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Adolescente, um estranho no ninho

Por Fernanda Barutta Pierri (*)

Os pais de adolescentes comumente reclamam: “Não reconheço meu filho! Ele não era assim bravo, irritado, era doce e carinhoso!”

 As angústias para os pais de adolescentes, na maioria das vezes, causam muita aflição. Eles sentem que perderam seu filho e ficam perdidos sobre como lidar com eles.

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Realmente as coisas mudaram, a criança doce, carinhosa, alegre não existe mais. E quem é esta pessoa agora? É alguém cheia de gostos, que acha que sabe tudo do mundo, que prefere os amigos e que agora acha uma chatice as brincadeiras que o pai e a mãe faziam e que amava.

Mas por que isso acontece? As mudanças no corpo e no cérebro estão acontecendo de uma forma acelerada para que este jovem aprenda coisas novas, saiba a viver sem os pais, tenha mais conhecimento do mundo e faça novas conexões.

Eu sei que você, pai ou mãe, se sente abandonado, perdido, confuso e com medo de perder seu filho amado, uma pessoa que você não conhece mais como conhecia, agora cheio de gostos e vontades.

A forma para lidar com este filho novo em casa é elaborar o luto que você sente por ter pedido sua criança e restabelecer uma nova relação com seu filho adolescente.

O que não falta para o adolescente são conflitos

Já parou para pensar que é uma loucura o que acontece com o adolescente? O que não falta para o adolescente são conflitos físicos e emocionais. E os pais precisam saber lidar
Imagem de Ana Krach por Pixabay

Pode parecer que seu filho está na melhor fase da vida dele. Sim, está, mas esta também é a maior mudança da vida dele. Seu corpo é desengonçado, sua pele cheia de espinhas, com o dobro de sono que antes, com desejos sexuais que mal sabe como lidar… O que não falta neste adolescente são conflitos físicos e emocionais..

Já parou para pensar que loucura que é tudo isso que está acontecendo com ele? Já parou para pensar que seu filho também está vivendo um luto por ter pedido sua fase de criança?

Me conta: você lembra da sua adolescência? Como foi sua adolescência?

Acredito que cada um tenha passado pela adolescência de uma forma! Vou contar como foi a minha. Fui tranquila, sai pouco, mas era péssima na escola (preguiçosa), minha mãe vivia me colocando de castigo, super respondona, mas super organizada e sempre tive namoros sérios. Costumo dizer que mal fui adolescente. Mas também não foi fácil lidar com as mudanças que tive na época, até porque era tímida e falava o que pensava para os amigos e respondia muito a mãe..

E como foi que eu lidei com minha estranha no meu ninho, que se chama Letícia e tem hoje 17 anos? Foi uma loucura total! Como sempre trabalhei com adolescente, achei que tiraria de letra, mas esqueci que teria que lidar com a minha adolescente! Tive que mudar muita coisa em mim, reformular rota, rotina, pensamentos e aprender a ser flexível e saber a hora de puxar a corda do limite. Literalmente uma montanha russa.

E qual o grande segredo de lidar com este adolescente?

  • Estabeleça uma rotina com todos da casa;
  • Converse sobre os limites de saída e horário para voltar;
  • Sempre que precisar, refaça as regras (as mudanças são constantes);
  • Faça acordos, é o que mais funciona na adolescência;
  • Organize as obrigações de todos da casa (quando todos colaboram, o adolescente aceita melhor suas obrigações. Isso não quer dizer que ele não vá reclamar);
  • Não sufoque seu filho com beijos e abraços caso ele não goste (existem outras formas de demonstrar amor e carinho).

É momento de refazer a rota como pais, repensar a forma como foi criado e educado e pesar se esta é a forma que quer educar e criar seu filho. Nem tudo que nossos pais fizeram para nós foi correto, até porque, oara ser pai, não tem um manual de instrução de como criar um filho. Mas os erros e acertos deles podem ajudar nesta nova fase que vocês estão vivendo.

“Na juventude, aprendemos; na velhice compreendemos.”

William Shakespeare

#adolescente #juventude #explorandoadolescência

(*) Fernanda Barutta Pierri é psicóloga clínica especialista Terapia Familiar Sistêmica, em Londrina. @clinicafernandabarutta

Foto: SplitShire por Pixabay

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