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RPM, o show que eu não fui

Por Rogério Rigoni

Fala, meninas e meninos do ROCK!

Era 23/10/1986, eu tinha quatorze anos e estudava no antigo colégio São Paulo.

O RPM já era uma febre, tocava em tudo quanto é rádio e em tudo quanto é lugar, o álbum ao vivo já tinha sido lançado, então imagina…

Mas antes de falar do show que eu não fui aqui, tem uma história.

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Minha prima Rose tinha se casado há alguns anos e resolveram se mudar para Cuiabá. Eles já estavam lá há algum tempo e meus primos, irmãos da Rose, já estavam planejando uma viagem até lá. Acontece que no dia 23 era o dia do show do RPM e meus primos iriam viajar para Cuiabá no dia seguinte para o aniversário do meu priminho.

Eu nunca tinha ido a Cuiabá e muito menos no show do RPM. Mas, no dia do show, o Paulo Ricardo tinha sido preso por porte de maconha e liberado logo depois para estar aqui em Londrina. Para meu azar, meu pai viu essa matéria no jornal e ficou sabendo que do show. Eu estava louco para ir, mas, ao mesmo tempo, meus primos me convidaram para ir com eles . Pensei comigo: “Vou assistir o show e, no dia seguinte, vou para Cuiabá”.

Cheguei para o meu pai todo contente e falei: “Hoje vai ter show do RPM e estou querendo ir, mas também quero viajar com os meus primos” . Meu pai olhou bem para minha cara e falou: “Você acha que eu não vi a matéria que o vocalista foi preso por porte de maconha? E você quer ir no show desse maconheiro? Bom, você escolhe, ou vai no show ou vai viajar, está contigo”. Eu fiquei em uma sinuca de bico, e agora o que que eu faço? Considerei duas coisas: que o RPM podia vir de novo, afinal de contas, eles eram famosos; e que a viagem seria uma oportunidade única, pois meus primos poderiam mudar e eu não teria outra oportunidade de conhecer a cidade (eles acabaram voltando para Londrina).

Depois de pensar por um dia inteiro, resolvi que era melhor eu viajar do que ir no show, sem contar que ia ser uma aventura inesquecível (e foi).

Mas, antes da hora da viagem, deu para matar aula e ficar na frente do hotel Bourbon onde o RPM estava hospedado. Imagina a loucura que estava na frente daquele hotel, a mulherada em peso, gritando sem parar o nome deles, principalmente o do Paulo Ricardo. E para surpresa de todos, o Fernando Deluqui resolveu descer e tomar um sorvete numa antiga sorveteria que tinha na quadra abaixo do hotel. Foi uma fila de gente atrás dele e, quando ele voltou, a fila veio junto. Não sei como, mas eu e umas amigas conseguimos entrar no hotel e ficamos sentados na sala de espera, aguardando a descida da banda, até que o gerente veio e expulsou a gente de lá.

Passaram algumas horas quando a equipe técnica e seguranças começaram a descer e formar um cordão humano para que a banda pudesse passar. Quando a banda desceu, foi uma loucura, todas as meninas foram para cima deles, aí foi um empurra, empurra, puxão de cabelo… enfim, aquela visão do inferno. Eu fiquei só de canto assistindo tudo aquilo acontecer.

Quando eles estavam a salvo dentro do ônibus, começou a sessão de autógrafos. O Fernando Deluqui era o mais estrelinha, ele pegava a caneta o caderno assinava e jogava longe da pessoa. Os outros não, eles assinavam e devolviam a caneta e o caderno para a pessoa que tinha pedido o autógrafo. Nada mais justo, a final de contas eram fãs que estavam ali, alguns deles nem puderam ir ao show, como eu.

Eles ficaram tipo uma hora dando autógrafos até que o ônibus foi embora direto para Maringá, onde era o próximo show. E eu voltei para casa para arrumar as malas. Afinal de contas, eu tinha uma viajem longa a percorrer até Cuiabá.

Espero que vocês tenham gostado dessa lembrança, bom resto de semana e…

BORA PRO ROCK!

Rogério Rigoni

“FALA, MENINAS E MENINOS DO ROCK”! Assim começa o programa o DNA Rock Brasil, pela radio web Antena Zero, de São Paulo! Sou um dos apresentadores e falo do que amo desde que me conheço por gente: música! E se for autoral, melhor ainda! E já que não tive uma banda, me realizo falando e escrevendo sobre rock and roll! Punk de alma e de coração, vivendo em paz ! E…BORA PRO ROCK! Me sigam no Instagram: @historias_de_roc

Foto: Reprodução da internet

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(*) O conteúdo das colunas não reflete, necessariamente, a opinião do O LONDRINENSE.

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