Desde o dia 31 de dezembro de 2019, quando a China identificou o primeiro caso do novo coronavírus causador da doença Covid-19, em Wuhan, o mundo passou a viver uma enxurrada de notícias ruins. Em março, a pandemia devastou os chineses, explodiu na Itália, no Irã e em outros países ao redor do globo, provocando pânico e medo e obrigando os governos a tomarem medidas drásticas para evitar a transmissão e o contágio. Nesse caos instalado, o que o ser humano pode aprender?
Em primeiro lugar, devemos pensar no outro. Desenvolver em nós um senso de coletividade. Dois exemplos sobre isso. O uso de máscaras, tão banalizado em tempos de pandemias como essa, mostrou-se totalmente errado e inútil. Deve utilizar o acessório apenas profissionais de saúde e pessoas com quadro confirmado ou suspeito. O resto não precisa, com exceção de quem ocupa o mesmo cômodo que o paciente/doente. Da mesma forma a quarentena: é para evitar que as pessoas de grupos de risco fiquem ainda mais expostas ao vírus.
Outro aspecto do senso de coletividade é não sair por aí esvaziando as prateleiras dos supermercados e farmácias para estocar produtos de higiene, alimentos e remédios. Essa atitude egoísta provoca uma crise dentro de uma crise e pode piorar a situação. Afinal, não é todo mundo que tem condições de fazer isso. E se um estoca, certamente faltará ao outro.
Por outro lado, precisamos exercitar a empatia, que é a capacidade de sentir o que outra pessoa sentiria se estivéssemos na mesma situação. Imagine um idoso que, de repente, não pode sair de casa nem para ir ao mercado ou à farmácia? Que tal se oferecêssemos ajuda aos vizinhos, aproveitando nossa saída em tempos de quarentena forçada para comprar os produtos para nós e para eles.
Controlar os medos, pânicos e desesperos também faz parte da saúde coletiva, no caso, a mental. Manter a calma, o bom senso e o equilíbrio são fundamentais para que atravessemos momentos difíceis com parcimônia. Assim, o processo de enfrentamento é menos doloroso e a saída pode ser mais rápida. Como diria Aristóteles, o ser humano é naturalmente um animal político e social, que convive em sociedade, e racional. Portanto, cabe a nós exercer a natureza humana.
Foto: Pixabay
Fábio Luporini

Sou jornalista formado pela Universidade Norte do Paraná e sociólogo formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) . Fui repórter, editor e chefe de redação no extinto Jornal de Londrina (JL), atuei como produtor na RPC (afiliada da TV Globo), fundei o também extinto Portal Duo e trabalho como assessor de imprensa e professor de Filosofia, Sociologia, História, Redação e Geopolítica, em Londrina.
