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Conheça a deliciosa gastronomia regional do Cozinha Paraense

Restaurante serve pratos famosos como Pato no Tucupi e o famoso Tacacá, entre outras delícias

Telma Elorza

O LONDRINENSE

Eu nunca fiz uma viagem internacional digna deste nome (Ciudad do Leste e Salto Del Guairá não contam). Por outro lado, já visitei praticamente todas as Regiões do Brasil. Sempre priorizei o turismo interno porque nosso país é tão grande e tão cheio diversidade, com riquezas, culturas e tradições diversas que merecem muito ser conhecidas, antes de me aventurar para outras terras.

E, nas minhas viagens, sempre procurei conhecer a culinária local, aquela raiz (e não a dos restaurantes para turistas), como uma forma de entender melhor a cultura regional. O Norte é a única região do Brasil que, infelizmente, ainda não conheço. Está nos meus planos. Mas, para minha sorte, Londrina conta com um restaurante que traz a comida típica da Amazônia para quem, como eu, gosta de se aprofundar na cultura brasileira: o restaurante Cozinha Paraense Londrina.

Conheci o restaurante através da minha amiga Viviane Alexandrino. Depois de vê-la, no Instagram, saboreando pratos que sempre quis provar, fiquei extremamente ansiosa para visitar o restaurante. No último sábado (17) eu e minha parceira Suzi Bonfim fomos conhecê-lo. E, olha, que delícia. Agora que tive uma amostra, pretendo voltar para conhecer outros pratos que me deixaram com água na boca.

O restaurante é simples, pequeno, sem grandes produções, mas muito agradável. Fomos recebidas pelo casal proprietário, Elaine Pazin e João Gil. João é paraense e mora em Londrina desde 2017. Elaine é londrinense, contabilista e especialista em Recursos Humanos. Casaram em 2019 e, antes de abrirem o restaurante, trabalharam em diversas empresas. Mas uma viagem ao Pará, em 2020, para que João matasse a saudade da sua terra natal, Senador José Porfíro, na região de Altamira, mudou todo o foco do casal. “A Elaine não conhecia o Pará e ficou encantada, vendo as belezas de cada lugar e a fartura de toda a culinária”, conta.

O restaurante é pequeno e simples e vale a pena

João sempre sentiu falta da comida amazônica, basicamente indígena, a que estava acostumado. Cozinhava sempre que podia, mas era difícil encontrar ingredientes típicos da sua região. Na viagem, surgiu a ideia de “importarem” os ingredientes locais e montarem um restaurante, trazerem para Londrina um pouco do sabor de lá.

Voltaram de lá com uma lista de fornecedores e, em outubro de 2022, montaram o Cozinha Paraense Londrina. Para isso, Elaine fez um intensivo na culinária paraense com uma cunhada e aprendeu todos os segredos e macetes para a construção de um bom prato regional. João ajuda na cozinha também, mas a responsabilidade pelo sabor ficou à cargo mesmo de Elaine.

João Gil e Elaine Pazin

O restaurante funciona para o almoço de terça a sábado e domingo sim, outro não. “Mas de dezembro para cá, temos aberto todos os domingos de tanta procura”, conta Elaine. Mas se pretende ir no domingo, melhor confirmar (os contatos estão no fim da matéria).

Durante a semana, além dos pratos típicos (cujos preços achei bem acessíveis, principalmente porque TODOS os ingredientes vêm diretamente do Pará congelados, com exceção do pato que é paranaense), eles servem também comida simples, que estamos acostumados como arroz, feijão, carnes e saladas (inclusive pelo iFood), mas com um toque de sabor paraense. “Nosso feijão é totalmente diferente, pois vai até pimentão e outros segredinhos”, brinca Elaine.

Às sextas, sábados e domingos o restaurante se dedica exclusivamente à culinária amazônica. São nestes dias que são servidos o Menu Degustação Amazônico e o tambaqui assado na brasa, além dos outros pratos individuais como Pato no Tucupi, Tacacá, o vatapá paraense, Maniçoba, Baião de Dois paraense, açaí, além de moquecas, caldeirada, espetinhos, tapiocas e pratos com camarões, como o Camarão no Abacaxi, entre outros. Olhando o menu deles, deu vontade de provar tudo, a boca encheu de água, mas, claro, não dava para fazer isso.

Optamos pelo Menu Degustação Amazônico (R$149,90 e dá para duas pessoas), que é uma forma de provar os principais pratos paraenses, uma experiência bem interessante para quem não conhece nada da culinária da região Norte.

Menu Degustação Amazônico: surpreendente e dá para duas pessoas

O menu degustação vem com seis cuias de casca de coco, cada uma trazendo um pouco de um sabor diferente: Tacacá, Vatapá de Camarão, Pato no Tucupi, Maniçoba, Baião de Dois e açaí (que é para ser degustado com uma farinha regional chamada farinha d’água ou farinha pai d’égua).

As cuias, com exceção do açaí, do Baião de Dois e do Tacacá, também vem com arroz branco. Para beber, pedimos um suco de taperabá – também chamado de cajá em algumas regiões – (a jarra sai por R$15 e o copo, R$9). Curiosidade: João estava todo feliz porque achou uma árvore de taperabá em Cambé, naquela semana. O fruto, que só existe no Norte do Brasil, se adaptou bem na cidade vizinha. O suco é sensacional.

Mergulhamos na sensacional culinária paraense

Perguntamos para João por onde começar. Ele nos sugeriu o Tacacá e depois o açaí e o vatapá. E lá fomos nós mergulhar no sabor paraense. Meu, melhor experiência com comida regional da minha vida. Queria eu que todos os restaurantes regionais que já visitei tivessem um menu degustação assim.

