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Quase gêmeos – Rafa e Biel

Eu relutei, mas não teve jeito… tive que me render. Meu filho de cinco anos virou youtuber! (Se eu pudesse agora colocaria aquele emoji com a mão espalmada no meio do rosto!)

Acontece que ele sempre pedia para gravar vídeos e eu postava nas minhas redes sociais porque, afinal de contas, era muito fofo. Ele tem frase de abertura, ao final fala todas as frases clichês dos youtubers profissionais (se inscreva no canal, não esquece o “like“), enfim… Ele copiava a forma de falar das pessoas que assiste. Aliás, acho que quase todos os filhos das minhas amigas imitam youtubers! Eles são a “Xuxa” dessa geração! E quem nunca imitou a Xuxa ou as paquitas? Repetir comportamento é absolutamente normal. Por isso nunca dei muita bola. 

Só que ele achava que eu postava realmente no Youtube esses vídeos e que já tinha esse canal, e começou a perguntar para pessoas aleatórias (no mercado, vizinhos, amiguinhos na escola) “você assiste meu canal? Eu provo frutas diferentes!” E a pessoa interessada perguntava: qual o nome do seu canal? E então ele me olhava e perguntava: “mãe! Qual o nome do meu canal?” E eu ficava com cara de paisagem porque a verdade é que a pessoa não ia encontrar os vídeos dele no Youtube. Só que ele pensa nos vídeos, pergunta se curtiram o vídeo dele, se tem algum comentário e pedia para ver o vídeo postado. Isso já tem mais de um ano.

Vendo que ele não ia esquecer essa história resolvi parar de frustrar minha criança e criei um canal pra ele. Chama “Quase Gêmeos – Rafa e Biel”. Sim, o mais novo – de tanto ver o mais velho gravando – entrou na onda. E agora meus filhos têm um canal no Youtube provando frutas e falando se gostaram ou não.

Antes de finalmente ceder, fiquei pensando qual era, afinal de contas, minha relutância em deixar ele gravar esses vídeos. Acontece que hoje o Youtube virou o sonho das crianças que acham que vão ficar ricas testando brinquedos, falando bobagens ou jogando videogame. Mas não é bem assim. E então eu entendi que estava tentando apenas evitar a frustração dele de virar esse grande youtuber que ganha a vida gravando vídeos. Porque eu acho que isso não vai acontecer, então para quê todo esse trabalho?

Quantas vezes não deixamos nossos filhos fazer coisas porque nós mesmos duvidamos da capacidade deles. Pensamos: meu filho não é um grande atleta, melhor ele nem entrar na equipe de futebol senão os outros vão excluí-lo ou tirar sarro dele. A verdade é que as vezes podamos nossos filhos porque queremos evitar essas frustrações. Mas elas fazem parte da vida. Sim, pode ser que seu filho não se dê bem na equipe de futebol, e ele vai ter que lidar com isso. Porém, ele pode te surpreender!

Evitar que os filhos sigam seus próprios sonhos por limitações que achamos que eles têm acaba passando a mensagem que não vale a pena nem tentar!

E, sendo bem honesta, a gente quer evitar que nossos filhos se frustrem, ou a gente quer evitar ter que lidar com a dor deles? A verdade é que nós que não queremos passar por isso! Não queremos ver nossos filhos tristes, chateados, magoados. Só que tudo isso é necessário para uma pessoa crescer mentalmente saudável! Vamos deixar nossos filhos serem o que eles querem ser. Se der certo, que bom! Se não der, lidaremos juntos com isso! 

E deixo aqui um vídeo deles provando pitaia! Dê like e se inscreve no canal (porque agora eu to empenhada para isso dar certo! Haha) Até mais!

Foto: Acervo pessoal

Paula Barbosa Ocanha 

Jornalista, casada, trinta e poucos anos, dois filhos e apaixonada por educação infantil. Mesmo antes de casar, eu lia e me interessava por técnicas de educação, livros de pedagogia e questões sobre o desenvolvimento humano, principalmente na primeira infância. Com essa coluna, gostaria de relatar minhas experiências pessoais. E assim espero lhe ajudar, de alguma forma, a passar mais facilmente por essa linda (e assustadora) jornada da maternidade! Vem comigo e me siga também no Instagram @mamaepata

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