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A ExpoLondrina sob a ótica dos excluídos

Caps AD levou usuários em tratamento de dependência química para visitar a feira e eles adoraram

Telma Elorza

Equipe O LONDRINENSE

A Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina – a ExpoLondrina – tem quase 60 anos mas, para muita gente, ela é uma festa para os outros. Os excluídos da vida costumam olhar o evento de fora, a não ser quando participam de visitas gratuitas organizadas por entidades, que se cadastram junto a Sociedade Rural do Paraná (SRP), promotora do evento. É o caso do Centro de Atenção Psicossocial (Caps) Álcool e Drogas (AD), cujos profissionais levaram 13 usuários do serviço para passear no Parque de Exposições Ney Braga, nesta sexta (12).

Entre os usuários do CAPs AD, a maioria é bem carente: tem morador de abrigo, tem morador de assentamento e abrigados. Dos 13, três deles nunca tinham visitado a ExpoLondrina. É o caso de Katia, 32 anos, que reside em Londrina há 10 anos. Ela faz tratamento no Caps AD para se livrar da dependência química. O passeio, para ela, foi importante por dois motivos: “distraiu a cabeça” e viu “coisas que nem imaginava que existia”. “É bom a gente ver coisa diferente. Eu adorei a Fazendinha”, conta.

Já Mário, 42 anos, mora há seis anos em Londrina e nunca teve “oportunidade e dinheiro” para visitar uma exposição. Hoje, ele mora na república montada recentemente pelo município para atender moradores de rua e pessoas em vulnerabilidade social. Ele conta que teve um problema sério recentemente com dependência química e alcoolismo. “Aí eu precisei de ajuda e a Assistência Social achou que lá poderia ter melhores condições para continuar o tratamento”, conta.

Ele foi um dos que mais gostou do passeio e achou tudo maravilhoso. “Mas, o mais importante foi o grupo, os profissionais e colegas, juntos, se divertindo”, diz. Além disso, ele disse que é uma bom ver que existem coisas diferentes, reais, “para que a gente não desvie para outras coisas”. “Enxergar as coisas sóbrio é bem melhor que sob efeito”, conta.

O César, 42 anos, foi morador de rua por 25 anos. Hoje, vive na mesma república que o Mário. Esta foi a segunda vez que visitava a ExpoLondrina com o Caps-AD. Segundo ele, poder visitar o parque, durante a feira, é uma conquista. “Não é porque somos usuários de álcool e drogas que não merecemos participar de uma festa assim. Nós também precisamos de lazer”, diz.

César também diz que aprende muito a cada passeio desses que faz com o Caps.”Só de ter comido sorvete de mandioca e o bicho da seda frito já valeu. E ainda fiz arborismo também”, conta, feliz. Ele diz que vai levar as coisas que viu para sempre na memória. “Se eu tivesse sob efeito, iria apenas ‘causar’, sem dar valor para as coisas legais que vi”, afirma.

Aliás, a Fazendinha Via Rural foi eleito pelo grupo a atração mais interessante de toda a ExpoLondrina.

Foto: Assessoria de imprensa ExpoLondrina

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