O Tacacá, que a cantora Joelma imortalizou, é uma experiência maravilhosa. Com uma combinação de goma de tapioca, caldo de tucupi (um caldo amarelo extraído da mandioca), camarão seco e jambu (que é indespensável na mesa dos nortistas), traz sabores bem diferentes.

Logo na primeira colherada, senti a língua amortecer por causa do jambu, um efeito que provoca. Suzi, no entanto, não sentiu a mesma coisa. Sei lá, acho que vai da sensibilidade de cada pessoa. Eu sei que adorei a sensação e os sabores diferentes misturados. Tem a opção pedir só ele, em um prato individual (uma cumbuca maior, por R$34,90).

O restaurante Cozinha Paraense Londrina traz o melhor do sabor amazônico com pratos tradicionais como o Tacacá, Pato no Tucupi e Maniçoba, todos com ingredientes originais do Pará
Nós tomamos o Tacacá e sim, ele é muito bom

O açaí foi o segundo a ser provado. Gente, esqueça tudo que você sabe sobre açaí. O verdadeiro açaí é consumido in natura, num creme grosso, mas ainda líquido, sem sal e sem açúcar. É uma delícia e não tem gosto de terra como eu sempre senti, quando como aqui, em Londrina. No Pará, ele substitui uma refeição e pode ser comido com outros pratos salgados. Nós experimentamos misturá-lo com arroz branco e ficou sensacional.

No Cozinha Paraense, tem a opção de pedir a jarra de açaí – com acompanhamentos como camarão, peixe frito, calabresa e frango, farinha d’água ou tapioca (R$ 129,90 e dá para duas a três pessoas, dependendo da fome) – ou os combos de cumbuca com uma das opções de acompanhamentos citados mais a farinha, cujos preços variam de R$40,90 a R$56,90.

O verdadeiro açaí

O Vatapá de camarão foi outra experiência única. Não tem nada a ver com o vatapá baiano, que é feito à base de pão amanhecido e amendoim, para engrossar. O vatapá paraense é feito à base de caldo de camarão seco batido no liquidificador e cozido. Ele é um creme grosso, bem amarelo e muito saboroso. Você tem a opção de pedir a porção de Vatapá de frango ou camarão, acompanhado de canudinhos de massa frita para recheá-los com o creme (de frango sai por R$ 30,90 e, de camarão, R$ 34,90).

Vatapá paraense: delicioso

Passamos então para Maniçoba, também chamada de Feijoada Paraense. O apelido é bem apropriado, porque realmente tem uma aparência próxima da feijoada e leva alguns dos ingredientes dela, como carne de porco, charque, paio, bacon e calabresa. Mas a Maniçoba não tem feijão. Ela é feita com folha da mandioca triturada e cozida, chamada de maniva. Ela passa por um cozimento de uma semana para eliminar totalmente o ácido cianídrico, que é tóxico. Só depois disso que a maniva vai para a panela com os outros ingredientes. E, olha, é muito gostosa, vale a pena experimentar. A porção individual sai por R$42,90.

Assim como o vatapá paraense é diferente do baiano, o Baião de Dois paraense também é um pouco diferente do Ceará, que é apontado como o original. O Baião de Dois paraense é feito com o feijão manteiguinha em vez do feijão de corda. E fica bem soltinho, onde você pode ver bem definidos os ingredientes, como o bacon, calabresa e queijo coalho. Eu gostei muito mais deste tipo do que o “tradicional”. É bem saboroso. A porção individual sai por R$24,90.

Baião de Dois com feijão manteiguinha

Deixamos o Pato no Tucupi por último, porque, assim como o Tacacá, é um dos mais famosos pratos da culinária paraense e merecia que nos concentrassemos totalmente nele. O pato é quase como um item obrigatório na alimentação no Pará e, feito com tucupi, é presença obrigatória nos dias de festa.

O pato tem uma carne mais firme e escura que o frango, por isso ele é cortado em pedaços e assado e depois cozido no tucupi. Umas folhas de jambu complementam o prato, que é servido também com arroz branco e farinha pai d’égua. Na porção individual, ele sai por R$44,90.

Pato no Tucupi: sabor que me desafiou. Nunca comi nada igual

Sinceramente, esse foi o prato que me mais desafiou, porque simplesmente não tinha muitas referências para compará-lo. Principalmente porque aqui, no Sul do País, não consumimos pato. De vez em quando como um marreco, na culinária alemã, mas o pato em si eu nunca tinha provado. Aliado ao sabor do tucupi e do jambu, só posso resumir que gostei. Tentei pensar em algo com que o sabor parecia e não consegui. É totalmente diferente das minhas experiências. Vale muito a pena conhecer. Certamente você vai se surpreender e gostar.

No contexto geral, foi uma experiência maravilhosa. E pretendo voltar lá para provar as outras coisas, como o cuscuz (que na porção individual variam entre R$10 e R$18) e o tambaqui assado (R$129,90 para três pessoas). Aliás, o João nos mostrou o tambaqui e eu quase morri engasgada de tanto que salivei nele. Com certeza, vai ser meu próximo prato ali.

Serviço:

O Cozinha Paraense fica na Rua Sorocada, 686, no Jardim Coroados, zona Oeste de Londrina, e funciona de terça a sábado das 11 às 14h30. Na sexta, funciona das 17 às 21 horas, e domingos (que podem ser alternados) das 11 às 14h30. Os telefones de contato são (43) 3028-9372 e (43) 99105-8504 (whatsapp). Aceita encomendas para festas.

Confira todo o cardápio:

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Fotos: Suzi Bonfim e Telma Elorza

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