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Isolamento ou convívio social?

Sempre fui – e sou, ainda – uma pessoa bastante comunicativa. Ou melhor, nem sempre assim. Quando criança e adolescente, tinha sérios problemas de interações sociais, era tímido e me escondia atrás da timidez. Até precisei vencê-la, inclusive para deixar de sofrer bullying, o que era comum antigamente. Mas, a pandemia do coronavírus está alterando meu comportamento, cuja tendência era me reunir com as pessoas e festar com os amigos e familiares.

Se, por um lado, o isolamento social se tornou um alívio para as pessoas que tinham algum transtorno social, por outro, ao menos no início, era um martírio para quem gostava de “ruar”. Era o meu caso. Mas, na realidade, o fato é que me acostumei a ficar em casa, de pijama, curtir uma série, tomar um vinho e fazer uma comidinha. E está sendo um suplício ter que me arrumar para sair ou encontrar alguém, mesmo que essas ocasiões sejam bem menos corriqueiras ou que seja por motivos laborais.

Estou longe de desenvolver uma fobia social. Não é o caso, embora esse transtorno exista e tenha sido potencializado pela pandemia, levando a ansiedades, medos, constrangimentos, entre outros sintomas. Entretanto, a gente passa a ver as relações sociais de outra perspectiva, passando a ser seletivo. E mais criterioso.

Afinal, o ser humano é, essencialmente, um ser social, de acordo com o pensamento do filósofo Aristóteles, clássico da Grécia Antiga. E de fato é assim. É o único capaz de realizar interações sociais conscientemente e por livre e espontânea vontade. Não por um instinto de necessidade ou sobrevivência. O ser humano se prepara para receber um amigo, convida o outro para um jantar ou uma festa, estabelece uma comunicação, mesmo que seja mínima e automática, no elevador, etc.

O importante é ter equilíbrio. É preciso dosar o tempo de interações sociais com o tempo que se gasta com a própria companhia. Porque a convivência com muita gente pode ser também uma fuga, tal qual o isolamento de tudo e de todos. Saber equilibrar é fundamental para a harmonia da própria vida.

Fábio Luporini

Sou jornalista formado pela  Universidade Norte do Paraná e sociólogo formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) . Fui repórter, editor e chefe de redação no extinto Jornal de Londrina (JL), atuei como produtor na RPC (afiliada da TV Globo), fundei o também extinto Portal Duo e trabalho como assessor de imprensa e professor de Filosofia, Sociologia, História, Redação e Geopolítica, em Londrina.

Foto: Pexels

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