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Um sonho, duas bandas

Por Rogério Rigoni

Muitos anos atrás, eu tinha um sonho de ter uma banda de rock! Com amigos da época, montamos a primeira banda. Não sabíamos tocar porra nenhuma e como eu não tinha nenhum instrumento, acabei como vocalista. Cantava horrivelmente mal e fazia todo mundo rir. Pedi para o meu pai um contrabaixo, que me presenteou com um “Giannini” quatro cordas. O baixo mais parecia um berimbau, para mim que não sabia tocar (e não sei até hoje) estava ótimo!

Éramos um trio, nunca fizemos uma música e nunca conseguimos tocar um cover. Na verdade era tudo uma grande diversão, uma nova experiência, um sonho! O único que se destacou foi o batera. Uma semana depois, para quem nunca tinha sentado em uma bateria na vida, o cara simplesmente começou a tocar e tocar muito por sinal, eu nunca tinha visto nada parecido. Éramos todos jovens, cheios de testosterona e nossa parada era fazer barulho! Mas eu e o guitarrista nunca nos desenvolvemos como músicos. Depois de um curtíssimo tempo, a banda acabou e só o batera continuou tocando. Inclusive muitos anos depois, o cara começou a tocar em várias bandas-baile e impressionava a todos com seu talento.

Quando a banda estava ativa, eu e o batera fomos em um show. Foi um mini festival de Punk Rock com várias bandas punks. Esse festival rolou em um mini galpão se não estiver enganado, na Av. Leste Oeste, travessa com a Av. Duque de Caxias. Foi o primeiro show punk que nos dois fomos e foi muito louco, eu já conhecia um pouco do Punk Rock, ele não.

Esse show foi o primeiro contato presencial de nós dois, com o movimento punk. Lembro que era o comecinho da nossa banda (que nem nome tinha e nunca teve). Para nós, foi uma experiência incrível! A galera punk reunida, com seus moicanos levantados, coturnos, calças rasgadas, correntes e tudo que envolve o movimento punk, além das bandas, é claro!

Esse “ao vivo” teve um impacto tão grande na gente que, quando acabou o show, fomos para casa dele onde ensaiávamos, pegamos nossos instrumentos e começamos fazer nosso Punk Rock iniciante. “Eita, tempo bão!” Não ligávamos para nada, só queríamos era tocar o terror e conseguíamos!

Passaram longos anos depois do término da banda. Eu mantive meu contrabaixo, que ficava em um canto, criando bolor. Conheci novos amigos e um deles já tocava guitarra e conhecia uma menina que tocava batera. Então resolvemos juntar-nos e montamos uma banda. Os ensaios variavam entre uma casa e outra, às vezes na minha, outras na casa da batera.

Eu continuei sem saber tocar, enquanto os dois mandavam ver. Eu só fazia barulho e, às vezes, o cabo do baixo dava pau, nessa nem barulho eu fazia mais. A gente tinha só uma música própria e era uma instrumental, o resto eram uns covers que eles tocavam. Até que resolvemos dissolver a banda e cada um foi pro seu lado. O guitarrista tocou um tempo com o Caça Níquel aqui de Londrina, que já vinha com uma nova formação. Eu acabei ficando de roadie da banda por um tempo e fizemos até shows muito legais em alguns bares e um em uma formatura de modelos. Esse show eu fiquei comandando a iluminação de palco. Foi uma época massa, os ensaios aconteciam na casa do falecido Juninho e alguns em uma sobreloja em Apucarana ou Rolândia, não lembro ao certo. Mas lembro de um boteco que tinha em frente e que eu ficava lá tomando pinga, enquanto os caras estavam ensaiando.

A baterista eu nunca mais vi, só li em uma matéria da época, que ela estava tocando em uma banda formada só por mulheres. Mas antes disso e do fim da banda, fomos no show do Ira! no Moringão (que por sinal foi o primeiro e o único show a ser realizado no domingo).

Depois disso tudo, o tempo passou, não aprendi tocar, vendi meu baixo e o sonho de ter uma banda de rock de sucesso foi embora igual água no balde.

Mas tudo acontece como tem que acontecer, foi ótimo não ter esse sonho realizado. Hoje eu não estaria aqui. Anos e anos atrás, estava eu e um ex amigo na minha antiga casa, nós estávamos assistindo um documentário da banda Pantera em VHS… Que doideira que era a vida desses meninos! Lembro que um olhou pro outro e falou: “Porra véio! Já pensou se a gente tocasse no Pantera? Cara! Iriamos morrer na primeira turnê!” Tudo bem, mas a verdade é que naquele tempo, a gente morria todos os dias…

Bora sonhar! Com moderação! Não?

BORA PRO ROCK!

Rogerio Rigoni


Foi comerciante a vida toda, se rebelou e assumiu seu lado de escultor. A música que sempre foi sua paixão! Rock and roll na vida e na arte!

Foto: Pexels

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