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O Brasil está invertido mais que em Stranger Things

Por Fábio Luporini

Não é possível que o bolsonarismo faça vistas grossas para um bolsonarista que mata um petista à queima roupa e sirva na mesa do almoço de domingo o intragável medo de que o PT vá transformar o Brasil em uma Venezuela. Nós estamos em guerra e a maior arma que se pode utilizar é o discurso. De um lado, um discurso que incentiva o extremismo e que polariza as pessoas entre esse ou aquele. Do outro, um discurso raso e superficial de um medo completamente inexistente. Afinal, se o PT fosse transformar o Brasil em Venezuela, já o teria feito nos anos em que esteve no poder, não é mesmo?

Não. Não sou petista. Essa é a negativa que tenho que responder toda vez que faço um contraponto ao bolsonarismo, mesmo sem citar o PT. Mas, também não sou bolsonarista. Ao contrário, tenho ojeriza ao pensamento conflitante e hipócrita que o maior mandatário do país incentiva em vez de trabalhar para melhorar a qualidade de vida das pessoas. Até porque, o discurso na mesa do almoço de domingo é, justamente, votar no Bolsonaro para evitar que o Lula transforme o Brasil em Venezuela e, se isso acontecer, não teremos condições de colocar gasolina no nosso carro.

Oi? Já não estamos tendo essa condição? E, embora seja questionável e possa haver consequências das políticas econômicas adotadas em governos passados, já faz quase quatro anos que o presidente poderia fazer algo e não faz. Ou melhor, em vez de trabalhar fica passeando de moto com o dinheiro público pagando a gasolina cara. Não dá para sustentar um país ou um governo cujo discurso se distancia da realidade. Um país onde o litro de leite está mais caro que o litro da gasolina. Um país que reedita práticas corruptas como o mensalão ou o petrolão em formatos novos como o orçamento secreto e com total apoio do centrão, aquele bloco malvado contra o qual o presidente discursava.

O mundo [brasileiro] está invertido e pior do que em Stranger Things. As coisas por aqui fazem menos sentido do que por lá. Acontece que na série de sucesso, as temporadas um dia vão acabar. E por aqui? Nem sinal do fim do túnel.

Fábio Luporini

Sou jornalista formado pela  Universidade Norte do Paraná e sociólogo formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) . Fui repórter, editor e chefe de redação no extinto Jornal de Londrina (JL), atuei como produtor na RPC (afiliada da TV Globo), fundei o também extinto Portal Duo e trabalho como assessor de imprensa e professor de Filosofia, Sociologia, História, Redação e Geopolítica, em Londrina.

Foto: Divulgação/Netflix

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