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Meu All Star!

Por Rogério Rigoni

Fala meninas e meninos do ROCK!

Seu tênis faz parte da sua cultura? O meu faz…

Ganhei meu primeiro All Star com 13 anos. Era cor de rosa e usado, que foi do meu primo e esse resolveu me dar de presente. Na época eu não associei o tênis ao rock, gostava de Kichute. Mas era um All Star rosa e nenhum menino da minha idade usava tênis rosa, eu sim! Curto a cor desse tênis até hoje. Só que o número que calço, atualmente, não tem em rosa (Que pena!). Esse usei até furar a sola e, por um bom tempo, guardei. Não queria jogar fora de jeito nenhum! Depois disso, abandonei meu Kichute e só queria All Star. Assim foi… O que você quer de presente? Adivinha!? Pode ser de qualquer cor! Cano alto ou baixo! Mas tem que ser… O mais legal dessa parada é que meu gosto por rock já estava formado e o tênis fazia parte dessa história.

O All Star parecia um sinônimo de rebeldia, não sei se na época o tênis era mais barato que os demais, mas a galera punk usava, as bandas punks e outras também. Para uma criança chegando na adolescência como eu, foi um divisor de águas. Se tinha um casamento, eu tinha que ir de calça, camisa social e tênis. Pô! Eu escuto Ramones e Sex Pistols! Me respeite! Sou punk! Sou rebelde! “God Save the Queen!”

Isso me trouxe vários problemas, principalmente com meu pai. Em 1987, eu escutava Inocentes, Plebe Rude, Cólera, Ratos de Porão. Andava com calça rasgada e tênis, o meu “velho” ficava indignado. “Não foi essa a educação que te dei! Parece um maloqueiro! Olha a casa que você mora! Nós temos uma loja! Olha a nossa reputação!” Coitadinho, eu estava é me lixando para toda aquela merda. Eu queria mesmo é escutar meu rock, andar do jeito que me sentia bem e me representava.

Foto: Acervo Pessoal

Eu e meu tênis tivemos várias experiências massa! Fomos a shows, festas, bares, viagens, becos e ruas sem saída. “Mão na parede! Abre as pernas!” Só não me pede para tirar o tênis. Fomos para o céu e inferno, em um salto!

Me lembro do Liquid Paper. Além de apagar os erros de escrita ele tinha outras utilidades, como escrever no calçado. É nessa que o tênis preto foi um ótimo companheiro, para minha alegria e tristeza do meu pai. Comecei a escrever nomes de bandas, palavrão, símbolo da anarquia, suástica com um risco cortando, o símbolo em forma de protesto e assim por diante… Quanto mais o tênis ficava surrado, eu gostava mais. Usava até com a sola furada. Teve uma vez que cortei o dedo, enrolei em um pedaço de pano para parar o sangramento e esqueci a “parada” dentro do tênis. Minha mãe começou a sentir um cheiro esquisito e não achava da onde vinha, até que ela resolveu olhar dentro do tênis e descobriu aonde estava a carniça kkk, que massa!

Os anos foram passando, fui amadurecendo, mas não perdi totalmente minha rebeldia e meu gosto musical. Claro, nunca deixei de comprar meu All Star. Não uso mais calça rasgada, mas o espirito continua jovem e punk. Até o ano passado, tinha alguns tênis pendurados no portão de casa, fazendo companhia para os chinelos, mas resolvi tirar.

Hoje, eu e minha esposa e nossos All Star, preferimos a tranquilidade de casa e o “roquizinho que assusta alguém”. Meu tênis continua envelhecendo nos meus pés, continua companheiro de música, mercado e no café da manhã de graça no posto. Ele continua meu amigo nessa coluna e no DNA Rock Paraná. Quando casamos, ele foi testemunha. Ele continua Punk, Thrash Metal, Crossover, inconformado e rebeldinho. Ele continua meu ALL STAR!

Bora calçar o tênis!

BORA PRO ROCK!

Rogerio Rigoni


Foi comerciante a vida toda, se rebelou e assumiu seu lado de escultor. A música que sempre foi sua paixão! Rock and roll na vida e na arte!

Foto: Pixabay

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