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Qual a diferença entre tragédias de bilionários e imigrantes?

Por Fábio Luporini

A morte inesperada, acidental ou catastrófica de alguém, quem quer que seja, é sempre uma tragédia. Quando altera o “curso natural da vida”, chama a atenção e nos faz pensar e refletir sobre nosso papel no mundo. Assim, não se podem comparar tragédias, ou seja, qual é maior ou mais importante que a outra. Entretanto, pode-se perceber valores e prioridades quando se colocam duas situações lado a lado.

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Uma delas foi a implosão de um submersível, dias atrás, que levava “turistas” bilionários ao naufrágio mais famoso da História, o do Titanic. Os cinco presentes na embarcação morreram afogados e, até os destroços serem encontrados, movimentou equipes de resgate e chamou a atenção da imprensa mundial. Um tratamento bem diferente dado a outra tragédia: o naufrágio de uma embarcação de pesca que saiu da Líbia em direção à Europa.

Tragédias de imigrantes

No barco, que naufragou, havia 750 ocupantes, entre eles crianças e mulheres, de diversas nacionalidades, como paquistaneses, sírios, egípcios e palestinos. Praticamente a maioria formada por imigrantes em busca de uma vida melhor. Mais de 300 pessoas morreram. Só que a tragédia não chamou tanta a atenção da imprensa mundial nem mobilizou tantos esforços de resgate. Isso significa que uma tragédia é melhor ou pior que a outra?

Não. Isso significa que nós, como sociedade, damos prioridades diferentes a pessoas diferentes. Aristóteles dizia que a justiça, de fato, era tratar pessoas diferentes como diferentes. Entretanto, o sentido era outro: aquele a quem mais precisa merece mais atenção e mais recursos. Diferentemente daquele que precisa menos. Que sociedade queremos ser? Que sociedade estamos sendo? Que sociedade estamos construindo para o futuro?

Quanto mais pudermos discutir sobre isso, melhor nos posicionaremos e formaremos cidadãos capazes de se preocuparem não apenas com o próprio entorno, mas, sobretudo, com situações e realidades mais necessitadas.

Fábio Luporini

Sou jornalista formado pela  Universidade Norte do Paraná e sociólogo formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) . Fui repórter, editor e chefe de redação no extinto Jornal de Londrina (JL), atuei como produtor na RPC (afiliada da TV Globo), fundei o também extinto Portal Duo e trabalho como assessor de imprensa e professor de Filosofia, Sociologia, História, Redação e Geopolítica, em Londrina.

Foto: OceanGate

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(*) O conteúdo das colunas não reflete, necessariamente, a opinião do O LONDRINENSE.

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