R$ 59,00 a R$80,00 o quilo (como já disse, o Floresta Negra é fantástico, com cerejas e chantilly de verdade, não esses cremes amanteigados); o cento de salgados fritos sai por R$69 e o cento de salgados assados varia entre R$ 79,00 a 99,00.

Porém, alguns itens têm que estar na vitrine todos os dias, desde a década de 1960. Como o bolo de frutas cristalizadas, aquele que os ingleses adoram tomar no Chá das 5. Ele é simplesmente deliciososo, de uma leveza e sabor incomparável. Fica perfeito pra tomar com um cafezinho ou chá. Os bolos brancos (cobertos de chantilly e recheio de frutas) também têm que estar à disposição dos clientes todos os dias, assim como pudins de leite condensado e quindins. Aiaiaiaiai.

Abro um parênteses aqui para falar que quindim é meu doce preferido na vida. Eu mesma fui uma boa “quindinzeira” na adolescência (infelizmente, perdi minha receita quando casei e nunca mais achei uma que se comparasse ao sabor e cremosidade). Sou exigente com quindim. E, olha, o da Central foi o melhor quindim que já comi em Londrina. Já tinha provado outros e gostado, mas juro, nenhum chega aos pés do quindim que provei no sábado. Ele tem uma cremosidade, uma “caldinha” da própria massa que é fantástica. E custa R$9,90 (mesmo valor do pudim de leite que também é excepcional).

Outro item que me deixou muito feliz de ver no cardápio diário foi o “bolo gelado”. Sabe aquele bolo com uma massa simples, passado numa calda maravilhosa e enrolado no papel alumínio, guardado na geladeira, que fica cremoso e derrete na boca? Aquele, que nossas mães faziam e por uma época virou moda servir nos aniversários? Então, esse mesmo. Simplesmente SEN-SA-CIO-NAL. Dona Estelinha, minha mãe, que me perdoe, mas é melhor que o dela e isso não é pouca coisa, não. Um bom pedaço custa a bagatela de R$7,90.

A bomba de chocolate recheada com creme é outro diferencial da Central. Enquanto as outras confeitarias gourmetizaram demais a bomba, chamando de éclair, reduzindo o tamanho a uma coisa minúscula com um creme sem sabor de recheio, a panificadora oferece a verdadeira bomba: enorme (dá para duas pessoas tranquilamente), com uma casquinha crocante de chocolate sobre a massa fofinha assada e um (muito) recheio de creme extremamente gostoso. E o precinho? R$9,90 cada.

As ainda tem as torteletas de limão e de coco (R$1,50), os minissonhos, as carolinas recheadas, os wraps, os salgados (R$8,50 os assados, e R$7,50 os fritos). Não demos conta de provar tudo. Mas duas coisas não puderam ficar de fora: o capuccino gelado (R$ 6,90 caneca) e o sanduíche Bauru (R$10), um dos carros-chefe da linha de sanduíches da casa. Deliciosos.

Lígia ainda fez questão de provássemos a Vitamina de Açaí, uma novidade no cardápio que tem feito muito sucesso entre os clientes. E olha, muito gostosa e refrescante para esse calorzão.

Sugeri à Lígia que implantasse um menu degustação para quem provar um pouco das delícias que eles oferecem. E ela ficou de pensar e avaliar como fazer isso. Então, se forem lá futuramente e encontrarem esse menu degustação, agradeçam à Telminha aqui. Porque vai valer a pena.

Ah, detalhe: eles não servem café expresso. Sinceramente, pra mim não fez falta, porque o cafezinho coado é muito mais gostoso.

Serviço:

A Panificadora Central fica na Rua Caraíbas, 199, na Vila Casoni, atende delivery pelo whatsapp (43) 99992-3106 e também pelo iFood. Também aceitam pedidos de orçamento para festas pelo site e tem um app próprio na loja Google Play (Pancentral). Siga no Instagram @pancentral.londrina

Fotos: Telma Elorza e Ilka Elorza

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