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As disputas da maternidade

Mãe é um bicho que gosta de exibir as qualidades da sua cria por onde quer que vá. Os pais não ficam atrás, mas é que sou mãe e falo principalmente por mim. É muito engraçado ver pais de primeira viagem com um bebê gordinho no colo falando para quem quer que seja – pessoas da família, da vizinhança, amigos, caixas de supermercado: “ela já sabe dar tchau! Né, filha?! Dá tchau pro tio ver! Tchaaaau! Olha aqui! Dá tchau pro tio, filha!? Dá um tchauzinho!!!” Enquanto a criança olha com desdém e não dá nenhum tchau porque acha que não é obrigada! Ou porque está cansada de fazer o mesmo movimento 80 vezes por dia. E aí os pais explicam “ela deve estar te estranhando, por isso não quis dar tchau!”. E quando a criança realmente repete o movimento, nossa! Parece que ela ganhou uma olimpíadas da matemática. Pais são pessoas engraçadas. Quem nunca quis exibir o bebê dessa forma que atire a primeira pedra!

E se fosse apenas isso estava ótimo. Mas o que realmente incomoda são os comentários desagradáveis que algumas pessoas fazem quando querem exibir o filho delas, mas usam o seu como comparação: é um tal de “ah, seu filho ainda usa fralda? Com três anos? Nossa! O meu saiu da fralda antes dos dois!” “Sério que seu filho com cinco anos ainda mama na mamadeira? Isso vai causar um problemão no futuro hein?! Cuidado! O meu nem mamadeira pegou!”. “Seu filho ainda não bate palma? Isso pode ser sinal de autismo! Fica de olho!” Você não sabe se apenas escuta e não fala nada, se revira os olhos ou se manda a pessoa cuidar da própria vida.

Principalmente as mães de primeira viagem ficam muito angustiadas com os marcos de desenvolvimento: se a criança acenou na época certa, se já senta sozinha com seis meses, se já anda com um ano. Isso pode ser tranquilo para algumas mães, mas outras ficam realmente transtornadas com isso. Você chegar e falar para sua vizinha/cunhada/irmã/colega de trabalho – não importa – que sua criança sentou com cinco meses e que a dela pode ter alguma coisa não vai trazer NENHUM benefício. Primeiro que seres humanos não são iguais e nem precisam aprender tudo no mesmo ritmo. Segundo que realmente não é da sua conta!

E se você não é esse tipo de pessoa mas está realmente preocupada com algum marco de desenvolvimento que uma criança que você conhece não atingiu e percebe que a mãe está preocupada – resumindo, você não quer apenas infernizar a vida alheia com um comentário desnecessário – fale: “você levou seu bebê no pediatra? Ele disse alguma coisa sobre isso?” Se o pediatra disse que ainda está dentro da normalidade, pronto! Mude de assunto! Seja a pessoa que ajuda. Seja a pessoa que acolhe, que fala coisas boas. Se seu filho fez alguma coisa muito antes provavelmente ele que está fora do padrão! E quer saber? A não ser que alguém pergunte: guarde para você! Não é uma competição! Cada um tem seu tempo! 

foto Pixabay

Paula Barbosa Ocanha 


Jornalista, casada, trinta e poucos anos, dois filhos e apaixonada por educação infantil. Mesmo antes de casar, eu lia e me interessava por técnicas de educação, livros de pedagogia e questões sobre o desenvolvimento humano, principalmente na primeira infância. Com essa coluna, gostaria de relatar minhas experiências pessoais. E assim espero lhe ajudar, de alguma forma, a passar mais facilmente por essa linda (e assustadora) jornada da maternidade! Vem comigo e me siga também no Instagram @mamaepata


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